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Mais controlo, mais multas… e mais euros: Estado arrecada quase 87 milhões em 2025

Revista de Imprensa

As receitas cobradas passaram de 70,6 milhões de euros, em 2024, para 86,9 milhões de euros no ano passado. Ainda assim, o valor ficou aquém dos 99,2 milhões de euros previstos no OE para 2025

O Estado arrecadou 86,9 milhões de euros em multas do Código da Estrada em 2025, um aumento de 22,8% face ao ano anterior, revelou esta terça-feira o ‘Jornal de Notícias‘ com base na síntese da execução orçamental. O crescimento das receitas está diretamente ligado ao reforço da fiscalização rodoviária e à entrada em funcionamento de novos radares, refletindo o investimento em sistemas automáticos de controlo de velocidade.

As receitas cobradas passaram de 70,6 milhões de euros, em 2024, para 86,9 milhões de euros no ano passado. Ainda assim, o valor ficou aquém dos 99,2 milhões de euros previstos no Orçamento do Estado para 2025.

O reforço da fiscalização foi determinante para esta evolução. A atividade inspetiva aumentou 26,5% face a 2024, com destaque para a Guarda Nacional Republicana, cuja atuação através do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO) disparou 193,5%. Também a Polícia de Segurança Pública registou uma subida de 9,7% na fiscalização, enquanto a Polícia Municipal de Lisboa praticamente duplicou a sua atividade, com um crescimento de 99%.

Dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), constantes do relatório de sinistralidade divulgado a 31 de dezembro e relativo aos primeiros nove meses de 2025, mostram que foram fiscalizados cerca de 239,5 milhões de veículos em todo o país, quer presencialmente quer por meios automáticos — uma subida de 26,5% face ao período homólogo.

O aumento da fiscalização traduziu-se também num crescimento do número de infrações. Entre janeiro e setembro de 2025 foram registadas 1,1 milhões de infrações, mais 14,1% do que no mesmo período do ano anterior. No entanto, a taxa de infração — que relaciona o número de infrações com o total de veículos fiscalizados — desceu para 0,38%, abaixo dos 0,43% registados em 2024, sugerindo um possível efeito dissuasor da maior presença policial e da generalização dos radares.

No plano político, o Ministério da Administração Interna, agora liderado por Luís Neves após a demissão de Maria Lúcia Amaral, tem reforçado o discurso centrado na segurança rodoviária e na redução da sinistralidade.

O Executivo aponta agora a metas ainda mais ambiciosas. De acordo com a proposta do Orçamento do Estado, o Governo prevê arrecadar 113,5 milhões de euros em multas e coimas de trânsito já este ano, sustentando a estimativa no reforço continuado da fiscalização, na consolidação dos novos radares e na melhoria da tramitação dos processos contraordenacionais.

Entre os objetivos está a redução das prescrições em 5%, através do encurtamento do intervalo entre a infração e a notificação do condutor, sobretudo nos processos associados aos radares SINCRO. A aceleração da digitalização da ANSR é vista como essencial para aumentar a eficácia e a cobrança.

Esta estratégia enquadra-se ainda na futura implementação da Estratégia Visão Zero 2030, atualmente em desenvolvimento, que pretende reduzir o número de mortos e feridos graves nas estradas portuguesas, articulando fiscalização, prevenção e modernização administrativa.