Há motores que são muito mais do que uma peça mecânica. Para os fãs da Subaru, o boxer de quatro cilindros é um deles. O som característico, a arquitetura pouco comum e as vitórias nos ralis transformaram-no numa das grandes marcas de identidade do fabricante japonês. Mas essa história está prestes a chegar ao fim nas estradas europeias.
Segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’, a Subaru prepara-se para abandonar os motores de combustão na Europa até 2028, passando a comercializar exclusivamente modelos elétricos desenvolvidos em parceria com a Toyota.
O motor que ajudou a criar uma lenda nos ralis
A ligação entre a Subaru e os motores boxer ganhou notoriedade durante a década de 1990, quando a marca apostou no Campeonato do Mundo de Ralis para conquistar reconhecimento internacional.
Primeiro com o Legacy e depois com o Impreza, a Subaru tornou-se uma referência da modalidade, conquistando três títulos mundiais de construtores e três de pilotos.
Nomes como Colin McRae, Richard Burns e Petter Solberg ficaram associados aos sucessos da marca, mas também ao som inconfundível dos motores boxer.
Ao contrário dos motores convencionais, os cilindros estão dispostos horizontalmente e os pistões opostos movimentam-se em sentidos contrários, numa configuração que permite baixar o centro de gravidade do automóvel.
É uma solução mecânica pouco comum, que continua a distinguir a Subaru e a Porsche de grande parte dos restantes fabricantes.
Porque vai a Subaru abandonar os motores boxer?
A resposta está sobretudo nos custos de adaptação às normas europeias de emissões e segurança.
De acordo com a publicação francesa, a Subaru considera cada vez menos viável continuar a investir na atualização dos seus motores de combustão para cumprir exigências regulamentares mais rigorosas.
O problema é agravado pela dimensão relativamente reduzida da marca e pelo seu volume limitado de vendas na Europa.
Desenvolver motores capazes de cumprir as novas regras representa um investimento elevado, difícil de justificar num mercado onde a Subaru nunca alcançou números de vendas comparáveis aos dos grandes fabricantes.
A situação é diferente nos EUA, onde a marca tem uma presença comercial mais forte e deverá continuar a apostar em modelos com motores boxer.
Os próximos Subaru europeus terão ADN Toyota
A saída dos motores de combustão será acompanhada por uma transformação profunda da gama europeia.
Em vez de desenvolver todos os elétricos de raiz, a Subaru continuará a aproveitar a parceria tecnológica com a Toyota, reduzindo custos e acelerando a chegada de novos modelos.
Entre os automóveis previstos estão o Solterra, desenvolvido a partir do Toyota bZ4X, o E-Outback, derivado do bZ4X Touring, e o Uncharted, que partilha a base técnica com o Toyota C-HR+.
Esta estratégia permitirá à Subaru manter uma oferta no mercado europeu sem suportar sozinha os elevados custos de desenvolvimento de uma nova geração de veículos elétricos.
Fora da Europa, contudo, a marca deverá continuar a investir em motorizações híbridas e em modelos próprios.
O fim de uma identidade ou o início de outra?
A Subaru não vai desaparecer da Europa, mas a transformação poderá ser particularmente significativa para os entusiastas que associam a marca ao Impreza, aos ralis e aos motores boxer.
A passagem para uma gama exclusivamente elétrica representa o abandono de uma característica mecânica que ajudou a construir a sua reputação durante décadas.
Para quem ainda pretende comprar um Subaru novo com motor boxer na Europa, o tempo poderá estar a esgotar-se.
O fabricante japonês prepara, assim, uma nova etapa da sua história europeia. Desta vez, sem o som que ajudou a torná-lo famoso.






