Portugal é o país da Europa do Sul com o pico de procura por TVDE mais antecipado, segundo uma análise da Bolt aos seus mercados europeus. Em território nacional, a procura atinge o máximo às 16 horas, quatro horas antes de Espanha e sete horas antes de França.
O dado coloca Portugal numa das extremidades do mapa europeu da mobilidade e evidencia um dos contrastes mais expressivos dentro da Península Ibérica. Enquanto os utilizadores portugueses concentram o pico de TVDE a meio da tarde, Espanha atinge esse máximo às 20h00 e França apenas às 23h00.
A análise é divulgada no Dia da Europa e mostra que não existe uma única “hora europeia” da mobilidade. Pelo contrário, os padrões variam de forma significativa entre países, refletindo ritmos de trabalho, hábitos urbanos, rotinas familiares e diferentes formas de combinar transporte público, TVDE, trotinetes e bicicletas elétricas.
Meio-dia concentra 34% das viagens de TVDE
De acordo com a Bolt, o padrão português está relacionado com a diversidade de utilizadores que recorrem às plataformas TVDE, incluindo estudantes universitários, trabalhadores e cidadãos mais seniores.
Com muitos horários a terminarem entre as 17h30 e as 18h00, a procura começa a subir de forma acentuada a meio da tarde e depois diminui progressivamente ao longo da noite.
O meio-dia representa 34% de todas as viagens de TVDE em Portugal, enquanto o regresso a casa ao final do dia corresponde a 19%. A atividade noturna fica também nos 19%, um dos valores mais baixos da Europa, apenas comparável ao da Roménia.
Trotinetes e bicicletas elétricas atingem pico às 18h00
A micromobilidade acrescenta uma segunda leitura ao retrato da mobilidade portuguesa. Enquanto a procura por TVDE atinge o pico às 16h00, as trotinetes e bicicletas elétricas da Bolt registam o seu máximo duas horas depois, às 18h00.
Para a empresa, esta diferença mostra que os dois modos de transporte respondem a momentos distintos do mesmo percurso diário.
O TVDE tende a acompanhar o regresso a casa quando os escritórios fecham. Já a micromobilidade prolonga as deslocações ao final da tarde, cobrindo trajetos curtos, recados e deslocações de início de noite.
No caso das trotinetes e bicicletas elétricas, o meio-dia representa 31% das viagens, enquanto o regresso ao fim do dia corresponde a 23% do total.
Micromobilidade repete padrão em quase toda a Europa
Ao contrário dos TVDE, cujos picos variam várias horas entre países, a micromobilidade apresenta um comportamento mais estável.
Em quase todos os mercados europeus onde a Bolt opera trotinetes e bicicletas elétricas, o pico de utilização ocorre entre as 16h00 e as 18h00, independentemente da hora a que a procura por TVDE atinge o seu máximo.
Para a Bolt, esta convergência sugere que a micromobilidade desempenha um papel semelhante em diferentes cidades europeias: deslocações de fim de tarde, trajetos curtos e ligações de primeiro e último quilómetro.
Portugal ilustra esta complementaridade de forma clara: TVDE às 16h00, micromobilidade às 18h00.
“A mobilidade europeia não é uma história, são muitas”
A empresa defende que a combinação entre TVDE, trotinetes, bicicletas elétricas e transporte público permite cobrir diferentes momentos do dia de trabalho dos portugueses de uma forma que nenhum modo conseguiria fazer isoladamente.
Esta complementaridade ganha peso num contexto de crescimento das redes de transporte público. Em 2025, a Carris Metropolitana de Lisboa transportou quase 200 milhões de passageiros, enquanto a CP – Comboios de Portugal ultrapassou os 200 milhões, mais de metade nas linhas metropolitanas de Lisboa.
Para Mário de Morais, diretor-geral da Bolt em Portugal, os dados mostram que qualquer política de mobilidade deve partir da realidade concreta de cada mercado.
“As cidades portuguesas fazem parte de uma tendência europeia mais ampla para uma mobilidade partilhada e sustentável, uma tendência que exige sistemas suficientemente abertos e conectados para acompanhar cada período do dia e cada modo de transporte”, afirma.
O responsável acrescenta que “a mobilidade europeia não é uma história, são muitas, que acontecem a horas diferentes, num continente de nações muito diversas”.
Segundo Mário de Morais, Portugal, com um dos picos mais antecipados do sul da Europa, é uma peça importante deste retrato. “O que estes dados demonstram é que qualquer mudança e evolução estrutural no que toca a políticas europeias de mobilidade tem de partir de dados concretos e não de perceções”, defende.
Dez horas separam os picos de mobilidade na Europa
A análise da Bolt abrange 24 mercados europeus e revela diferenças marcadas entre países.
A Croácia atinge o pico de procura por TVDE às 14h00. Portugal surge às 16h00. Espanha atinge o máximo às 20h00 e França às 23h00. Já a Bélgica e os Países Baixos chegam ao pico apenas à meia-noite.
No total, há uma diferença de dez horas entre os países com o pico mais cedo e os mercados com o pico mais tardio.
Para a Bolt, esta diversidade mostra que os modelos europeus de mobilidade não devem ser desenhados com base em soluções uniformes. A empresa defende que qualquer quadro regulatório deve ter em conta os hábitos reais de deslocação em cada país e a forma como os diferentes modos de transporte se complementam no terreno.






