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JMJ: Carlos Moedas anuncia corte de 30% no custo do palco-altar. Igreja vai pagar 400 mil euros para espaço no Parque Eduardo VII

Carlos Moedas
Pedro Gonçalves

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, enumerou o caderno de encargos do evento e defendeu que a autarquia só vai fazer um “investimento líquido” de 10 milhões de euros.

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), anunciou esta sexta-feira o plano de redução que prevê uma redução de custos nas infraestruturas a serem construídas para a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, nomeadamente do polémico palco-altar, orçamentado em mais de 5,5 milhões de euros.

“Trabalhámos tão arduamente nos últimos dias, com o único propósito de concretizar com dignidade o maior evento de sempre em Lisboa. Lisboa será o centro do mundo durante uma semana e a JMJ será o maior evento de sempre nesta cidade, nunca recebemos 1,5 milhões de pessoas. Com um evento de paz e tolerância, num momento tão difícil, os olhos do mundo estarão na nossa cidade. E os portugueses querem mostrar orgulho, e mostrar a capacidade de bem receber, é isso que nos move. Comprometi-me a apresentar uma solução. Os lisboetas sabem que aquando prometo, faço”, começou por dizer o autarca, agradecendo às várias partes envolvidas no acordo agora anunciado, como a Câmara de Loures, ou Fundação Jornada Mundial da Juventude, liderada pelo cardeal D. Américo Aguiar.

Apresentando o caderno de encargos revisto, Moedas garantiu “uma redução substancial [dos custos], mantendo sempre a dignidade e a segurança que necessita e merece este evento”.

No que respeita ao Parque Tejo, haverá “uma redução substancial da altura palco”, dos 9 para os 4 metros. Assim haverá também uma redução do número de pessoas no palco, de 2 mil para 1240, e uma redução da área de implementação do palco-altar, de 5 mil metros quadrados para 3250.

“Em termos de custo, os 4,2 milhões de euros passam para 2,9 milhões. é uma redução de 30%”, anunciou Moedas, que explicou que a redução “terá impacto na visibilidade” da plateia para o palco, com 30 mil pessoas que terão visibilidade reduzida.

JMJ: Carlos Moedas anuncia corte de 30% no custo do palco-altar. Igreja vai pagar 400 mil euros para espaço no Parque Eduardo VII

Para o Parque Eduardo VII, que Moedas considerou “muito importante, por estar no meio da cidade e dar a imagem de Lisboa para o mundo”, será a Fundação JMJ, ou seja a Igreja, a assumir os custos.

“Apresentamos aqui uma solução de uma estrutura muito leve, que poderá ascender a um máximo de 400 mil euros”.

Assim, no total, o acordo estabelece “uma redução de custos para o erário público de 1,7 milhões de euros”.

“Um evento desta dimensão tem custos e todos os portugueses e eu estamos conscientes que temos estes custos. Estou aqui para os assumir, porque são justificados, e trarão retorno para a cidade, muito para além do financeiro. Será um retorno extraordinário para a cidade, ao sermos o centro do mundo, da paz e da tolerância naqueles dias”, apontou Carlos Moedas.

Carlos Moedas apresentou os número do orçamento do total de investimento da Câmara de Lisboa e garantiu um máximo de “até 35 milhões de euros”, dizendo que ainda não tinha revelado que muito deste valor ficará para a cidade. “Até 25 milhões de euros ficarão para a cidade. Estamos a falar de um investimento líquido de 10 milhões de euros”, defendeu, exemplificando com todo o caderno de encargos e dando exemplos de estruturas, reabilitações e atualizações que continuarão a ser utilizadas e a garantir valências para a capital.

Moedas enumerou todos os gastos e revelou que para em estudos e projetos serão gastos 1,6 milhões de euros, 7,1 milhões serão gastos na reabilitação do Parque Tejo, 1,6 milhões em ensaios e fundações no terreno, 3,3 milhões de euros em infraestruturas e equipamentos e 4,2 milhões de euros na ponte pedonal.

“O investimento no Parque Tejo é de 20 milhões de euros, é este número que precisamos para ter um evento digno”, apontou.

Outros gastos serão instalações sanitárias (400 mil euros), ecrãs, som e estruturas (1,8 milhões de euros), infraestrutura e equipamento (300 mil euros), luz e som (260 mil euros), produção e vigilância de equipamentos (250 mil euros).

Nos outros espaços onde decorrerão atividades do evento, como o Terreiro do Paço, a Alameda ou a Bela Vista, haverão investimentos de 700 mil euros (nos dois primeiros casos) e 600 mil euros (no último).

Moedas referiu um investimento de 6,6 milhões de euros em estruturas dos bombeiros, proteção civil e outras autoridades, e que também ficarão para a cidade.

“O investimento total chega aos 35 milhões de euros e eu penso que é um excelente investimento”, terminou.

Já D. Américo Aguiar, presidente da Fundação Jornada Mundial da Juventude, agradeceu o escrutínio feito pela comunicação social e pelos portugueses relativamente ao tema e pediu ajuda “para que possamos corresponder”.

“É um acontecimento unido. Nenhum de nos alguma vez preparou uma coisa destas e estamos a aprender. Estamos a navegar, e ao mesmo tempo a fazer o mapa, porque não tempos, e nem o GPS ajuda”, referiu.

O responsável sustentou a divulgação dos custos e encargos, mas defendeu que “há questões de segurança que não se devem mostrar ou revelar”.

“Se estamos a mostrar tudo podemos estar a dar más ideias s quem quiser fazer mal, há muitas áreas logísticas em que vamos partilhar, mas não podemos mostrar publicamente”, argumentou.

O responsável da organização da JMJ diz que o acordo agora anunciado é “para corrigir o possível”, referindo uma “gratidão total” a todas as partes envolvidas no processo.

Américo Aguiar referiu que os últimos 15 dias, devido à polémica e às reuniões sobre o tema do palco-altar, “foram infernais”. “Diariamente falámos dessa voragem de querem ajudar-nos, mas não temos capacidade para tanta ajuda ao mesmo tempo”, referiu.

Américo Aguiar referiu que “quase 500 mil pessoas de quase todos os países do mundo já manifestaram intenção de inscrição” e terminou pedindo aos portugueses que puderem para “que rezem para que tudo corra bem” na JMJ, que decorre em Lisboa entre 1 e 6 de agosto.