Os automóveis de marcas chinesas estão a despertar interesse entre os consumidores portugueses, mas continuam a existir dúvidas importantes na hora de avançar para a compra. Um novo inquérito do Standvirtual revela que 55% dos participantes admitem considerar um carro chinês e 74% avaliam positivamente a tecnologia destas marcas. A assistência após a venda, a fiabilidade e o valor de revenda são, contudo, os principais motivos de preocupação.
A conclusão resulta de um inquérito realizado pelo Standvirtual junto de 602 participantes, divulgado esta segunda-feira, que procurou avaliar a perceção dos consumidores relativamente às marcas automóveis chinesas presentes no mercado.
Apesar da crescente abertura a estes fabricantes, 37% dos inquiridos apontam a rede de pós-venda e assistência como uma das principais preocupações. Seguem-se as dúvidas quanto à fiabilidade e qualidade dos veículos, referidas por 35%, e o valor de revenda, mencionado por 26%.
A disponibilidade de peças preocupa 21% dos participantes, enquanto 16% referem dúvidas relacionadas com a bateria e a autonomia. A segurança e a reputação das marcas são apontadas por 12%, em ambos os casos.
Apenas 10% afirmam não ter grandes preocupações em considerar a compra de um automóvel chinês.
Tecnologia convence, mas a confiança ainda não acompanha
Apesar destas reservas, a avaliação da tecnologia das marcas chinesas é claramente positiva entre os participantes.
Segundo o Standvirtual, 74% classificam-na como boa ou muito boa, tornando-a no atributo mais valorizado. A relação qualidade/preço também reúne uma maioria de avaliações favoráveis, com 56%.
O cenário muda quando a análise passa para o valor de revenda e para a assistência.
No primeiro caso, 44% classificam a sua confiança como fraca ou muito fraca. Relativamente ao pós-venda, essa proporção é de 35%.
Existe também uma parcela significativa de consumidores que ainda não tem informação suficiente para formar uma opinião: 28% não sabem avaliar o valor de revenda e 32% revelam a mesma dificuldade relativamente à assistência.
Quanto à segurança, 42% apresentam uma avaliação positiva, embora um quarto dos participantes admita não saber como classificar as marcas chinesas neste aspeto.
O que faria os portugueses escolher um carro chinês?
O preço continua a ser um fator decisivo.
Quando questionados sobre o que os levaria a considerar a compra de um automóvel chinês, 43% dos participantes destacam um preço mais competitivo do que o das marcas europeias.
Uma garantia longa e clara surge na segunda posição, com 39%, seguida de uma rede nacional de assistência, referida por 32%.
A disponibilização de informação sobre baterias e autonomia é valorizada por 23%, enquanto 20% gostariam de conhecer as experiências de atuais proprietários.
Ainda assim, 23% afirmam que nada os faria considerar a compra de um veículo destas marcas.
No total, 27% dos inquiridos dizem estar a considerar ativamente a aquisição de um carro chinês. Outros 12% admitem essa possibilidade, mas gostariam de obter mais informação antes de decidir, e 16% apenas avançariam se o preço fosse significativamente mais competitivo.
Somadas, estas respostas representam 55% dos participantes.
Em sentido contrário, 28% indicam que provavelmente não considerariam uma marca chinesa.
Entre os fabricantes apresentados no inquérito, a BYD é a marca mais conhecida, identificada por 90% dos participantes, seguida da XPeng, com 73%, e da MG, com 70%.
“A tecnologia e a relação qualidade/preço são atributos reconhecidos pelos inquiridos, mas a decisão de comprar um veículo de marca chinesa também depende de fatores como a confiança no pós-venda, a realização da manutenção e uma rede nacional de assistência”, explica Pedro Soares, Head of Sales do Standvirtual.
Para o responsável, os resultados demonstram a importância de os fabricantes apresentarem respostas claras sobre assistência, manutenção e garantias, além de uma oferta comercial competitiva.
O inquérito revela, assim, um mercado onde a tecnologia e o preço já despertam interesse, mas onde a confiança na utilização e manutenção a longo prazo continua a ser determinante para transformar essa curiosidade numa decisão de compra.






