Texto de Jorge Farromba
Tenho 54 anos e assisto nos dias de hoje a uma revolução no setor automóvel que me faz cair numa nostalgia.
Cresci num Datsun 1200 a gasolina com chumbo e achava sempre ótimo quando via que o escape ficava branco porque estava “limpo”. Os carros a gasóleo eram de trabalho ou para mercadorias, bem como as carrinhas. Só mais tarde viria a saber que afinal o chumbo na gasolina não era coisa boa….
Mas depois as carrinhas (ou stations) começaram a ser moda e os veículos a gasóleo surgiram por necessidade, pois o preço do litro de combustível era menor que o da gasolina e o consumo também. Democratizaram-se as carrinhas e ganharam o estatuto de elitistas. E o fumo que delas emanavam rapidamente se foi atenuando.
Quando pensei que tudo já estava definido, vieram os senhores da Renault criar um monovolume – com a Espace – tão inovador que virou moda. Afinal o setor automóvel ainda sabia reinventar-se!
Já nem falo aqui de desenvolvimentos fantásticos na área da segurança ativa e passiva que daria para dezenas de artigos. Os ralis e a F1 que acompanhava com devoção – grandes madrugadas a ver a F1 – trouxeram o efeito de solo, o turbo, a tração às quatro rodas pela Audi.
Já com tudo inventado e, por certo esquecendo-me de algo, surgiu a Nissan que reinterpretou o conceito de “jeep” e criou o SUV num segmento povoado pelo Megane, Golf, etc. A indústria não pára.
De repente, agora vêm dizer-nos para esquecer o diesel e voltar à gasolina (não me esqueci dos filtros de partículas) por causa das emissões. E, no meio disto tudo o futuro passou a ser elétrico!
Contudo, existem marcas como a Toyota que há anos começaram a pensar o automóvel como um hibrido – gasolina + baterias. E, com tanto investimento e inovação, o sistema está hoje a anos-luz dos primeiros híbridos da marca que conduzi.
Afinal, toda esta introdução serviu para chegar ao Toyota Corolla – agora com um meio irmão na Suzuki (SWACE) fruto da parceria entre ambos. Mas onde se distingue o Corolla? Deve ser mesmo Natal, pois vou voltar ao meu passado e às minhas memórias.
Recordo-me do Corolla como uma viatura focada num segmento de mercado tradicionalista, do condutor que procura um veículo duradouro e robusto, sem grandes inovações estilísticas e que, algures na minha infância, era alvo de quotas para poderem ser vendidos na Europa.

Hoje o Corolla – com a retirada do Auris – tenta cativar vários públicos – com uma estética singular e jovem, para o condutor mais jovem e irreverente até ao mais tradicional e, porventura com mais idade. E consegue-o pois a frente brinda-nos com um sorriso nas suas óticas muito esculpidas e elegantes, com um para-choques robusto que pretende transmitir essa mesma ideia, além de uma desportividade necessária. Na traseira a marca volta a arrojar e a configurar uma traseira elegante que não seja um mero portão de acesso à bagageira, com formas e assinatura luminosa a contribuir para esse desiderato.

O interior possui um tablier de uma única peça, com algumas formas estilizadas e um ecrã central ao meio que se destaca da peça única, solução que, pessoalmente, prefiro ver integrada no tablier. O painel de instrumentos totalmente digital e de fácil leitura é complementado com os comandos no volante que lhe permitem alterar algumas configurações, bem como um botão na consola central que permite circular em modo eco, normal e sport (mudam as cores no painel de instrumentos e, obviamente, depois em condução a dinâmica é diferente). Os bancos são confortáveis, o apoio de braços ajuda bastante e, no computo geral percebe-se que a marca investiu bastante em ergonomia e usabilidade.

A maioria dos plásticos superiores do tablier são em material mole. Os bancos são em tecido e, mais uma vez, remetem para a minha infância – deu para perceber que andei várias vezes num Corolla?
E, em estrada como se comporta?
A motorização que o equipa é o 1.8 Hybrid com 122cv de potência combinada com jantes de 17” (ficam pequenas face ao conjunto), claramente suficiente e capaz para lidar com o peso da carroçaria e para serpentear pela cidade ou em estrada. Em termos de comportamento, mesmo com chuva, foi de bom nível e o conforto manteve-se elevado. Uma das situações que melhorou drasticamente face ao primeiro híbrido da Toyota que conduzi, creio em 2007 , foi o ruído em aceleração proveniente da caixa de velocidades CVT que parecia ir sempre em esforço. Face à anterior versão do Corolla existe também uma notória evolução nesta matéria e esse “esforço” quase não existe e está ao nível de uma viatura dita tradicional.
Em termos do sistema híbrido percebe-se a evolução que o mesmo trouxe à marca que nela tem investido grandes recursos e que é responsável não somente por baixar emissões mas também consumos.
Esta versão aventureira, a TREK, possui mais 20 mm de altura ao solo, proteções exteriores e jantes de 17” e com um preço de 32.585€






