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“Temos mercado e oficinas cheias… mas não temos pessoas”: responsável alerta para rutura iminente no automóvel

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Francisco Laranjeira

Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, falou em exclusivo à ‘Executive Digest’ sobre os desafios que a crescente tecnologia nos automóveis vão significar no setor e alertar para a falta de mão de obra

A transformação tecnológica do automóvel está a acelerar a um ritmo sem precedentes, com veículos cada vez mais digitais, conectados e exigentes do ponto de vista técnico. Da eletrificação aos sistemas avançados de assistência à condução, passando pelo diagnóstico remoto e pelo software embarcado, o carro tornou-se um verdadeiro “computador sobre rodas”. Mas esta evolução levanta uma questão crítica: estará o setor preparado para acompanhar esta mudança?

Em entrevista exclusiva à ‘Executive Digest’, Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel), traça um retrato claro de um setor que cresce e se moderniza, mas que enfrenta um défice estrutural de mão de obra qualificada.

Entre a falta de técnicos preparados, o desalinhamento da formação e a dificuldade em atrair novas gerações, o responsável alerta para os riscos de uma transição tecnológica sem base humana suficiente — com impactos diretos nas oficinas, nos consumidores e na própria mobilidade em Portugal.

1. Estamos perante uma escassez conjuntural ou um problema estrutural de mão de obra no setor automóvel?

Estamos claramente perante um problema estrutural, e não meramente conjuntural. O setor do pós-venda automóvel em Portugal mantém níveis consistentes de procura, continua a crescer e a gerar negócio, mas enfrenta hoje um verdadeiro estrangulamento ao nível da disponibilidade de recursos humanos qualificados.

De acordo com um inquérito recente promovido pela ANECRA, 74% das empresas identificam a falta de mão de obra como o principal constrangimento à sua atividade, o que demonstra de forma inequívoca que não se trata de uma dificuldade passageira, mas de uma fragilidade de natureza estrutural. Importa sublinhar que, em 2022, esse valor situava-se nos 45%, o que evidencia um agravamento muito significativo num curto espaço de tempo.

Este problema resulta da acumulação de fatores ao longo de vários anos. Durante demasiado tempo, o setor não investiu de forma consistente na valorização destas profissões, na ligação ao sistema de ensino e na construção de uma imagem mais moderna, tecnológica e atrativa do pós-venda automóvel.

O resultado é hoje um paradoxo evidente: temos mercado, temos oficinas com elevada carga de trabalho e uma crescente exigência técnica, mas não temos pessoas suficientes para responder a essa procura.

2 – Portugal está melhor ou pior posicionado do que a média europeia para responder a esta falta de técnicos?

Portugal não está isolado neste desafio. A escassez de técnicos qualificados no pós-venda automóvel é hoje um fenómeno transversal à maioria dos países europeus. Mercados como o espanhol enfrentam esta realidade há vários anos.

Ainda assim, o impacto não é uniforme. A escassez tende a ser mais crítica nos países onde o setor tardou em modernizar-se, onde o investimento em formação foi insuficiente e onde, durante largos anos, os níveis de remuneração limitaram a atratividade e valorização destas profissões. Neste contexto, Portugal — a par de Espanha — encontra-se numa posição particularmente exposta.

Diria, aliás, que enfrentamos um duplo desafio. Por um lado, um desafio estrutural, que exige uma aposta consistente na valorização das carreiras técnicas, na modernização da formação e na capacidade de atrair novas gerações para o setor. Por outro, um desafio de curto prazo, que passa por garantir resposta imediata às necessidades das empresas, nomeadamente através da captação de talento qualificado fora de Portugal.

É precisamente neste ponto que subsistem bloqueios relevantes. Os processos de imigração laboral continuam excessivamente burocráticos e desajustados da urgência do tecido empresarial. A este respeito, instrumentos como o Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada — a chamada “Via Verde para a Imigração” — podem desempenhar um papel importante, desde que deixem de existir apenas no plano formal e passem a ser verdadeiramente operacionais, céleres e alinhados com as necessidades concretas do setor.

Em síntese, Portugal enfrenta o mesmo problema que a Europa, mas com menor margem de erro — e menos tempo para reagir. E isso exige uma resposta mais rápida, mais coordenada e mais ambiciosa.

3. Que perfis são hoje mais difíceis de recrutar — e porquê?

Os perfis mais difíceis de recrutar no setor são, desde logo, os mecânicos qualificados, mecatrónicos, técnicos de colisão e pintores automóveis. Trata-se de funções críticas para o funcionamento das oficinas, que hoje exigem competências cada vez mais sofisticadas, ao mesmo tempo que enfrentam uma redução evidente da disponibilidade de profissionais.

