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Parece um teto panorâmico, mas produz eletricidade: nova tecnologia chinesa está pronta para chegar aos carros

Automonitor

Fuyao afirma ter capacidade para produzir esta tecnologia em escala industrial. Parece o primeiro passo para deixar de ligar um automóvel elétrico à tomada?

Olhe para o teto panorâmico de um automóvel e imagine que, enquanto deixa entrar a luz, está também a produzir eletricidade.

É precisamente isso que a chinesa Fuyao Glass está a preparar. Um dos maiores fabricantes mundiais de vidro para automóveis desenvolveu um teto transparente com células fotovoltaicas integradas, capaz de transformar a luz solar em energia sem abdicar completamente da transparência de um teto panorâmico convencional.

E já não se trata apenas de um protótipo. A Fuyao afirma ter capacidade para produzir esta tecnologia em escala industrial. Parece o primeiro passo para deixar de ligar um automóvel elétrico à tomada?

Não exatamente.

Um teto que também é um painel solar

A tecnologia incorpora células fotovoltaicas no interior do vidro laminado utilizado no teto do automóvel.

De acordo com a Fuyao, o sistema consegue gerar até cerca de 150 watts por metro quadrado exposto ao sol.

A diferença relativamente a um painel solar convencional está na transparência.

Um teto panorâmico tem de continuar a permitir a entrada de luz e a visibilidade para o exterior. Por isso, parte da radiação atravessa o vidro em vez de ser convertida em eletricidade.

O resultado é uma eficiência inferior à que seria possível obter colocando simplesmente painéis fotovoltaicos opacos sobre o automóvel.

Mas essa comparação também não conta toda a história.

A vantagem da solução da Fuyao é conseguir acrescentar uma função energética a uma superfície que muitos automóveis já possuem.

Então pode carregar um elétrico enquanto está estacionado?

Pode gerar energia. Mas não espere chegar ao carro ao fim de uma tarde ao sol e encontrar centenas de quilómetros adicionais de autonomia.

A área disponível no teto de um automóvel é demasiado pequena e a potência produzida demasiado baixa para alimentar diretamente um veículo convencional nas condições normais de utilização.

É esta a principal limitação de praticamente todos os projetos que tentam levar a energia solar aos automóveis.

Um elétrico pode exigir dezenas ou centenas de quilowatts para acelerar e deslocar-se, enquanto um teto desta dimensão trabalha numa escala de centenas de watts.

Ou seja, o Sol ajuda. Não substitui a tomada.

Então para que serve?

É precisamente aqui que a tecnologia começa a tornar-se mais interessante.

A Fuyao aponta para a utilização da eletricidade gerada pelo teto em sistemas auxiliares do veículo, como ventilação, conectividade, câmaras de bordo ou outros equipamentos elétricos de baixo consumo.

Num automóvel elétrico, todos esses equipamentos retiram normalmente energia da bateria principal.

Se parte desse consumo puder ser assegurada pelo tejadilho, a energia armazenada na bateria fica disponível para aquilo que realmente interessa: mover o automóvel.

O ganho individual poderá ser pequeno, mas torna-se particularmente interessante quando o veículo passa várias horas estacionado ao sol.

A própria Fuyao já explicou anteriormente que o sistema pode continuar a produzir eletricidade com o automóvel desligado, permitindo, por exemplo, alimentar a ventilação do habitáculo.

A Hyundai já tentou algo semelhante

A ideia de utilizar o teto de um carro para produzir energia não é propriamente nova.

Em 2019, a Hyundai colocou no Sonata Hybrid um teto solar fotovoltaico. A marca calculava que, com aproximadamente seis horas diárias de exposição solar, a energia produzida poderia representar até cerca de 1.300 quilómetros adicionais ao longo de um ano.

Importa sublinhar o “ao longo de um ano”.

Os 1.300 quilómetros não correspondiam à autonomia conseguida durante algumas horas ao sol, mas à soma da eletricidade produzida diariamente durante meses.

O sistema destinava-se essencialmente a melhorar a eficiência do automóvel e reduzir o consumo de combustível, não a transformar o Sonata num carro capaz de circular exclusivamente com energia solar.

A Fuyao está agora a tentar tornar essa ideia mais fácil de integrar nos modernos tetos panorâmicos.

E a BYD?

É precisamente aqui que começam os rumores.

Vários meios chineses têm associado o novo vidro solar da Fuyao à BYD, sugerindo que poderá surgir como opção em modelos como o Han e o Tang. As mesmas informações apontam para uma potência máxima de 720 W, eficiência de 23,18% e um preço de aproximadamente 8.000 yuans. Mas nenhum desses dados foi confirmado oficialmente.

Nem a Fuyao nem a BYD anunciaram uma parceria para estes modelos, especificações técnicas ou preços. A própria Fuyao recusou identificar clientes quando questionada, alegando confidencialidade comercial.

Por isso, os 720 W e a eventual estreia num BYD devem, nesta fase, ser tratados apenas como informações não confirmadas.

O objetivo não é acabar com os carregadores

Mesmo que as versões finais consigam produzir várias centenas de watts em condições ideais, fatores tão simples como nuvens, sombra, estacionamento numa garagem, orientação do automóvel ou posição do Sol reduzem imediatamente a produção real.

A tecnologia não resolve, portanto, o grande sonho do “carro solar” que nunca precisa de ser ligado à rede. Mas talvez nem precise de o fazer para ser útil.

Se o teto panorâmico já existe, transformar essa superfície num pequeno gerador capaz de alimentar equipamentos, ventilar o habitáculo e retirar algum consumo à bateria principal pode representar uma melhoria de eficiência sem alterar profundamente a arquitetura do automóvel.

E é isso que torna o desenvolvimento da Fuyao mais relevante do que a promessa de um automóvel movido apenas pelo Sol: o vidro solar parece estar a sair da fase experimental e a aproximar-se de uma aplicação industrial real.