O Grupo Volkswagen anunciou um plano de reestruturação que prevê uma redução de 25% da capacidade global de produção automóvel, passando dos atuais 12 milhões para cerca de nove milhões de veículos por ano. Segundo o El País, a construtora alemã vai também reduzir gradualmente até 50% da sua gama de modelos, concentrando a oferta nos segmentos de mercado considerados mais atrativos.
A decisão foi anunciada após uma reunião do conselho de supervisão da empresa, que aprovou os primeiros pontos-chave daquela que é considerada a maior reestruturação do grupo desde o acordo salarial alcançado em 2024.
Oferta será simplificada em até 75%
Além da redução do número de modelos, a Volkswagen prevê cortar significativamente as opções de equipamento disponíveis nos seus automóveis. Segundo a empresa, estas medidas permitirão reduzir a complexidade da oferta comercial em até 75%.
“O nosso plano para o futuro marca a entrada na próxima fase da transformação”, afirmou o presidente executivo do Grupo Volkswagen, Oliver Blume. O responsável reiterou que o objetivo passa por transformar a empresa “na fabricante automóvel mais atrativa do mundo” até 2030.
Número de despedimentos continua por definir
Apesar da aprovação das linhas gerais da reestruturação, o conselho de supervisão adiou as decisões mais sensíveis, incluindo o número exato de postos de trabalho que poderão ser eliminados.
Nas últimas semanas, surgiram informações de que o grupo poderá eliminar até 100 mil empregos e encerrar quatro fábricas na Europa, embora a empresa ainda não tenha confirmado oficialmente esses números.
Anteriormente, a Volkswagen já tinha anunciado a eliminação de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. Desse total, 35 mil correspondem à marca Volkswagen, enquanto os restantes dizem respeito a subsidiárias como a Audi e a Porsche. Os novos cortes poderão somar-se aos já previstos.
Trabalhadores manifestam-se contra a reestruturação
Coincidindo com a reunião do conselho de supervisão, o sindicato IG Metall e a comissão de trabalhadores organizaram protestos em várias unidades da Volkswagen na Alemanha.
As manifestações decorreram em Wolfsburgo, junto à sede do grupo, bem como em Emden, Zwickau, Hanôver e na fábrica da Audi em Neckarsulm. Segundo o sindicato, não se tratou de uma greve, mas sim de ações de informação e protesto.
Estas unidades são consideradas particularmente vulneráveis no atual processo de reestruturação, estando entre as instalações cujo futuro tem sido alvo de especulação.
Sindicatos alertam para forte oposição
A presidente da comissão de trabalhadores, Daniela Cavallo, e a líder do IG Metall, Christiane Benner, avisaram que os trabalhadores irão opor-se firmemente caso avancem os planos para eliminar mais 50 mil empregos e encerrar quatro fábricas.
Benner classificou como “absolutamente irresponsável” a forma como tem sido gerida a divulgação das possíveis medidas, acusando a administração de alimentar o receio entre os trabalhadores ao permitir que circulem informações sobre o eventual encerramento de fábricas.
A dirigente sindical defendeu ainda uma maior cooperação entre as diferentes marcas do grupo para aproveitar sinergias e reconheceu que, desde o acordo laboral alcançado em 2024, o contexto internacional se agravou devido aos direitos aduaneiros impostos pelos Estados Unidos e ao reforço da concorrência chinesa.
Volkswagen aponta pressão internacional como principal desafio
Oliver Blume justificou o reforço do plano de redução de custos com o agravamento das condições económicas globais.
Segundo o presidente executivo, fatores como as tarifas aduaneiras, os conflitos internacionais, as tensões geopolíticas e o aumento da concorrência colocam em causa o atual modelo de negócio da empresa.
Na sua perspetiva, o modelo tradicional da Volkswagen — baseado no desenvolvimento e produção na Europa para venda em todo o mundo — deixou de ser sustentável nas atuais condições de mercado.
Comissão de trabalhadores pede estratégia para o futuro
Daniela Cavallo defendeu que a Volkswagen necessita de um plano estratégico de longo prazo que vá além da redução de custos, incluindo investimentos em inovação tecnológica e no desenvolvimento de produtos adaptados aos diferentes mercados.
A responsável apelou igualmente ao apoio das autoridades europeias para proteger a indústria automóvel face à concorrência internacional.
Na sua opinião, perante o apoio concedido pelos Estados Unidos e pela China às respetivas indústrias automóveis, através de subsídios e tarifas, a União Europeia deverá adotar uma política industrial que permita salvaguardar a competitividade e os postos de trabalho no setor automóvel europeu.






