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Boom Supersonic: empresa quer levar passageiros “para qualquer lugar do mundo em quatro horas por 80 euros”

Nathan Leach-Proffer, Boom Supersonic
Inês Amado

O primeiro avião deverá começar a ser construído em 2023.

Uma startup norte-americana está a avançar em projetos supersónicos e hipersónicos, quase duas décadas depois de o sonho supersónico se ter desvanecido, com o desaparecimento do avião comercial Concorde.

A empresa norte-americana Boom Supersonic lançou uma aeronave de demonstração, a XB1. Blake Scholl, CEO da companhia, deu a conhecer o avião comercial Mach 2.2 e os ambiciosos planos de longo prazo da empresa, numa entrevista à CNN Travel.

“Ou falhamos ou mudamos o mundo”, observou Scholl na entrevista por videochamada a partir de Denver, Colorado.

Desde a era do jato nos anos 50 e 60, não houve uma grande evolução nos tempos de viagem e é essa realidade que a startup pretende mudar.

“Essa barreira do tempo é o que nos mantém separados. Acreditamos que é profundamente importante quebrar a barreira do tempo, mais do que a barreira do som”, explicou o dirigente.

O Overture foi desenhado para acomodar entre 65 e 88 pessoas e será responsável por mais de 500 rotas transoceânicas, que beneficiarão da velocidades Mach-2.2 da aeronave, mais de duas vezes mais rápidas que os jatos comerciais subsónicos atuais.

Assim, uma viagem entre Nova York e Londres duraria apenas três horas e 15 minutos, enquanto a rota entre Los Angeles e Sydney demoraria oito horas e meia.

Scholl adiantou que a empresa prevê ter a aeronave a operar até 2026.

O plano imediato da Boom Supersonic é colocar a aeronave protótipo XB1 em escala 1: 3 nos céus “por volta do final do ano”, edificar uma nova fábrica nos EUA em 2022 em seguida, e começar a construir o primeiro avião em 2023.

“Vemo-nos a retomar a partir da posição onde ficou o Concorde e melhorar coisas mais importantes como a sustentabilidade económica e ambiental”, referiu ainda, aludindo aos custos extremamente elevados e impacto ambiental do Concorde.