A forte subida do preço do gasóleo obrigou o Governo espanhol a rever os planos para a retirada gradual dos apoios aos combustíveis. A redução do Imposto sobre os Hidrocarbonetos aplicada ao gasóleo vai aumentar de cinco para 20 cêntimos por litro em setembro, depois de os preços terem ultrapassado o limite que aciona automaticamente a cláusula de salvaguarda criada para responder à crise energética.
Segundo noticia o ‘El Mundo’, os dados do Índice de Preços no Consumidor divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística espanhol mostram que o gasóleo ficou 15,7% mais caro em julho do que no mesmo mês do ano passado.
O valor supera o limite de 15% estabelecido pelo decreto anticrise e obriga o Executivo a reforçar novamente o apoio, precisamente numa altura em que começava a reduzi-lo.
Na prática, o desconto fiscal previsto para setembro será quadruplicado, passando dos cinco cêntimos inicialmente planeados para 20 cêntimos por litro.
Gasolina fica de fora
A gasolina não terá o mesmo tratamento. Os preços aumentaram 7,3% em termos homólogos em julho, abaixo do limite que acionaria a cláusula de salvaguarda.
Mantém-se, por isso, o calendário de retirada gradual dos apoios, com a redução fiscal sobre a gasolina a baixar para cinco cêntimos por litro em setembro.
“O mecanismo atua, assim, de forma proporcional, reforçando a proteção apenas onde a pressão sobre os preços o justifique”, explicou o Ministério da Economia espanhol.
A decisão surge num momento em que a inflação voltou a acelerar em Espanha, atingindo 3,6% em julho, o valor mais elevado dos últimos dois anos. Os transportes foram o principal fator de pressão, com os preços a aumentarem 6,2% em termos homólogos.
Petróleo volta a aproximar-se dos 90 dólares
A nova escalada dos combustíveis coincide com o agravamento das tensões nos mercados energéticos devido ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão e à incerteza em torno de importantes rotas de transporte de petróleo e gás.
O Brent, referência para a Europa, voltou a aproximar-se dos 90 dólares por barril, enquanto as perturbações no abastecimento e os ataques contra infraestruturas energéticas continuam a pressionar as cotações, refere o ‘El Mundo’.
A eletricidade também continua a pesar nas despesas das famílias espanholas, com os preços a aumentarem 8,4% face ao mesmo período do ano passado.
O Governo espanhol defende que o Plano de Resposta evitou uma subida ainda mais acentuada da inflação. A evolução do gasóleo está, contudo, a testar a estratégia de retirada dos apoios: enquanto a gasolina continua a seguir o calendário previsto, o gasóleo obrigou o Executivo a voltar a reforçar a proteção fiscal.






