Num mercado automóvel cada vez mais dominado por veículos pesados, tecnologia eletrónica e motores eletrificados, uma pequena fabricante britânica decidiu seguir na direção contrária. A Zenos está de regresso com uma nova geração do E10, um desportivo radical que aposta numa fórmula simples: pouco peso, muita potência, tração traseira e uma caixa manual.
Segundo o ‘Motor1’, a versão definitiva de produção do Zenos E10 2027 já foi apresentada, com alterações profundas ao chassis, aos motores, à aerodinâmica e ao habitáculo. O objetivo continua a ser proporcionar uma experiência de condução tão próxima quanto possível da de um automóvel de competição.
E os números ajudam a perceber a ambição: apenas 790 kg de peso, até 385 cv de potência e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 3,2 segundos.
Dois motores, até 385 cv e uma relação peso/potência impressionante
A nova geração do Zenos E10 estará disponível em duas versões, ambas equipadas com motores turbo a gasolina e caixa manual de seis velocidades.
A versão de entrada, denominada E10 r2, utiliza um motor de quatro cilindros e 2,3 litros, capaz de desenvolver 304 cv às 6.000 rpm e 425 Nm de binário.
Com uma relação peso/potência de aproximadamente 380 cv por tonelada, consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em 3,8 segundos.
Para quem procura prestações ainda mais radicais, existe o E10 rZ.
Neste caso, a motorização passa a ser um bloco turbo de 2,0 litros, com 385 cv e 510 Nm de binário. A relação peso/potência aproxima-se dos 480 cv por tonelada, permitindo cumprir os 0 aos 100 km/h em apenas 3,2 segundos.
A velocidade máxima anunciada para ambas as versões ronda os 241 km/h.
Mas há um pormenor que promete agradar aos puristas: independentemente da motorização escolhida, o Zenos E10 mantém a tração traseira e uma caixa manual de seis velocidades, complementadas por um diferencial autoblocante para melhorar a motricidade à saída das curvas.
O segredo está nos 790 kg
Grande parte das prestações do novo Zenos explica-se pelo peso extremamente reduzido.
A carroçaria é integralmente construída em fibra de carbono, tal como a célula central do habitáculo. Toda a estrutura assenta numa espinha dorsal de alumínio extrudido, concebida para proporcionar elevada rigidez sem acrescentar peso desnecessário.
A marca também reviu profundamente o comportamento dinâmico.
Na dianteira, o E10 utiliza uma suspensão com sistema de pushrod, com amortecedores montados no interior da estrutura, uma solução habitualmente associada a automóveis de competição.
Na traseira, mantém amortecedores convencionais do tipo coil-over, ligados a um subchassis de alumínio que suporta o motor e a caixa de velocidades.
As vias foram alargadas e o centro de gravidade ligeiramente reduzido, alterações que deverão melhorar a estabilidade em curva.
O sistema de travagem também recebeu atenção especial, com discos dianteiros de 315 mm e pinças de quatro pistões. Atrás, são utilizadas pinças de dois pistões.
O resultado pretendido é um automóvel extremamente direto, capaz de transmitir ao condutor aquilo que acontece entre os pneus e o asfalto.
Um habitáculo que parece saído das pistas
O interior também foi atualizado, embora continue longe do conceito tradicional de conforto.
O novo painel de instrumentos inclui um ecrã digital e interruptores impermeáveis inspirados no automobilismo, enquanto os bancos em fibra de carbono, desenvolvidos pela própria marca, são equipamento de série.
Os clientes podem optar por um para-brisas completo, com limpa-vidros, ou por um pequeno defletor aerodinâmico, mais próximo da configuração de um automóvel de circuito.
No exterior, os painéis inferiores da carroçaria foram redesenhados e receberam pequenas aletas junto às rodas, destinadas a melhorar o comportamento aerodinâmico.
Os faróis dianteiros passam a integrar diferentes funções num único conjunto ótico, enquanto novas entradas de ar ajudam a melhorar o arrefecimento dos travões e dos radiadores.
A personalização será outro dos argumentos da Zenos.
Os compradores poderão escolher pinturas em tons pastel ou metalizados, mas também deixar a fibra de carbono à vista, com acabamento brilhante ou mate.
Quanto custa e quando chega?
O novo Zenos E10 está longe de ser uma opção acessível, apesar da filosofia minimalista.
Os preços anunciados começam nos 136 mil euros, com as primeiras entregas previstas para o segundo trimestre de 2027.
É um valor elevado para um automóvel tão despido de luxos, mas a proposta da marca britânica não passa por oferecer mais equipamentos ou tecnologia de conforto.
O objetivo é proporcionar uma experiência de condução que muitos desportivos modernos, cada vez mais pesados e sofisticados, procuram compensar através de sistemas eletrónicos.
Com 790 kg, até 385 cv, caixa manual e tração traseira, o Zenos E10 aposta precisamente no contrário: menos peso, menos filtros entre o condutor e a estrada e uma prioridade quase absoluta ao prazer de conduzir.






