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Nem elétrico nem plug-in: Skoda prepara um Octavia híbrido que nunca precisa de ir à tomada

Nem elétrico nem plug-in: Skoda prepara um Octavia híbrido que nunca precisa de ir à tomada
Francisco Laranjeira

Ao contrário dos sistemas mild-hybrid, nos quais o motor elétrico apenas auxilia o motor de combustão, o novo Octavia poderá circular exclusivamente com energia elétrica em determinadas condições

A Skoda já tem automóveis elétricos e híbridos plug-in, mas faltava-lhe uma solução que outras marcas, como a Toyota, utilizam há vários anos: um híbrido convencional capaz de circular apenas com eletricidade, sem precisar de ser ligado à tomada. Essa lacuna está prestes a desaparecer com a chegada de uma nova versão do Octavia.

Segundo a publicação alemã ‘Auto Bild’, o familiar checo será o primeiro modelo da Skoda a receber um sistema híbrido completo do tipo série-paralelo, combinando um motor a gasolina com propulsão elétrica para reduzir os consumos, sobretudo em ambiente urbano.

A novidade estará disponível em duas versões, com 136 e 170 cv de potência combinada, e poderá abrir caminho à utilização da mesma tecnologia noutros modelos da marca.

Como funciona um híbrido que não precisa de tomada?

Ao contrário dos sistemas mild-hybrid, nos quais o motor elétrico apenas auxilia o motor de combustão, o novo Octavia poderá circular exclusivamente com energia elétrica em determinadas condições.

O sistema combina um motor TSI de 1,5 litros com dois motores elétricos e uma bateria de 1,6 kWh.

Em velocidades reduzidas, o automóvel pode deslocar-se apenas com o motor elétrico. Noutras situações, o motor a gasolina funciona como gerador, produzindo eletricidade para alimentar a propulsão elétrica.

Quando a velocidade aumenta, o motor de combustão pode transmitir diretamente a sua força às rodas dianteiras através de uma embraiagem.

Todas estas transições são geridas automaticamente, sem qualquer intervenção do condutor.

A bateria recupera energia durante as desacelerações e travagens, podendo também ser carregada pelo motor a gasolina.

Só dois quilómetros em modo elétrico. Então qual é a vantagem?

A capacidade da bateria permite percorrer aproximadamente dois quilómetros exclusivamente com eletricidade.

À primeira vista, parece pouco quando comparado com a autonomia de um híbrido plug-in. Mas os dois sistemas têm objetivos diferentes.

No híbrido convencional, a prioridade não é percorrer grandes distâncias sem utilizar gasolina, mas reduzir o trabalho do motor de combustão nas situações em que este é menos eficiente.

No trânsito urbano, por exemplo, o motor elétrico pode assumir a propulsão durante arranques, manobras e deslocações a baixa velocidade.

O resultado esperado é uma redução do consumo de combustível, sem exigir ao condutor qualquer alteração dos hábitos de abastecimento.

A Auto Bild destaca ainda uma solução técnica pouco habitual: em vez de uma caixa automática convencional com várias relações, o novo sistema utiliza uma transmissão de relação única.

Ambas as versões terão uma velocidade máxima de 180 km/h.

Há uma desvantagem: menos espaço para bagagens

A introdução da bateria e dos restantes componentes elétricos obriga a algumas alterações na configuração do Octavia.

A bateria ficará instalada debaixo dos bancos traseiros, mas o sistema reduz a capacidade da bagageira face a outras motorizações.

Na versão de cinco portas, o volume disponível será de 460 litros, podendo chegar aos 1.400 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Já o Octavia Combi, a variante carrinha, oferecerá entre 485 e 1.540 litros.

Apesar desta redução, o modelo mantém uma das características que o tornaram popular entre as famílias: uma bagageira generosa para o segmento.

Quando chega o novo Skoda Octavia híbrido?

De acordo com a ‘Auto Bild’, as encomendas deverão abrir ainda em outubro, inicialmente nas carroçarias de cinco portas e carrinha, com os níveis de equipamento Selection e Sportline.

As primeiras entregas estão previstas para dezembro.

A Skoda ainda não anunciou os preços nem os valores oficiais de consumo desta nova motorização, pelo que permanece por esclarecer qual será a poupança efetiva face às versões convencionais.

Também não foram divulgados detalhes sobre a disponibilidade específica no mercado português.

Kodiaq, Karoq e Superb podem ser os próximos

A estreia do sistema híbrido completo no Octavia poderá representar apenas o primeiro passo de uma estratégia mais abrangente.

Segundo a publicação alemã, o Kodiaq é um dos candidatos a receber esta tecnologia numa futura atualização, permitindo melhorar a eficiência do SUV em deslocações urbanas.

O próximo Karoq poderá igualmente beneficiar da nova motorização, enquanto o Superb surge como outra possibilidade para preencher o espaço entre as versões de combustão e os híbridos plug-in.

A Skoda ainda não confirmou a expansão do sistema a estes modelos.

Ainda assim, a chegada do primeiro híbrido completo ao Octavia representa uma mudança importante na oferta da marca: passa a existir uma alternativa eletrificada capaz de circular sem emissões locais durante pequenos percursos, mas sem a necessidade de procurar um posto de carregamento.

Para quem pretende reduzir o consumo de combustível sem depender de uma tomada, poderá ser precisamente a solução que faltava na gama Skoda.

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