Durante décadas, uma amolgadela num automóvel significava quase sempre uma visita relativamente previsível à oficina: chapa deformada, um profissional experiente, algumas ferramentas e, dependendo dos estragos, endireitar, soldar e pintar. Nos automóveis modernos, essa realidade está a mudar rapidamente. Por baixo da pintura convivem hoje diferentes tipos de aço, alumínio e componentes estruturais produzidos através de técnicas que pouco têm que ver com a tradicional chapa de aço. O resultado são carros mais leves, rígidos e seguros, mas também uma nova realidade depois de um acidente: aquilo que antes podia ser reparado nem sempre pode continuar a sê-lo. E uma pancada aparentemente localizada pode acabar por envolver uma peça estrutural muito maior. Adeus à carroçaria feita praticamente toda da mesma chapa A transformação torna-se evidente quando se compara um automóvel atual com outro de há 20 anos. Uma análise da Solera, empresa especializada nas áreas dos seguros, sinistros e reparação automóvel, a 200 modelos acompanhou a evolução dos materiais utilizados nas carroçarias desde 2005. A conclusão é que a tradicional chapa de aço convencional tem vindo a perder protagonismo para uma combinação muito mais sofisticada de materiais, escolhidos em função daquilo que cada zona do automóvel precisa de fazer. Há aço convencional, mas também aços de alta e ultra-alta resistência e uma presença crescente do alumínio. O exemplo mais extremo identificado pela análise é a Tesla. Segundo os dados citados pelo ‘El Confidencial’, nos modelos analisados da marca a chapa convencional representa apenas 16% da carroçaria. O alumínio chega aos 39%, enquanto 22% correspondem a aço de alta resistência e outros 23% a aço de ultra-alta resistência. Não se trata apenas de trocar um metal por outro. Muda também aquilo que uma oficina pode fazer quando esse material fica danificado. O que funciona numa chapa antiga pode estragar um componente…