Esta dificuldade resulta de um conjunto de fatores cumulativos. Em primeiro lugar, o envelhecimento da atual força de trabalho, com muitos profissionais experientes a aproximarem-se da saída do mercado. Em segundo lugar, a insuficiente entrada de jovens nestas áreas. E, em terceiro lugar, a própria transformação das funções: o técnico automóvel deixou de trabalhar apenas sobre mecânica tradicional e passou a lidar com eletrónica, software, sistemas avançados de assistência à condução, diagnóstico digital e, de forma crescente, com tecnologias de alta tensão.

Quando a exigência técnica aumenta, mas a perceção social da profissão permanece desajustada, o resultado é inevitável: maior dificuldade em atrair e reter talento.

Importa ainda sublinhar que a dificuldade de recrutamento não se limita às funções técnicas. Perfis como o de rececionista técnico — que exigem simultaneamente competências comerciais, capacidade de relacionamento com o cliente e conhecimento técnico do setor — são igualmente escassos, em grande medida por ausência de uma aposta estruturada na sua formação no sistema de ensino.

4. O perfil do mecânico tradicional está a desaparecer? Que tipo de profissional está a surgir com a eletrificação?

O mecânico tradicional, tal como o conhecíamos há vinte ou trinta anos, está a dar lugar a um novo perfil profissional. Não desaparece por completo — desde logo porque o parque circulante continuará, durante muitos anos, a integrar milhões de viaturas com motor de combustão —, mas está a transformar-se de forma profunda.

O profissional do presente e, sobretudo, do futuro é cada vez mais um técnico de mobilidade, com competências híbridas que combinam mecânica, eletrónica, informática, diagnóstico e interpretação de dados.

Com a eletrificação, surgem novas exigências: conhecimento de sistemas de alta tensão, cumprimento rigoroso de procedimentos de segurança, capacidade para operar equipamentos de diagnóstico avançado e compreensão do funcionamento de sistemas elétricos cada vez mais complexos. A isto soma-se a crescente digitalização do automóvel e dos próprios processos de reparação.

Hoje, as oficinas trabalham com sistemas que apoiam a leitura de códigos de erro, a análise de dados telemáticos e a identificação de padrões de falha. Ou seja, exige-se cada vez menos um executante puramente manual e cada vez mais um profissional capaz de interpretar, validar e decidir.

Importa, no entanto, sublinhar que esta evolução não é recente. Trata-se de um processo contínuo, que se tem vindo a intensificar nas últimas décadas, desde logo com a crescente incorporação de eletrónica nos veículos. A eletrificação e a digitalização não representam uma rutura, mas antes uma aceleração dessa transformação.

O que muda, verdadeiramente, é a velocidade e a exigência dessa evolução, que obriga o setor a adaptar-se mais rapidamente e a investir de forma consistente na qualificação dos seus profissionais.

5. Porque é que os jovens continuam afastados destas profissões, apesar da procura crescente?

Porque o setor continua, em grande medida, a pagar o preço de uma imagem desatualizada que já não corresponde à realidade. Durante décadas, a figura do “mecânico” ou do “chapeiro” ficou associada, no imaginário social, a profissões pouco valorizadas, pouco qualificadas e mal remuneradas. Esse estigma afastou os jovens e, em particular, muitos dos perfis com maior potencial técnico.

O problema é que a realidade evoluiu muito mais rapidamente do que a perceção pública. Hoje, estamos a falar de profissões altamente técnicas, que lidam com eletrónica, software, conectividade, sistemas avançados de assistência à condução e veículos cada vez mais complexos. No entanto, esta transformação ainda não foi suficientemente comunicada às famílias, às escolas e aos próprios jovens.

A isto soma-se um segundo fator: a concorrência de outros setores que conseguiram posicionar melhor as suas carreiras tecnológicas, captando talento que, em muitos casos, poderia encontrar aqui oportunidades igualmente — ou até mais — interessantes do ponto de vista profissional.

Por isso, o desafio não é apenas formativo — é também cultural e de posicionamento. Enquanto não formos capazes de construir uma nova narrativa para estas profissões — mais moderna, mais tecnológica e mais valorizada — e de aproximar o setor do sistema educativo e dos jovens, será difícil inverter esta tendência.

6. O sistema de ensino e formação profissional está desalinhado com as necessidades reais das oficinas?

Em muitos casos, sim. Existem bons exemplos — escolas, centros de formação e projetos de elevada qualidade — mas, no essencial, o sistema ainda não responde com a velocidade nem com a flexibilidade que o setor hoje exige. A transformação tecnológica do automóvel foi particularmente rápida, e a oferta formativa nem sempre conseguiu acompanhar essa evolução ao mesmo ritmo.

