Em todo o mundo o confinamento das populações teve um efeito inesperado. As concentrações de dióxido de azoto começaram a diminuir de forma visível nos pontos mais poluídos do Planeta e ao mesmo tempo que a pandemia avança, a qualidade do ar melhora, existindo também esperança quanto ao decréscimo da presença de dióxido de carbono na atmosfera.
Como todo este impacte positivo no ambiente, é normal que muitas pessoas comecem a olhar de uma forma diferente para o meio ambiente, agora que ficou provado que é possível – e surpreendentemente rápido – reverter os efeitos da poluição. De acordo com um estudo da Venson Automotive Solutions, nos EUA, uma das consequências desta inesperada situação é uma consciencialização muito mais eficaz do que qualquer campanha de publicidade ou comunicação no que diz respeito às vantagens de substituir os veículos a combustão por carros elétricos.
Dos inquiridos do estudo da Venson Automotive Solutions 45% concordam que a vasta melhoria da qualidade do ar nestes tempos de pandemia os fez considerar a compra de um carro elétrico no futuro. Noutra vertente, 17% dizem que esta situação os levou a reafirmar a decisão de comprar um carro deste tipo.
«Nos últimos anos a redução das emissões poluentes tem sido um objetivo claro para governos, empresas e populações, mas mesmo assim o crescimento do mercado dos veículos elétricos tem sido lento», afirmou Alison Bell, diretora de marketing da Venson Automotive Solutions, à Euronews. «O que está a acontecer é uma evidência de que os transportes são responsáveis por 23% das emissões globais. Conduzir automóveis a diesel e gasolina contribui em 72% para as emissões de gases de estufa provenientes dos transportes».
A pandemia de Covid-19 deu-nos uma antevisão do futuro a que podemos chegar se atingirmos os objetivos no que diz respeito às emissões poluentes. Grandes centros urbanos como Nova Iorque sofreram uma «redução drástica» de emissões de dióxido de carbono, monóxido de carbono e gás metano. Com mais de metade da população mundial em confinamento, o ar pura e simplesmente “limpou-se” mesmo em grandes cidade indianas com níveis altamente perigosos de poluição.
Quando a crise sanitária passar, é muito provável que a generalidade da população veja com ainda melhores olhos os avanços dos governos no processo de transição para os carros elétricos. Mais de dois terços dos inquiridos do estudo da Venson Automotive Solutions afirmaram querer ver melhorias nas infraestruturas de carregamento de baterias de carros elétricos; e quase 40 por cento gostavam que fossem introduzidas “zonas de ar limpo”, ou seja, áreas interditas à circulação de veículos movidos a combustíveis fósseis.
Vendas a subir
O mercado automóvel tem sido drasticamente penalizado nesta crise global, mas a melhoria incidental dos níveis de poluição do ar parece mesmo estar a gerar uma nova onda de interesse dos consumidores em opções elétricas. Mesmo que não se trate de carros. Um relatório de uma consultora americana, a LMC Automotive, revela que as vendas de veículos movidos a bateria elétrica (BEV) subiram perto de 30 por cento em março de 2020, face ao período homólogo.
«Se assumirmos que 40% das vendas globais de março se perderam devido ao efeito do surto de Covid-19, o reflexo verdadeiro da procura por BEV pode ter chegado a valores absolutos de 80.000, o que representa um crescimento ao ano de 120%», disse Al Bedwell, analista da LMC Automotive. «Apesar da pandemia, alguns mercados conseguiram até superar este valor».
Ainda haverá dúvidas de que o futuro vai ser elétrico?





