Apesar de alguma negação e muita expectativa nos setores da energia e automóvel, há cada vez mais especialistas que defendem que está a acontecer uma transição histórica que vai retirar valor ao petróleo. Um artigo recente da OilPrice.com refere que as fábricas transformadoras de carvão estão a ser paradas a um ritmo acelerado e que o sector dos veículos elétricos já vale mais para o mercado acionista do que a indústria automóvel tradicional.
Um outro artigo da EVANNEX, publicado no InsideEVs, refere um estudo recente do Morgan Stanley que diz que as empresas que estiverem a vender automóveis a combustão interna em 2030 vão estar a perder dinheiro. Dado que as valorizações do mercado acionista representam quase sempre uma previsão do futuro, há um número crescente de analistas a acreditar que a Bolsa de Nova Iorque já está a valorizar em valores perto de zero os ativos relacionados com o petróleo. Adam Jonas, analista do Morgan Stanley e seguidor da Tesla, é referido neste artigo por afirmar que o mercado está a atribuir valores de cerca de zero, ou mesmo negativos, às receitas derivadas de veículos a combustão interna da Ford e da General Motors (GM). Além disso, um inquérito do Morgan Stanley a investidores institucionais indica que 17% dos inquiridos acham que a tecnologia de automóveis a combustão interna vale hoje zero ou menos; e 60% referem que o valor deste tipo de tecnologia é apenas ligeiramente positivo.
É claro que nada disto significa que os fabricantes de automóveis estejam condenados, visto que ainda há tempo para mudar de foco para os veículos elétricos, como muitos players da indústria já estão a fazer. A GM, por exemplo, disse recentemente que “aspira” a descontinuar alguns dos seus modelos a combustão, um anúncio discreto face a outras marcas, mas que já dá um sinal importante ao setor nos EUA, onde a eletrificação ainda está a dar os primeiros passos. Não será por acaso que o anúncio da Ford sobre a conversão de todo o seu portfólio em veículos elétricos em 2030 veio da filial europeia, e não da sede americana.
Outras marcas como a Kia ou mesmo a Jaguar têm tomado posições mais radicais sobre a eletrificação, admitindo descontinuar todos os seus carros a combustão nos próximos anos.