Importa, contudo, reconhecer o que está a ser bem feito. Um exemplo relevante é o CEPRA – Centro de Formação Profissional da Reparação Automóvel, entidade tutelada pelo IEFP e cuja administração integra a ANECRA. O CEPRA tem desenvolvido um trabalho consistente e de grande qualidade, quer na formação inicial de jovens, através do ensino profissional, quer na formação contínua de ativos do setor, contribuindo de forma decisiva para a qualificação da mão de obra.

Ainda assim, persiste um desafio estrutural que tem atravessado décadas: a reduzida atratividade destas profissões. Uma parte significativa dos jovens que concluem percursos de formação nesta área acaba por seguir outros caminhos profissionais, o que limita a capacidade do setor para reter talento e renovar os seus quadros.

Paralelamente, as exigências técnicas das oficinas evoluíram de forma muito significativa. Hoje, os profissionais têm de estar preparados para trabalhar com diagnóstico digital, eletrónica, sistemas ADAS, conectividade, software e, de forma crescente, com veículos elétricos e híbridos. Esta realidade exige currículos permanentemente atualizados, maior proximidade ao contexto empresarial, reforço da componente prática e, sobretudo, mecanismos de requalificação mais ágeis.

O desafio, por isso, não é apenas formar mais — é formar melhor e de forma mais alinhada com o terreno.

Importa também sublinhar que muitas das limitações não decorrem diretamente das entidades formadoras. Os planos curriculares e os conteúdos programáticos continuam, em muitos casos, excessivamente rígidos e pouco adaptáveis à rapidez da evolução tecnológica. Torna-se, assim, fundamental introduzir maior dinamismo na atualização dos programas, bem como reavaliar os níveis de qualificação e os modelos de certificação, de forma a garantir uma resposta mais eficaz às necessidades reais do setor.

7. Os salários e condições de trabalho são suficientemente competitivos para atrair e reter talento?

De uma forma geral, ainda não ao nível que a exigência técnica hoje justifica. E este é um ponto central. O mecânico ou mecatrónico atual é um técnico altamente qualificado, que trabalha com sistemas complexos e assume responsabilidades crescentes em matéria de segurança, diagnóstico e intervenção técnica. Contudo, essa sofisticação nem sempre está refletida, quer na perceção social da profissão, quer, em muitos casos, na remuneração efetiva.

Isto não significa ignorar as limitações económicas de muitas PME do setor. Significa reconhecer que, sem valorização salarial e sem melhoria das condições de trabalho, será muito difícil competir por talento, sobretudo junto dos mais jovens. O setor precisa de tornar estas carreiras mais atrativas em três dimensões: remuneração, progressão e prestígio. Sem esse reposicionamento, continuará a haver procura por estes profissionais, mas pouca disponibilidade para entrar e permanecer na profissão.

Importa, no entanto, introduzir um elemento de contexto relevante. Num cenário de escassez de mão de obra qualificada, as dinâmicas de mercado tendem, naturalmente, a pressionar a valorização dos salários. E isso já se começa a verificar: nos últimos anos, os operadores do pós-venda têm vindo a competir cada vez mais pela retenção de técnicos especializados, o que se tem traduzido numa trajetória gradual de aumento das remunerações. Ainda assim, esse movimento é ainda insuficiente face à exigência técnica e à concorrência por talento que o setor enfrenta.”

8. A falta de qualificação pode travar a transição para veículos elétricos e mais tecnológicos?

Sem dúvida. A transição energética e tecnológica não se faz apenas com legislação, metas ou incentivos à compra. Faz-se, sobretudo, com capacidade instalada no terreno para reparar, manter e dar confiança ao consumidor. Sem técnicos qualificados, oficinas preparadas e redes independentes capacitadas, essa transição ficará inevitavelmente limitada na prática.

A eletrificação implica um salto qualitativo muito significativo ao nível das competências. Não se trata de uma mera adaptação ao modelo anterior, mas de responder a novos requisitos de segurança, a novos equipamentos e a novas metodologias de diagnóstico. Quem não acompanhar esta evolução corre o risco de ficar fora do mercado. Neste sentido, a falta de qualificação não é apenas um problema laboral — é um verdadeiro travão à modernização do setor.

Importa, contudo, sublinhar que este desafio não se coloca apenas com os veículos elétricos. Mesmo as viaturas com motor de combustão interna, comercializadas nos últimos anos, apresentam níveis de complexidade tecnológica incomparavelmente superiores aos de há uma década. Hoje, um automóvel integra múltiplos sistemas eletrónicos, software avançado e centenas de unidades de controlo — sendo, na prática, um verdadeiro “computador sobre rodas”.

Isto significa que o desafio da qualificação é transversal a todo o parque automóvel e não apenas ao futuro elétrico. A exigência técnica já está no presente — e continuará a intensificar-se nos próximos anos.

