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Depois de 11 anos na Ford, foi despedido por causa de um pacote de bolachas de 1,7 euros

Automonitor

Um pacote de bolachas de chocolate que custava menos de dois euros foi suficiente para Kurt Kromm perder o emprego onde trabalhava há 11 anos

Um pacote de bolachas de chocolate que custava menos de dois euros foi suficiente para Kurt Kromm perder o emprego onde trabalhava há 11 anos. O eletricista, de 60 anos, foi acusado de ter levado o produto sem pagar e acabou despedido da fábrica de camiões da Ford no Kentucky, nos Estados Unidos.

Havia, porém, um problema com a acusação: Kromm garante que tinha pago as bolachas. E acabaria por apresentar um extrato bancário para o provar.

O caso, relatado pelo ‘HuffPost’ a partir de informações do ‘New York Post’, remonta a maio, quando Kromm ainda trabalhava no turno da noite na fábrica da Ford.

Diabético, o eletricista sentiu o nível de açúcar no sangue baixar e decidiu comprar um pacote de bolachas de chocolate Grandma’s num dos quiosques de pagamento automático operados pela Aramark dentro das instalações.

Custavam 1,95 dólares, cerca de 1,7 euros.

Foi aí que começou o problema.

Uma mensagem de erro e um pacote de bolachas

Segundo o relato de Kromm, o terminal apresentou inicialmente uma mensagem de erro a vermelho. Pouco depois, porém, pareceu regressar ao funcionamento normal e o trabalhador utilizou o cartão de débito para pagar.

“Pensei: bem, provavelmente já tinha sido processado”, contou ao ‘New York Post’. O valor era tão baixo que não lhe ocorreu que pudesse existir qualquer problema com a transação.

“Isso era tão insignificante para mim: 1,95 dólares. Achei que já tinha pago”, explicou.

Continuou o turno e a vida na fábrica prosseguiu. Até que, cerca de uma semana depois, a compra das bolachas voltou para o assombrar.

Kromm afirma que foi informado de que estava despedido por ter levado o produto sem pagar.

Depois de 11 anos a trabalhar como eletricista na fábrica, foi escoltado para fora das instalações.

O extrato bancário que mudou o caso

Kromm contesta sobretudo a forma como tudo aconteceu. Segundo a sua versão, não teve oportunidade de perceber exatamente o que estava a acontecer nem de apresentar a sua defesa antes de ser afastado.

E havia uma prova importante que ainda não tinha entrado na história.

O antigo trabalhador apresentou posteriormente um extrato bancário que, segundo os seus representantes legais, demonstrava que as bolachas tinham sido efetivamente pagas.

A situação mudou por completo.

Kromm acabou por receber 33 mil dólares em salários retroativos — cerca de 28 mil euros — e foi-lhe oferecida a possibilidade de regressar ao posto de trabalho na Ford.

Recusou.

Depois de mais de uma década na fábrica e de ter saído acusado de roubar um pacote de bolachas, já não queria voltar.

“A acusação de roubo era falsa”

“A acusação de roubo contra o Sr. Kromm era falsa, e a Aramark e a Ford tinham as provas desde o início”, afirmou ao ‘The Independent’ J. Will Huber, advogado do antigo trabalhador.

O caso poderá ainda não ter terminado. A equipa jurídica de Kromm está a avaliar eventuais ações, incluindo por difamação.

Segundo o advogado, nem a Ford nem a Aramark fizeram até agora uma retratação que, na sua perspetiva, permita limpar formalmente o nome do antigo funcionário.

Kromm também critica a atuação dos representantes do sindicato United Auto Workers, considerando que deveriam ter feito mais para o defender.

“Estou a fazer aquilo que o sindicato deveria estar a fazer”, afirmou ao boletim Shifting Gears with Phoebe Wall Howard. “Eles deveriam estar a protestar veementemente e a dizer que isto é inaceitável.”

Ford admite problemas em alguns quiosques

A Ford não comentou diretamente o eventual litígio, mas confirmou ao ‘The Independent’ ter conhecimento de problemas pontuais com os quiosques de pagamento automático da Aramark existentes nos seus locais de trabalho.

A fabricante explicou que investiu na instalação destes equipamentos para permitir aos funcionários fazer compras 24 horas por dia e reconheceu que foram comunicados “alguns problemas” de funcionamento em casos isolados.

A empresa afirmou estar a trabalhar com a Aramark para analisar essas situações.

A Aramark também recusou comentar um possível processo judicial, indicando apenas que continua focada em operar “com integridade e responsabilidade”.

Quanto a Kromm, não aceitou a proposta para regressar à fábrica onde trabalhara durante 11 anos. A sua equipa jurídica continua agora a analisar o caso e as possíveis ações a avançar contra as empresas.