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Mercedes testa bateria que promete carregar dos 5 aos 80% em pouco mais de 6 minutos

Francisco Laranjeira

Fabricante alemã assinou um novo acordo com a ProLogium que lhe garante acesso prioritário para testar as mais recentes células Gen4 desenvolvidas pela empresa de Taiwan

Carregar um automóvel elétrico quase no tempo de uma paragem rápida poderá deixar de ser apenas uma promessa distante. A Mercedes-Benz garantiu acesso prioritário à nova geração de baterias da ProLogium, cujas células Gen4 prometem passar dos 5% aos 80% de carga em apenas 6,4 minutos. Antes de chegarem à estrada, porém, terão de provar que conseguem cumprir esses números fora do laboratório.

A Mercedes-Benz deu mais um passo na corrida às baterias de nova geração. A fabricante alemã assinou um novo acordo com a ProLogium que lhe garante acesso prioritário para testar as mais recentes células Gen4 desenvolvidas pela empresa de Taiwan.

A parceria entre as duas empresas aproxima-se já dos dez anos, mas entra agora numa fase particularmente importante: perceber se esta tecnologia está suficientemente madura para poder, no futuro, ser integrada em automóveis elétricos de produção.

E os números anunciados ajudam a perceber o interesse da Mercedes.

Dos 5% aos 80% em 6,4 minutos

A ProLogium apresenta a Gen4 como uma bateria de lítio-cerâmica de nova geração, baseada num eletrólito inorgânico “superfluidizado” e num separador cerâmico.

Segundo os dados divulgados pela empresa, as células conseguem passar dos 5% aos 80% de carga em apenas 6,4 minutos e suportar mais de 1.000 ciclos de carregamento rápido dentro dessa mesma janela.

A densidade energética anunciada também é elevada: entre aproximadamente 360 e 400 Wh/kg em termos gravimétricos e entre 860 e 940 Wh/l em termos volumétricos.

Na prática, uma maior densidade energética permite armazenar mais energia com menos peso e volume, uma das grandes vantagens procuradas pela indústria para aumentar a autonomia dos automóveis elétricos sem recorrer a baterias cada vez maiores e mais pesadas.

A empresa destaca ainda o comportamento a baixas temperaturas e a segurança proporcionada pelo eletrólito não inflamável e pelo separador cerâmico.

Há, contudo, uma diferença importante entre os resultados obtidos ao nível da célula e aquilo que pode ser alcançado num automóvel produzido em grande escala. É precisamente isso que a Mercedes pretende agora avaliar.

Mercedes vai pôr a tecnologia à prova

As novas células serão submetidas a testes elétricos, térmicos e de segurança, tanto nas instalações da Mercedes-Benz como em laboratórios externos especializados.

O objetivo é perceber se a tecnologia consegue cumprir os requisitos necessários para uma futura aplicação em veículos de produção. O acordo não significa, por isso, que exista já um modelo Mercedes confirmado para receber estas baterias.

A relação entre as duas empresas começou em 2016 e foi reforçada em 2022, quando a Mercedes investiu na ProLogium e aprofundou a colaboração técnica.

A empresa de Taiwan dispõe atualmente da fábrica Taoke, em Taoyuan, e está a construir uma nova gigafábrica em Dunquerque, França. A primeira fase deverá atingir progressivamente uma capacidade anual de 4 GWh até 2030, enquanto o projeto completo prevê uma capacidade máxima de 44 GWh.

Não é a única bateria de estado sólido que a Mercedes está a testar

A Mercedes está, aliás, a trabalhar em mais do que uma frente nesta tecnologia.

A marca mantém também uma colaboração com a Factorial Energy e já colocou na estrada um EQS experimental equipado com uma bateria de estado sólido de lítio metálico.

Em 2025, esse automóvel percorreu 1.205 quilómetros entre Estugarda, na Alemanha, e Malmö, na Suécia, sem qualquer paragem para carregar. No final da viagem, o computador de bordo indicava ainda 137 quilómetros de autonomia.

São tecnologias diferentes e projetos distintos, mas mostram a importância que a Mercedes está a atribuir às baterias de estado sólido e de nova geração.

Para já, os 6,4 minutos anunciados pela ProLogium continuam a ser um resultado ao nível das células e não o tempo de carregamento confirmado de um futuro Mercedes. É precisamente essa distância entre os números de laboratório e um automóvel produzido em série que os novos testes terão agora de ajudar a reduzir.

Mercedes na Automonitor

A ofensiva elétrica da Mercedes tem passado por várias novidades acompanhadas pela Automonitor. A marca eletrificou recentemente o GLC, o seu modelo mais vendido, que já conquistou um prémio internacional; levou a experiência Maybach até ao aeroporto, com um serviço pensado para prolongar a viagem de primeira classe em terra; e já iniciou a produção do novo GLA, um dos SUV mais importantes da sua gama.