Trinta anos depois do fim da produção, o Citroën 2CV é ainda o carro da marca francesa mais produzido de sempre. O mítico modelo foi, para muitos utilizadores, um modo de vida e um ícone cultural francês que se impôs no mercado, em França mas também pelo mundo fora, como um meio de transporte individual, barato, versátil e confiável mas tornou-se igualmente ‘apetitoso’ para colecionadores, artistas e intelectuais.
Representação máxima do que é ser um automóvel “cool”, o 2CV – ou ‘Deuche’, para os íntimos – teve um início de história pragmático, pois o seu conceito era simples e urgente à época.
Foi Pierre Michelin, que rendera André Citroën no comando da marca, quem acertou na ‘mouche’, desenvolvendo um futuro modelo que iria permitir que as massas substituíssem o cavalo e a carruagem por um ‘guarda-chuva’ com quatro rodas. Rústico e barato, mas capaz de carregar quatro pessoas e 50 kg de bens agrícolas – sobretudo ovos, que não poderiam quebrar-se durante o transporte – a uma velocidade de 50 km/h, inclusive sobre estradas lamacentas e não pavimentadas. A sua única missão era ser robusto, útil e acessível.
Os primeiros protótipos criados por André Lefebvre (o génio por trás do Traction Avant e do DS) deveriam ser revelados em outubro de 1939 – três anos depois de iniciado o projeto do TPV, ou ‘Toute Petite Voiture’. No entanto, a eclosão da II Guerra Mundial atrapalhou o lançamento do 2CV – dos cerca de 200 já montados, quase todos foram destruídos pelos bombardeamentos alemães. Restaram quatro, mantidos em segredo numa França já ocupada.
Com fábricas destruídas, a Citroën manteve o desenvolvimento do 2CV às escondidas. A sua estreia só decorreu em 7 de outubro de 1948, no Salão de Paris.
Sucesso instantâneo, tinha uma fila de espera de três anos meses após a estreia. Logo depois, era preciso esperar até cinco anos para estacionar um 2CV na garagem – foi um dos primeiros modelos em que o usado chegou a custar mais do que o novo pois ninguém queria esperar.
Além do 2CV, outros modelos nasceram da sua base mecânica. Um deles foi o Dyane. Quase idêntico, mas com uma estética mais tradicional e um prático design de porta traseira quando comparado ao 2CV. A sua popularidade foi tal que se somaram quase 1,5 milhões de Dyanes entre 1967 e 1983.
A 27 de julho de 1990, um 2CV em dois tons de cinza, apelidado de ‘The Duck’, saiu da linha de montagem na fábrica portuguesa de Mangualde, encerrando a carreia do modelo 3.868.634 unidades depois. Despediu-se como uma lenda e o Citroën mais produzido de sempre.





