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O elétrico mais barato de Portugal é totalmente novo: Dacia Spring faz 250 km e chega por 17.900 euros

Automonitor

Construído sobre uma nova plataforma, mais largo, com 80 cv, bateria LFP e até 250 quilómetros de autonomia, o novo modelo será produzido na Europa

A Dacia revelou esta terça-feira a segunda geração do Spring, que mantém o nome do elétrico lançado em 2021, mas é, segundo a marca, um automóvel completamente novo. Construído sobre uma nova plataforma, mais largo, com 80 cv, bateria LFP e até 250 quilómetros de autonomia, o novo modelo será produzido na Europa e inaugura uma ofensiva que deverá colocar quatro automóveis 100% elétricos na gama da fabricante até 2030.

A renovação é profunda. O novo Spring passa a utilizar a plataforma compacta RG-EV do Grupo Renault, cresce 18 centímetros em largura e recebe novas proporções, um habitáculo redesenhado e tecnologias mais recentes. A produção ficará instalada na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia.

Segundo a Dacia, trata-se do primeiro modelo da marca desenvolvido através dos novos programas do Grupo Renault destinados a encurtar o ciclo entre a conceção e a chegada ao mercado para menos de dois anos, reduzindo simultaneamente os custos de desenvolvimento.

A segunda geração terá a responsabilidade de suceder a um dos modelos que ajudaram a democratizar a mobilidade elétrica na Europa. Desde 2021, foram vendidos mais de 210 mil exemplares do Spring em mais de 40 países.

250 quilómetros e bateria LFP

A grande novidade técnica está na combinação entre um motor elétrico de 60 kW, equivalente a cerca de 80 cv, e uma bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil.

De acordo com os dados divulgados pela Dacia, o novo Spring consegue percorrer até 250 quilómetros no ciclo combinado WLTP. A marca argumenta que esta autonomia foi dimensionada em função da utilização real dos atuais proprietários: os dados de conectividade recolhidos pela fabricante indicam uma utilização média de 34 quilómetros por dia, à velocidade média de 34 km/h.

Em 75% dos casos, acrescenta a Dacia, o carregamento é realizado em casa.

O novo Spring acelera dos zero aos 100 km/h em 12,1 segundos e atinge uma velocidade máxima de 130 km/h, características pensadas sobretudo para uma utilização urbana e quotidiana, embora permitam igualmente circular em autoestrada.

De uma noite na tomada a 28 minutos num carregador rápido

De série, o Spring recebe um carregador de corrente alternada de 6,6 kW. Numa tomada doméstica, passar dos 15% aos 80% da bateria demora nove horas. O mesmo carregamento baixa para cinco horas e 40 minutos através de uma tomada de maior potência e para duas horas e 55 minutos numa wallbox de 7 kW.

Existe ainda um pacote de carregamento rápido que acrescenta carregamento CA a 11 kW e corrente contínua a 50 kW.

Neste último caso, a Dacia anuncia uma passagem dos 15% aos 80% em 28 minutos. Numa wallbox trifásica de 11 kW, a mesma operação demora uma hora e 55 minutos.

Cresceu 18 centímetros e ganhou outra presença

Também visualmente pouco resta do Spring conhecido até agora.

O novo modelo é 18 centímetros mais largo e adota uma aparência consideravelmente mais robusta. A frente e a traseira recebem faixas pretas que unem os grupos óticos, enquanto a assinatura luminosa recupera elementos inspirados no emblema Dacia Link.

A gama será disponibilizada em quatro cores: Agave, Schist Grey, Diamond Black e Glacier White.

No habitáculo, a marca apostou em linhas horizontais para aumentar a sensação de espaço. À frente do condutor encontra-se um painel de instrumentos digital de sete polegadas, enquanto as versões equipadas com o sistema Media Nav Live recebem um ecrã tátil central de 10,1 polegadas.

Este sistema, de série no nível Journey, disponibiliza Apple CarPlay e Android Auto sem fios, oito anos de navegação conectada, informação de trânsito em tempo real e mapas europeus continuamente atualizados.

Entre os serviços conectados encontram-se ainda a programação dos carregamentos, pré-condicionamento do habitáculo e localização remota do automóvel.

Feito para a cidade

É no ambiente urbano que a Dacia continua a colocar grande parte das fichas do Spring.

O elétrico apresenta um raio de viragem de 4,95 metros e todas as versões incluem travão de estacionamento elétrico automático e sensores traseiros. A versão Journey acrescenta câmara de marcha-atrás e cartão mãos-livres.

O banco do condutor passa a permitir regulação longitudinal e em altura, enquanto o volante pode ser ajustado tanto em altura como em profundidade.

Está igualmente disponível a função “My Safety”, que permite ao condutor guardar uma configuração personalizada para determinados sistemas de assistência à condução, evitando alterar individualmente as respetivas definições sempre que inicia uma viagem.

Nas versões Expression, o Media Control permite utilizar o smartphone como extensão do sistema multimédia através da aplicação Dacia Media Control, recorrendo aos comandos instalados no volante e a um suporte dedicado no painel de instrumentos.

Primeiro de quatro elétricos

Mais do que uma simples substituição do atual Spring, o novo modelo abre uma etapa diferente para a Dacia.

No roteiro estratégico apresentado em março, a fabricante anunciou a intenção de lançar quatro automóveis totalmente elétricos até 2030. O Spring é o primeiro dessa nova ofensiva e, simultaneamente, passa a beneficiar de tecnologia partilhada dentro do Grupo Renault através da plataforma RG-EV.

A estratégia mantém, porém, um dos princípios que tornou o modelo original particularmente relevante: tentar colocar a mobilidade elétrica numa faixa de mercado mais acessível.

A Dacia ainda não revelou, neste comunicado, os preços nem a data concreta de chegada do novo Spring ao mercado português. Serão precisamente esses dois elementos que permitirão perceber até que ponto a segunda geração conseguirá repetir a fórmula que levou mais de 210 mil unidades do primeiro Spring às estradas desde 2021.