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É daquelas coisas que ficam esquecidas na bagageira. Até ao dia em que a bateria do carro morre

Automonitor

Há poucos sons tão desagradáveis para um condutor como aquele “clique” ao tentar ligar o carro e perceber que nada acontece

Há poucos sons tão desagradáveis para um condutor como aquele “clique” ao tentar ligar o carro e perceber que nada acontece. A bateria de 12 volts morreu, o automóvel não sai do lugar e começa a procura por alguém disposto a aproximar outro carro e emprestar uns cabos.

Mas há uma alternativa que pode estar guardada na bagageira e dispensa completamente o segundo automóvel.

Chama-se arrancador portátil de bateria — ou “jump starter” — e é, na prática, uma bateria externa suficientemente potente para fornecer a energia necessária para colocar o automóvel novamente a trabalhar.

O ‘Motor1’ chama a atenção para este pequeno equipamento como uma das ferramentas de emergência que pode fazer sentido transportar no carro. E há uma vantagem evidente: permite ao condutor resolver sozinho uma situação em que tradicionalmente estaria dependente de outra pessoa.

Uma bateria externa para o automóvel

O princípio é relativamente simples.

Os tradicionais cabos de bateria precisam de uma segunda fonte de energia, normalmente outro automóvel com uma bateria em boas condições. O arrancador portátil leva essa fonte consigo.

O equipamento dispõe de uma bateria interna e de pinças que são ligadas aos pontos indicados pelo fabricante do automóvel. A energia armazenada fornece então o impulso necessário ao sistema de 12 volts para permitir o arranque.

A AAA, associação automóvel dos EUA, inclui estes equipamentos entre as alternativas aos tradicionais cabos e explica que permitem arrancar um veículo sem a presença de outro automóvel.

Isso pode ser especialmente útil para quem viaja sozinho, circula frequentemente por zonas mais isoladas ou simplesmente não quer ficar dependente da presença e disponibilidade de outro condutor.

E alguns até carregam o telemóvel

Os modelos atuais podem fazer bastante mais do que ajudar uma bateria descarregada.

Dependendo do equipamento, podem incluir portas USB ou USB-C para carregar telemóveis e outros dispositivos, lanternas incorporadas, iluminação de emergência e até compressores para encher pneus.

Mas há um detalhe mais importante do que todos esses extras: comprar um arrancador adequado ao automóvel.

A potência necessária varia consoante o veículo e o motor. A AAA recomenda verificar a capacidade de arranque do aparelho e procurar sistemas de segurança, nomeadamente proteção contra inversão de polaridade e faíscas.

Antes de utilizar qualquer equipamento deste género, deve também ser consultado o manual do automóvel. Os procedimentos e pontos de ligação podem variar, particularmente nos modelos mais recentes, híbridos e elétricos.

Há um problema: também pode ficar sem bateria

Comprar um destes aparelhos, atirá-lo para a bagageira e esquecer que existe durante dois anos não é propriamente o melhor plano.

O arrancador portátil também utiliza uma bateria. Se não tiver carga suficiente quando chegar o momento de o utilizar, o condutor pode descobrir que tem não uma, mas duas baterias descarregadas.

É por isso importante respeitar as recomendações do fabricante relativas ao carregamento e armazenamento e verificar periodicamente o nível de carga, sobretudo antes de uma viagem longa.

As temperaturas extremas também não são amigas das baterias. A própria AAA recorda que tanto o calor como o frio podem prejudicar o desempenho e a longevidade das baterias automóveis.

Se precisa dele constantemente, há outro problema

Um arrancador portátil pode resolver uma emergência. Não repara, contudo, aquilo que provocou a descarga da bateria.

Uma luz esquecida ligada, um automóvel que esteve demasiado tempo parado ou uma bateria já envelhecida podem explicar um episódio isolado. Mas se o carro precisar repetidamente de ajuda para arrancar, é aconselhável verificar a bateria e o sistema de carregamento.

Segundo a AAA, uma bateria automóvel convencional dura normalmente entre três e cinco anos, embora fatores como temperaturas, utilização e hábitos de condução possam alterar significativamente essa duração.

Há ainda situações em que não se deve simplesmente tentar um arranque de emergência. Uma bateria danificada, com fugas, deformada ou congelada exige outros cuidados.

Uma coisa pequena que esperamos nunca usar

É precisamente esse o paradoxo destes aparelhos: comprar um para esperar nunca precisar dele.

Na maior parte do tempo ficará guardado. Mas uma bateria pode falhar num parque de estacionamento quase vazio, numa viagem, à noite ou simplesmente numa manhã em que não há outro automóvel por perto.

Nessa altura, aqueles poucos centímetros de equipamento guardados na bagageira podem significar a diferença entre voltar à estrada alguns minutos depois ou ficar à espera de assistência.

Como resume o ‘Motor1’, um arrancador portátil não impede que uma bateria falhe, não substitui a assistência em viagem e muito menos repara uma bateria ou alternador avariados.

Mas permite resolver sozinho um dos imprevistos mais comuns — e irritantes — que podem deixar um automóvel completamente imobilizado.