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Produção suspensa e mercado em alerta: fim dos apoios aos elétricos entra em vigor nos Estados Unidos

Pedro Gonçalves

A decisão, aprovada pelo Congresso e confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump, marca uma viragem na política energética e ambiental do país, com impacto imediato na indústria automóvel.

Os Estados Unidos assinalam hoje o fim de quase duas décadas de incentivos fiscais destinados à compra de veículos elétricos. A decisão, aprovada pelo Congresso e confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump, marca uma viragem na política energética e ambiental do país, com impacto imediato na indústria automóvel.

Criados em 2008 para estimular a transição para mobilidade sustentável, os apoios permitiam deduções fiscais até 7.500 dólares (cerca de 6.300 euros) na compra ou aluguer de veículos novos e até 4.000 dólares (cerca de 3.400 euros) para usados.

A administração de Joe Biden tinha ampliado o programa em 2022, estendendo-o aos contratos de aluguer e eliminando limites por construtor. Mas a nova legislação aprovada este ano pelo Congresso revogou definitivamente esses apoios, bem como as penalizações para fabricantes que não cumpram metas de eficiência no consumo de combustível — conhecidas como Corporate Average Fuel Economy (CAFE).

Segundo analistas, esta dupla medida reduz drasticamente a pressão sobre os construtores para privilegiarem a produção de veículos elétricos, abrindo espaço a uma aposta renovada nos modelos de combustão.

A decisão já levou a General Motors (GM) a ajustar a sua estratégia. No início de setembro, a fabricante anunciou que iria suspender, durante várias semanas, a produção na sua fábrica de Spring Hill, no Tennessee, e rever a capacidade produtiva em Fairfax (Kansas City) e na unidade de CAMI, no Canadá.

“O corte nos incentivos obriga a uma revisão profunda da nossa cadeia de produção”, afirmou a empresa em comunicado.

Com o fim anunciado para 30 de setembro, os consumidores norte-americanos anteciparam a compra de veículos elétricos. Só entre janeiro e março foram vendidas mais de 360 mil unidades, um aumento superior a 10% face ao mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o crescimento está longe dos números registados em anos anteriores. Em 2024, as vendas aumentaram apenas cerca de 10%, depois de um salto de 40% em 2023, segundo dados da Agência Internacional da Energia (AIE).

O analista automóvel Dan Levy, da Barclays, sublinhou em declarações à Reuters que a medida de Trump terá efeitos imediatos: “O fim iminente dos incentivos à compra vai causar um disparar das vendas de carros elétricos nos EUA até ao fim de setembro, com consumidores a anteciparem aquisições planeadas para mais tarde.”

Levy acrescentou que a alteração legislativa vem “reiterar o abrandamento futuro da penetração dos carros elétricos nos EUA, com a ‘cenoura’ (incentivos) e o ‘pau’ (multas aos construtores) aliviados”.