A Hyundai quer reduzir drasticamente os tempos de carregamento dos seus veículos elétricos e aproximá-los da experiência de abastecimento de um carro a combustão, apostando em potências muito superiores às atuais. Segundo o site especializado ‘Motor1’, os modelos da marca já estão entre os mais rápidos do mercado no carregamento rápido DC, mas o construtor acredita que ainda há um longo caminho a percorrer.
Atualmente, modelos como o Hyundai Ioniq 5 utilizam uma arquitetura elétrica de 800 volts que permite passar de 10% a 80% em menos de 20 minutos, desde que ligados a um carregador suficientemente potente. Este desempenho, geralmente encontrado apenas em veículos elétricos mais caros, continua a não satisfazer a estratégia futura do fabricante.
O ‘Motor1’ sublinha que os modelos da Hyundai atingem hoje cerca de 225 kW de potência máxima de carregamento, numa altura em que começam a surgir propostas de 400 kW e em que concorrentes chineses já testam valores muito superiores.
Europa assume papel central na nova estratégia da Hyundai
Tyrone Johnson, responsável pelo novo centro de desenvolvimento europeu da Hyundai, afirmou à revista britânica ‘Auto Express’ que tornar o carregamento radicalmente mais rápido será essencial para acelerar a migração dos consumidores para a mobilidade elétrica. O dirigente destacou que muitos condutores continuam a comparar o processo com o abastecimento tradicional, que demora apenas alguns minutos.
De acordo com Johnson, a expectativa do cliente é decisiva: mesmo que 20 minutos seja um tempo competitivo, a ideia de esperar continua a gerar resistência entre quem utiliza diariamente motores de combustão interna.
Concorrência avança e pressiona melhorias tecnológicas
Com um carregador rápido de 350 kW, o Ioniq 5 consegue, em média, carregar de 10% a 80% em cerca de 20 minutos, embora existam situações em que o tempo é ainda menor. A maioria dos veículos elétricos atuais demora entre 20 e 30 minutos, mas a evolução tecnológica está a acelerar.
O novo Porsche Cayenne Electric, por exemplo, atinge 400 kW de potência máxima de carregamento e pode realizar o mesmo processo em cerca de 16 minutos, embora sem detalhes sobre o tipo de carregador utilizado. Apesar de ser um modelo muito mais caro do que os Hyundai, a marca coreana considera essencial acompanhar a evolução para manter competitividade global.
Testes de 400 kW e aposta em maior autonomia sem aumentar peso
A ‘Auto Express’ revelou que a Hyundai está a testar carregamentos de 400 kW nos seus laboratórios europeus. Paralelamente, a marca procura aumentar a autonomia dos seus veículos sem recorrer a baterias de maior capacidade, uma estratégia que evitaria mais peso e tempos de carregamento mais longos.
Ainda assim, o objetivo de aproximar o carregamento elétrico dos três minutos associados ao abastecimento convencional continua distante. Na China, a BYD já consegue carregar 10% a 80% em cinco minutos, mas apenas com uma infraestrutura especializada de 1.000 kW e veículos preparados para receber essa potência. O Zeekr 001 atualizado ultrapassa 1,3 megawatts e alcança o mesmo intervalo de carga em menos de sete minutos.
Apesar dos desafios, o setor avança rapidamente. O panorama atual dos veículos elétricos representa apenas a fase inicial de um progresso tecnológico que deverá transformar completamente a experiência de carregamento na próxima década, aproximando cada vez mais a mobilidade elétrica da conveniência dos motores de combustão.






