A Porsche continua a ser a marca de luxo e premium mais valiosa do mundo, mas 2026 trouxe sinais de pressão para a fabricante alemã. Em sentido contrário segue a Alpine: a marca francesa aumentou 33% em valor e ultrapassou, pela primeira vez, a fasquia dos mil milhões de dólares.
São dois dos destaques ligados ao setor automóvel no novo relatório Luxury & Premium 50 2026 da Brand Finance, divulgado esta quarta-feira, que analisa algumas das marcas de luxo e premium mais valiosas do mundo.
A Porsche mantém a liderança pelo nono ano consecutivo, com um valor de marca estimado em 35,2 mil milhões de dólares (cerca de 30 mil milhões de euros), apesar de ter registado uma queda de 15% face ao ano anterior. Segundo a Brand Finance, o desempenho foi condicionado, entre outros fatores, pela menor procura na China, pelas pressões tarifárias nos EUA, pela redução da rentabilidade e pelos custos associados à revisão da estratégia de veículos elétricos.
Ainda assim, nenhum dos restantes nomes do universo de luxo analisados neste ranking conseguiu retirar a liderança à Porsche. A Chanel surge imediatamente atrás, avaliada em 34,3 mil milhões de dólares, enquanto a Louis Vuitton ocupa o terceiro lugar, com 28,8 mil milhões.
Alpine segue na direção contrária
Se a Porsche conserva o primeiro lugar apesar da descida, a evolução da Alpine conta uma história bastante diferente. A marca francesa aumentou 33% em valor em 2026, para 1,1 mil milhões de dólares, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos mil milhões.
A Brand Finance relaciona esta evolução com o aumento da visibilidade da Alpine, a expansão da gama e os investimentos ligados à eletrificação e à Fórmula 1. No ranking específico das 100 marcas automóveis mais valiosas, divulgado anteriormente pela consultora, a Alpine tinha subido 11 posições, chegando ao 71.º lugar mundial.
A trajetória ganha maior relevo num ano difícil para o setor automóvel. Segundo o relatório Automobiles 100 2026 da Brand Finance, o valor agregado das marcas de automóveis caiu 10%, para 498,7 mil milhões de euros, naquela que foi a segunda contração anual consecutiva do setor.
E há outra marca de automóveis para acompanhar: Jaguar
A Brand Finance coloca ainda a Jaguar entre as marcas a observar, numa altura em que o fabricante britânico prepara uma profunda transformação do seu posicionamento, centrada no luxo e na eletrificação.
A consultora aponta especificamente para o futuro Type 01 como um dos elementos dessa reinvenção. A mudança acontece, contudo, num contexto particularmente exigente: noutro estudo publicado este ano, a Brand Finance identificou a Jaguar entre as marcas responsáveis pela forte queda do valor do setor automóvel britânico em 2026.
O automóvel assume, aliás, um peso particular na relação entre luxo e sustentabilidade. De acordo com o Luxury & Premium 50 2026, é precisamente nos automóveis de luxo que a sustentabilidade tem maior impacto na perceção dos consumidores, com um peso de 22%, acima dos 19% registados no champanhe e vinho e muito acima dos 7% dos hotéis e cosméticos de luxo.
No conjunto do mercado, a Brand Finance descreve um setor do luxo cada vez mais dividido: enquanto algumas categorias tradicionais estão sob pressão, segmentos como automóveis, hotelaria, champanhe e vinho têm mostrado maior resiliência, numa altura em que parte dos consumidores está a direcionar mais despesa para experiências.






