O número de mortes em acidentes nas estradas diminuiu 2.5% em 2019 em toda a União Europeia, comparativamente com 2018. Em 10 anos, os números de fatalidades relacionadas com acidentes de viação têm vindo a reduzir, mas Portugal está ainda no top 10 dos países onde mais se morre em acidentes, revela um relatório da Comissão Europeia.
No ranking geral, em que é contabilizado o número de mortes por milhão de habitantes, Portugal aparece em 6.º lugar com 67 fatalidades, numa tabela onde os piores são Roménia (96 vítimas de acidentes rodoviários por milhão de habitantes), Bulgária (90), Polónia (77) e Croácia (73).
No extremo oposto, os países onde menos se morre são a Suécia (22), Irlanda (29), Malta (32), Países Baixos e Dinamarca (ambos 34), à frente da Alemanha e da Espanha (ambos com 37).
Em 2019, havia um total de 51 vítimas de acidentes rodoviários por milhão de habitantes em toda a UE.
O número total de fatalidades nos países europeus foi de 22 756, das quais 44% eram passageiros de automóveis ligeiros, 20% eram peões, 16% seguiam em motorizadas, 9% em bicicletas e 11% noutras categorias, como veículos leves e pesados de mercadorias, autocarros, ciclomotores e outros veículos.
Em comparação com 2009, o número de mortes na estrada caiu em mais de 10 mil (-31%), de quase 33 mil para menos de 23 mil em 2019.

Número de acidentes reduziu na pandemia, mas já aumentou
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária revelou na semana passada que os acidentes rodoviários em Portugal aumentaram 3,1% em março face ao mesmo mês de 2020 e os feridos graves subiram 26,5%, quebrando o ciclo de descidas dos meses anteriores.
Segundo o relatório, em março ocorreram 1.721 acidentes, enquanto no mesmo mês de 2020 registaram-se 1.670, que provocaram 19 mortos (menos dez que em março do ano passado), 129 feridos graves (mais 27) e 1.956 feridos ligeiros (mais 31).
Em 2020, Portugal entrou em estado de emergência a 19 de março.
A ANSR avança que, no primeiro trimestre do ano, registaram-se 4.396 acidentes no continente, de que resultaram 53 vítimas mortais, 292 feridos graves e 4.938 feridos ligeiros, tendo-se observado “uma melhoria nos principais indicadores de sinistralidade” em comparação com período homólogo de 2020.
A Segurança Rodoviária indica que, nos primeiros três meses do ano, ocorreram menos 2.365 acidentes com vítimas (-35,0%), menos 29 vítimas mortais (-35,4%), menos 116 feridos graves (-28,4%) e menos 3.109 feridos ligeiros (-38,6%) em relação ao primeiro trimestre de 2020.
Segundo o relatório de março, a colisão foi o tipo de acidente mais frequente, apesar de o maior número de vítimas mortais e de feridos graves ter resultado de despistes.
A maioria dos acidentes ocorreu em arruamentos (67,8% do total) nos três primeiros meses do ano, enquanto nas estradas nacionais verificaram-se 15,9% dos desastres.
A ANSR indica igualmente que 66% das vítimas mortais eram condutores, 9,4% eram passageiros e 24,5% peões, sendo os automóveis ligeiros a maioria dos veículos intervenientes em acidentes.
No que respeita à entidade gestora de via, 41,5% do número de vítimas mortais registaram-se na rede rodoviária sob responsabilidade das Infraestruturas de Portugal (28,4% do total), Brisa (7,5%) e município de Alcobaça (5,7%).
Em relação à fiscalização, a ANSR indica que foram fiscalizados, entre janeiro e março, 26 milhões de veículos, quer presencialmente, quer através de meios de fiscalização automática, tendo-se verificado uma diminuição de 18,9% em relação ao mesmo período de 2020.
O relatório justifica esta diminuição com a redução da circulação devido ao confinamento obrigatório.
Segundo o mesmo documento, no âmbito destas ações foram detetadas 257,8 mil infrações, o que representa uma diminuição de 28,4% face a 2020, sendo a maioria por excesso de velocidade (55,5%), embora tenha sofrido uma redução de 33,6%.
Entre janeiro e março, registou-se também uma redução de 62,9% nas transgressões por consumo de álcool acima do limite legal e de 33,6% nas infrações por uso do telemóvel.
Por sua vez, as infrações pela ausência de inspeção periódica obrigatória aumentaram 39,5% nos primeiros três meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, tendo também aumentado as contraordenações pelo não uso do cinto de segurança (7,5%) e cadeirinhas para crianças (7,4%).
A criminalidade rodoviária, medida em número total de detenções, diminuiu 5,3% nos três primeiros meses de 2021 em comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo 5,5 mil condutores.
A ANSR precisa que mais de metade das detenções se deveu à falta de habilitação legal para conduzir, com um aumento de 65,2% comparativamente ao primeiro trimestre de 2020.






