O comissário do Mercado Interno Europeu, Thierry Breton, pediu aos fabricantes automóveis que continuem a exportar carros com motores térmicos, apesar da proibição na União Europeia a partir de 2035, para atender à procura em outros continentes. Recorde-se que Bruxelas anunciou, em 2021, a sua meta de reduzir a zero as emissões de CO2 a partir dessa data, o que vai impedir a venda de veículos a gasolina e gasóleo a favor de motores 100% elétricos.
“Mesmo que a Europa proíba a venda de motores de combustão interna, outros países do mundo vão continuar a usá-los”, explicou Thierry Breton, durante uma viagem à Lombardia, no qual se encontrou com representantes da indústria automóvel, incluindo o presidente da Stellantis, John Elkann.
O comissário destacou que a participação no mercado elétrico seria limitada a 12% das vendas de carros novos em África por volta de 2030 e 40% nos Estados Unidos ou Índia. “Encorajo todo o ecossistema automóvel, por um lado, a garantir a transição elétrica para estar pronto para 2035 (na UE), mas também a continuar a exportar veículos térmicos ou híbridos para os países que ainda precisarão deles por muitos anos ou décadas”, referiu, em declarações à agência AFP.
O comissário europeu desejou que os fabricantes “não se esqueçam de que a sua vocação é servir o mercado mundial e cuidar de todo o ecossistema industrial”, acrescentado que pretendia que “os grandes grupos entendessem completamente as suas responsabilidades e que continuassem a fabricar motores térmicos na Europa para o resto do mundo, em vez de mudarem repentinamente por razões que não seriam compreensíveis”.
Os fabricantes europeus têm alertado repetidamente sobre o impacto social da transição verde, temendo que isso leve ao fecho de fábricas e à destruição de empregos. Além do objetivo de ser totalmente elétrico em 2035, a Comissão deve apresentar até julho uma proposta de novos regulamentos rígidos sobre as emissões poluentes dos automóveis, a futura norma Euro 7, que deve ser aplicada a partir de 2025. Para Thierry Breton, esta norma, que estará entre as mais rigorosas do mundo, dará aos fabricantes europeus uma vantagem competitiva. “Esse know-how permitirá que sejam mais competitivos do que os outros no mercado mundial de veículos térmicos ou híbridos com emissões de CO muito baixas.”





