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A tecnologia que o seu carro já possui e que pode salvar-lhe a vida… mas que muitos condutores ainda não sabem como usá-la

Automonitor com Lusa

Tema esteve em destaque na primeira edição do fórum ‘MOVI-TEC’, promovido pela DGT e pela FESVIAL, que reuniu Governo, indústria, escolas de condução e empresas de mobilidade de Espanha

Os Sistemas Avançados de Assistência à Condução (ADAS) estão a revolucionar a segurança rodoviária, mas o seu verdadeiro impacto depende menos da tecnologia e mais de quem está ao volante. De acordo com o ‘El Economista’, especialistas da Direção-Geral de Tráfego (DGT), da Federação Espanhola para a Segurança Viária (FESVIAL), da Volvo, da Confederação Nacional de Escolas de Condução (CNAE) e da Fundação RACE defenderam que o futuro da mobilidade segura exige motoristas com literacia digital, confiança nas ajudas eletrónicas e uma renovação urgente da frota automóvel.

O tema esteve em destaque na primeira edição do fórum ‘MOVI-TEC’, promovido pela DGT e pela FESVIAL, que reuniu Governo, indústria, escolas de condução e empresas de mobilidade de Espanha. O objetivo é transformar os ADAS — que incluem sistemas como alerta de sonolência, travagem de emergência ou manutenção na faixa — numa ferramenta eficaz de segurança. Apesar de obrigatórios em todos os veículos novos vendidos na União Europeia desde julho de 2024, a maioria dos condutores ainda desconhece como funcionam.

O diretor da DGT, Pere Navarro, alertou que “a tecnologia é uma aliada, mas só funcionará se a sociedade confiar e compreendê-la”. Um desafio partilhado também por Ricardo Olalla, vice-presidente da Bosch Mobility, que defende uma frota mais moderna e sistemas de assistência menos intrusivos, já que “muitos utilizadores acabam por desligar o ADAS”.

Falta de conhecimento generalizada

O Projeto VIDAS, liderado pela Bosch e pela FESVIAL, revelou que 40% dos motoristas desconhecem quais os sistemas ADAS presentes nos seus veículos e um terço nem sequer os considera um fator relevante na compra. A situação agrava-se com a falta de formação nas escolas de condução e com técnicos e vendedores pouco preparados para explicar estas tecnologias.

Para Enrique Lorca, presidente da CNAE, “não se pode conduzir em 2025 com o conhecimento de 1995”. O responsável defende que os condutores devem ter formação contínua e sugere cursos teóricos e práticos obrigatórios na renovação da carta de condução. Sublinha ainda a discrepância entre os veículos modernos utilizados nas aulas e os automóveis mais antigos que muitos motoristas acabam por adquirir.

Desconfiança trava a segurança

A Fundação RACE alertou que o problema não é apenas geracional. “A lacuna tecnológica não é de idade, mas de confiança”, afirmou Silvia Ubago, da RACE, defendendo a necessidade de “motoristas digitalmente maduros”. Um inquérito da fundação indica que 34% dos utilizadores desconhecem até os sistemas ADAS obrigatórios nos seus carros.

A indústria partilha da mesma preocupação. José María Galofré, CEO da Volvo Car Espanha, recorda que a marca “ofereceu ao mundo o cinto de segurança de três pontos em 1959” e hoje faz o mesmo com os sistemas de assistência à condução. “A segurança não é um argumento de marketing, é uma necessidade”, afirmou, sublinhando que todos os modelos Volvo vêm equipados com ADAS de série. O gestor reforçou que estas tecnologias “não devem ser um luxo, mas um padrão acessível”.

Desafios e oportunidades

A introdução dos ADAS nas frotas empresariais e no mercado de leasing está a acelerar a renovação do parque automóvel. Paula Gómez, da Arval, revelou que 74% dos gestores de frota já priorizam a segurança em detrimento do preço ou consumo. “A segurança avançada tornou-se a nova eficiência”, destacou.

Apesar disso, o Projeto VIDAS identifica vários entraves, como os elevados custos de reparação, a escassez de peças, a falta de formação técnica e a desconfiança dos condutores. Ainda assim, a eficácia é inequívoca: o uso correto dos ADAS poderia evitar até 40% dos acidentes rodoviários e reduzir um terço das mortes nas estradas.