Depois de várias semanas consecutivas de aumentos expressivos, os preços dos combustíveis em Portugal poderão finalmente dar sinais de abrandamento já na próxima semana, com o gasóleo a subir apenas de forma residual e a gasolina a poder mesmo descer. A evolução dependerá do fecho dos mercados esta sexta-feira, numa semana marcada por forte volatilidade no preço do barril de Brent, influenciada por declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre negociações com o Irão.
Segundo a CNN Portugal, a vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), Mafalda Trigo, admite que “esta semana ainda está muito incerta”, sublinhando que o valor final só poderá ser determinado após a média dos fechos da semana. Ainda assim, com base nos primeiros três dias de negociação, a previsão aponta para uma subida de apenas 1 cêntimo no gasóleo e uma descida de cerca de 2,5 cêntimos na gasolina já na próxima segunda-feira.
Na segunda-feira, após Trump anunciar conversações com o Irão nas redes sociais, o preço do Brent caiu de 113 para 100 dólares em apenas 15 minutos, encerrando o dia nos 99,9 dólares por barril. Contudo, a volatilidade manteve-se: na terça-feira fechou nos 104,4 dólares e, na quarta-feira às 22h00, era negociado a 102,85 dólares. Esta oscilação é determinante para o cálculo semanal dos combustíveis em Portugal, já que os preços resultam da média do fecho do Brent da semana anterior. Ainda assim, Mafalda Trigo esclarece que gasolina e gasóleo, por serem produtos refinados, não dependem exclusivamente da cotação do crude, mas também da disponibilidade de aditivos, da atividade das refinarias e do equilíbrio entre oferta e procura.
Desde o ataque dos EUA ao Irão, os aumentos acumulados têm sido expressivos. Na véspera do ataque, um litro de gasóleo custava 1,599 euros e o da gasolina 1,684 euros, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Passados 22 dias, o gasóleo encareceu 43 cêntimos por litro e a gasolina 23 cêntimos, valores que já incluem o desconto no ISP aplicado pelo Governo. Na última atualização, os portugueses pagavam em média 2,065 euros por litro de gasóleo e 1,93 euros por litro de gasolina. Encher um depósito de 50 litros custa atualmente 103,25 euros no caso do gasóleo e 96,5 euros na gasolina, sendo que só em IVA o Estado arrecada 23,75 euros e 22,2 euros, respetivamente.
A evolução do Brent ajuda a explicar a escalada. Antes do ataque, o barril rondava os 73 dólares; esta semana tem sido negociado acima dos 100 dólares, tendo atingido picos de 119,50 dólares a 9 de março e 119,13 dólares a 19 de março. O valor mais baixo das últimas duas semanas registou-se a 23 de março, quando caiu para 96 dólares após novas declarações de Trump. Nas três semanas posteriores ao ataque, o Brent subiu em média 17,5%, depois 15,1% e, na semana seguinte, 10,3%. Em paralelo, os combustíveis em Portugal registaram subidas sucessivas: a 9 de março, aumentaram 7 cêntimos na gasolina e 18,2 cêntimos no gasóleo; a 16 de março, mais 7 cêntimos e 7,9 cêntimos; e na última segunda-feira, 7,3 cêntimos na gasolina e 13,8 cêntimos no gasóleo.
Apesar da instabilidade no Estreito de Ormuz e das tensões geopolíticas, Mafalda Trigo considera que “não é previsível” que os preços continuem a subir caso o Brent desça de forma consistente, ressalvando que apenas problemas em refinarias ou na produção de aditivos poderiam contrariar essa tendência. Para já, a expectativa é de um abrandamento da escalada, ainda que o mercado permaneça altamente sensível a fatores políticos e económicos internacionais.