É precisamente neste domínio que a ANECRA tem vindo a assumir um papel central. Através de uma aposta contínua e estruturada na formação, a Associação tem promovido, nos últimos anos, dezenas de ações que envolveram milhares de profissionais, contribuindo de forma concreta para a capacitação do setor e para a sua adaptação às novas exigências tecnológicas.

Para a ANECRA, a valorização das pessoas e a qualificação dos profissionais não são apenas uma prioridade — são uma condição essencial para o futuro do setor. A transformação começa nas competências. E só com capital humano qualificado será possível assegurar uma transição tecnológica bem-sucedida e construir um setor automóvel competitivo, sustentável e preparado para os desafios que se avizinham.

9. Que impactos concretos esta escassez já está a ter nos consumidores (preços, tempos de espera, qualidade do serviço)?

Os impactos já são muito concretos. Desde logo, traduzem-se em atrasos nas reparações e em menor capacidade de resposta das oficinas. Quando faltam profissionais, há menos produtividade instalada, mais tempo de espera e maior dificuldade em absorver picos de procura. Em alguns casos, esta escassez já está mesmo a condicionar a sobrevivência de empresas que não encerram por falta de clientes, mas por falta de pessoas.

Naturalmente, isto tende também a pressionar preços, porque a escassez de mão de obra qualificada aumenta o custo do serviço e reduz a oferta disponível. E pode ainda afetar a qualidade, não por falta de competência das oficinas, mas porque a pressão sobre as equipas aumenta, a margem para erro reduz-se e a dificuldade de recrutamento pode levar algumas empresas a trabalhar abaixo do nível ideal de especialização. Num setor onde o diagnóstico certo é decisivo para a rentabilidade e para a satisfação do cliente, a falta de técnicos qualificados tem efeito direto na experiência do consumidor.

10. Se nada mudar, como será o setor automóvel em Portugal dentro de 10 anos?

Se há algo que hoje sabemos com segurança é isto: quem fizer previsões a 10 anos sobre o setor automóvel arrisca-se seriamente a falhar. Vivemos num contexto de transformação tecnológica, política e social tão acelerada que, em muitos casos, até projeções para dois ou três anos já comportam um elevado grau de incerteza. Ainda assim, há tendências que são suficientemente claras para merecer reflexão.

Se nada mudar — e esse é precisamente o risco — teremos um setor mais concentrado, mais desigual e com maiores dificuldades de cobertura territorial. Os operadores mais fortes, mais organizados e com maior capacidade de investir em tecnologia, formação e escala continuarão a adaptar-se. Mas muitas pequenas e médias oficinas poderão perder competitividade ou mesmo desaparecer — não por falta de mercado, mas por incapacidade de acompanhar a exigência tecnológica e de captar talento.

Ao mesmo tempo, poderemos continuar a ter um parque automóvel envelhecido, consumidores pressionados pelo custo dos veículos novos e um pós-venda a funcionar sob tensão permanente. Se a escassez de mão de obra qualificada se mantiver, essa pressão tenderá a traduzir-se em aumento de preços, maiores tempos de espera e, em casos mais extremos, risco de rutura operacional em alguns operadores, com impactos diretos na mobilidade.

E isto é particularmente preocupante porque a mobilidade não é um luxo; é uma infraestrutura básica da vida económica e social. Sem técnicos qualificados, não há reparação. Sem reparação, não há mobilidade. E sem mobilidade, não há economia.

Mas há uma dimensão ainda mais profunda: independentemente da forma e do ritmo que esta transformação venha a assumir, o setor entrou num contexto claramente darwiniano. A capacidade de adaptação deixou de ser uma vantagem competitiva — passou a ser uma condição de sobrevivência.

É precisamente neste contexto que o papel das entidades representativas — e em particular da ANECRA — torna-se crítico. A ANECRA tem vindo a assumir essa responsabilidade, colocando no centro da sua atuação temas como a qualificação dos recursos humanos, a valorização das profissões e a modernização do tecido empresarial. Seja através da formação, da proximidade às empresas ou da intervenção institucional junto dos decisores públicos, a Associação tem procurado criar condições para que o setor não apenas acompanhe a mudança, mas seja parte ativa dessa transformação.

Se não atuarmos já — ao nível das pessoas, da formação, da valorização das profissões e da modernização do tecido empresarial — arriscamo-nos a ter, dentro de poucos anos, um setor com tecnologia, com procura e com mercado, mas sem capital humano suficiente para o sustentar.

O setor automóvel tem hoje mercado, tecnologia e procura. O que está em causa é garantir que tem também pessoas. E isso não é apenas um desafio do setor — é um desafio do país.