O depósito parece durar cada vez menos, as visitas à bomba de combustível tornaram-se mais frequentes e o computador de bordo apresenta consumos superiores aos habituais. Se reconhece este cenário, há uma pergunta que vale a pena fazer: será que o problema está no carro ou na forma como está a ser utilizado?
Nem sempre um aumento do consumo significa uma avaria. Segundo a organização britânica de assistência automóvel RAC e o Departamento de Energia dos EUA, fatores tão simples como a pressão dos pneus, o tipo de percurso ou a manutenção podem fazer uma diferença significativa na quantidade de gasolina ou gasóleo necessária para percorrer os mesmos quilómetros.
A ‘Automonitor’ reuniu sete causas que ajudam a explicar por que razão um automóvel pode começar a gastar mais combustível, mesmo quando aparentemente continua a funcionar sem problemas.
1. Pneus com pressão demasiado baixa
É uma das primeiras verificações que qualquer condutor deve fazer.
Quando os pneus circulam com pressão inferior à recomendada pelo fabricante, aumenta a resistência ao rolamento. Na prática, o motor precisa de gastar mais energia para movimentar o automóvel.
Segundo o Departamento de Energia dos EUA, manter os pneus corretamente calibrados pode melhorar a eficiência do combustível, além de contribuir para a segurança e a durabilidade dos próprios pneus.
A pressão deve ser verificada com os pneus frios, respeitando os valores indicados pelo fabricante, normalmente disponíveis numa etiqueta na porta do condutor ou no manual do veículo.
2. Pequenas viagens que impedem o motor de aquecer
Se começou a utilizar o carro sobretudo para percursos de dois ou três quilómetros, é possível que tenha encontrado uma explicação para o aumento do consumo.
Os motores de combustão são geralmente menos eficientes enquanto não atingem a temperatura normal de funcionamento.
Em viagens muito curtas, o motor pode terminar o percurso antes de alcançar as condições ideais de funcionamento, aumentando o consumo médio.
Nos automóveis a gasóleo, a utilização frequente em percursos curtos pode ainda dificultar a regeneração do filtro de partículas, dependendo do modelo e das condições de circulação.
Sempre que possível, juntar várias deslocações numa única viagem pode ajudar a reduzir o combustível utilizado.
3. Um problema mecânico que ainda não deu sinais evidentes
Nem todas as avarias provocam imediatamente uma luz de aviso no painel de instrumentos.
Sensores responsáveis por monitorizar o funcionamento do motor, como a sonda lambda nos veículos que a utilizam, podem apresentar falhas que afetam a gestão da mistura de combustível.
Também problemas nos injetores, no sistema de ignição ou em outros componentes podem prejudicar a eficiência do motor.
Um aumento súbito e persistente do consumo, sobretudo quando acompanhado por funcionamento irregular, perda de potência ou dificuldade no arranque, justifica uma avaliação numa oficina.
A manutenção preventiva continua a ser uma das formas mais eficazes de evitar que pequenos problemas se transformem em reparações dispendiosas.
4. Travões que continuam a oferecer resistência
Há uma causa menos conhecida que pode aumentar o consumo: um travão que não liberta completamente a roda.
Quando uma pinça de travão fica parcialmente presa, por exemplo, o automóvel precisa de vencer uma resistência adicional para continuar a circular.
Além de aumentar o esforço necessário para movimentar o veículo, esta situação pode provocar aquecimento excessivo, desgaste prematuro e problemas de segurança.
Cheiro a queimado, tendência do carro para desviar a trajetória ou aquecimento anormal de uma roda são sinais que exigem atenção.
Se suspeitar deste problema, deve procurar assistência técnica e evitar continuar a circular até a situação ser avaliada.
5. Bagageira carregada e acessórios no tejadilho
Transportar peso desnecessário também tem consequências.
Uma bagageira permanentemente cheia obriga o automóvel a movimentar uma massa superior, sobretudo nas acelerações e em percursos urbanos.
Mas há outro detalhe frequentemente esquecido: as barras de tejadilho e as caixas de bagagem.
Estes acessórios aumentam a resistência aerodinâmica, particularmente a velocidades mais elevadas.
Segundo a RAC, retirar acessórios exteriores quando não estão a ser utilizados pode contribuir para melhorar a eficiência do veículo.
6. Condução mais agressiva e trânsito intenso
Acelerações bruscas, travagens frequentes e velocidades elevadas são inimigos de um consumo reduzido.
Mesmo sem alterar o percurso habitual, uma mudança nas condições de trânsito pode explicar diferenças importantes.
Um trajeto que antes demorava 20 minutos e agora exige 40, com sucessivas paragens e arranques, tende a consumir mais combustível.
A RAC recomenda uma condução suave, antecipando as situações de trânsito e evitando acelerações desnecessárias.
Nos automóveis modernos, o sistema start-stop também pode ajudar a reduzir o consumo durante as paragens, desde que esteja a funcionar nas condições previstas pelo fabricante.
7. Ar condicionado e mudanças de temperatura
O ar condicionado utiliza energia para funcionar e pode aumentar o consumo de combustível, sobretudo em determinadas condições de utilização.
Mas isso não significa que desligá-lo seja sempre a solução mais eficiente.
Em autoestrada, circular com as janelas abertas pode aumentar a resistência aerodinâmica e contrariar parte da poupança pretendida.
As condições meteorológicas também influenciam o consumo. Com temperaturas mais baixas, o motor pode demorar mais tempo a atingir a temperatura normal de funcionamento, aumentando o gasto de combustível, sobretudo nos percursos curtos.
Por isso, uma alteração do consumo entre estações do ano não significa necessariamente que exista uma avaria.
Como perceber se o carro está realmente a gastar mais?
Antes de marcar uma visita à oficina, vale a pena confirmar se o aumento é real e persistente.
Uma forma simples consiste em registar os litros abastecidos e os quilómetros percorridos entre abastecimentos, comparando vários depósitos em condições semelhantes.
Para calcular o consumo médio, basta dividir os litros utilizados pelos quilómetros percorridos e multiplicar o resultado por 100.
Por exemplo, um automóvel que utiliza 35 litros para percorrer 500 quilómetros apresenta um consumo médio de 7 l/100 km.
Se o mesmo carro passar de 6 para 7 l/100 km, percorrendo 15 mil quilómetros por ano, estará a consumir mais 150 litros de combustível anualmente.
A um preço meramente ilustrativo de 1,8 euros por litro, isso representa mais 270 euros por ano.
Antes de atribuir a diferença a uma avaria, convém verificar a pressão dos pneus, os percursos realizados, as condições de trânsito e a existência de peso ou acessórios desnecessários.
Se o aumento persistir sem explicação, sobretudo quando acompanhado por outros sintomas, uma avaliação mecânica será a opção mais prudente.
Nem sempre é preciso uma grande avaria para o carro começar a gastar mais. Por vezes, são pequenos detalhes acumulados que acabam por fazer a diferença na carteira.
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