A Tesla está a intensificar os esforços para conseguir autorização para utilizar o Full Self-Driving (FSD) na Europa, mas os argumentos de segurança apresentados pela marca estão a ser questionados por especialistas, numa altura em que os reguladores europeus avaliam uma tecnologia considerada estratégica para o futuro da fabricante.
Segundo o ‘Motor1’, que cita uma investigação da ‘Reuters’, a Tesla tem multiplicado os contactos com as autoridades europeias para acelerar a homologação do sistema, enquanto procura demonstrar que a utilização do FSD pode tornar a condução mais segura.
Apesar do nome Full Self-Driving, o FSD (Supervised) não transforma atualmente um Tesla num automóvel totalmente autónomo. O condutor tem de permanecer atento à estrada e preparado para assumir o controlo do veículo a qualquer momento.
Especialistas colocam dados de segurança em causa
Uma das principais questões está na forma como a Tesla procura demonstrar os benefícios do sistema.
A ‘Reuters’ submeteu parte dos dados apresentados pela fabricante à análise de sete investigadores especializados em segurança rodoviária.
A conclusão foi mais cautelosa do que a defendida pela Tesla: segundo os especialistas consultados, os elementos apresentados não permitem concluir que a utilização do FSD reduza os acidentes mortais.
Entre os indicadores utilizados estão comparações de determinados comportamentos dos automóveis com e sem assistência, como travagens bruscas, acelerações ou alterações de direção.
O problema é que estas métricas não permitem determinar diretamente quantos acidentes foram efetivamente evitados graças ao sistema.
Segundo a investigação, a própria Tesla reconhece em alguns documentos que estas comparações não constituem uma medição causal da segurança.
Países Baixos podem abrir a porta à Europa
No centro do processo está a RDW, autoridade de homologação dos Países Baixos.
O regulador neerlandês deu em abril um primeiro parecer favorável ao FSD, um passo que poderá abrir caminho a uma futura autorização a nível europeu.
O processo, porém, não terá sido isento de divergências.
De acordo com a investigação citada pelo ‘Motor1’, a Tesla terá contestado alguns aspetos da avaliação, nomeadamente a duração do procedimento e os respetivos custos.
A fatura apresentada pela RDW por cinco meses de trabalho chegou aos 365 mil euros.
A autoridade neerlandesa garante, no entanto, que realizou uma avaliação independente do sistema, incluindo testes em circuito e em estradas abertas ao trânsito.
França muda de posição e começa a testar o FSD
Também França poderá ter um papel importante na decisão.
Em julho, o ministro francês dos Transportes, Philippe Tabarot, mostrou-se contrário à autorização europeia do FSD na configuração então apresentada, apontando preocupações relacionadas, entre outros aspetos, com a velocidade e a atenção exigida ao condutor.
Desde então, a posição francesa evoluiu.
Tabarot reuniu-se com Elon Musk e França começou a realizar os seus próprios testes ao sistema utilizando dois automóveis.
Paris está agora a trabalhar com a Tesla em alterações que poderão levar as autoridades francesas a apoiar uma futura autorização europeia.
Uma aprovação importante para a Tesla
Conseguir levar o Full Self-Driving aos clientes europeus representaria uma vitória tecnológica e comercial importante para a Tesla.
A fabricante procura reforçar a sua posição na Europa e vê no software e na condução assistida uma das áreas fundamentais da estratégia para os próximos anos.
Uma aprovação permitiria também aproximar os automóveis europeus das funcionalidades que a Tesla já disponibiliza noutros mercados.
Mas a decisão ainda está longe de estar fechada.
O voto que chegou a estar previsto sobre a autorização foi adiado e os reguladores continuam a analisar o sistema, as alterações necessárias e os dados utilizados pela fabricante para sustentar as alegações relacionadas com segurança.
A Tesla conseguiu, portanto, colocar o FSD à porta da Europa. Convencer as autoridades de que deve deixá-lo entrar será o próximo desafio.






