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A Subaru prepara o fim de uma era na Europa. O motor que fez história nos ralis tem os dias contados

A Subaru prepara o fim de uma era na Europa. O motor que fez história nos ralis tem os dias contados
Francisco Laranjeira

Nomes como Colin McRae, Richard Burns e Petter Solberg ficaram associados aos sucessos da marca, mas também ao som inconfundível dos motores boxer

Há motores que são muito mais do que uma peça mecânica. Para os fãs da Subaru, o boxer de quatro cilindros é um deles. O som característico, a arquitetura pouco comum e as vitórias nos ralis transformaram-no numa das grandes marcas de identidade do fabricante japonês. Mas essa história está prestes a chegar ao fim nas estradas europeias.

Segundo a revista francesa ‘L’Automobile Magazine’, a Subaru prepara-se para abandonar os motores de combustão na Europa até 2028, passando a comercializar exclusivamente modelos elétricos desenvolvidos em parceria com a Toyota.

O motor que ajudou a criar uma lenda nos ralis

A ligação entre a Subaru e os motores boxer ganhou notoriedade durante a década de 1990, quando a marca apostou no Campeonato do Mundo de Ralis para conquistar reconhecimento internacional.

Primeiro com o Legacy e depois com o Impreza, a Subaru tornou-se uma referência da modalidade, conquistando três títulos mundiais de construtores e três de pilotos.

Nomes como Colin McRae, Richard Burns e Petter Solberg ficaram associados aos sucessos da marca, mas também ao som inconfundível dos motores boxer.

Ao contrário dos motores convencionais, os cilindros estão dispostos horizontalmente e os pistões opostos movimentam-se em sentidos contrários, numa configuração que permite baixar o centro de gravidade do automóvel.

É uma solução mecânica pouco comum, que continua a distinguir a Subaru e a Porsche de grande parte dos restantes fabricantes.

Porque vai a Subaru abandonar os motores boxer?

A resposta está sobretudo nos custos de adaptação às normas europeias de emissões e segurança.

De acordo com a publicação francesa, a Subaru considera cada vez menos viável continuar a investir na atualização dos seus motores de combustão para cumprir exigências regulamentares mais rigorosas.

O problema é agravado pela dimensão relativamente reduzida da marca e pelo seu volume limitado de vendas na Europa.

Desenvolver motores capazes de cumprir as novas regras representa um investimento elevado, difícil de justificar num mercado onde a Subaru nunca alcançou números de vendas comparáveis aos dos grandes fabricantes.

A situação é diferente nos EUA, onde a marca tem uma presença comercial mais forte e deverá continuar a apostar em modelos com motores boxer.

Os próximos Subaru europeus terão ADN Toyota

A saída dos motores de combustão será acompanhada por uma transformação profunda da gama europeia.

Em vez de desenvolver todos os elétricos de raiz, a Subaru continuará a aproveitar a parceria tecnológica com a Toyota, reduzindo custos e acelerando a chegada de novos modelos.

Entre os automóveis previstos estão o Solterra, desenvolvido a partir do Toyota bZ4X, o E-Outback, derivado do bZ4X Touring, e o Uncharted, que partilha a base técnica com o Toyota C-HR+.

Esta estratégia permitirá à Subaru manter uma oferta no mercado europeu sem suportar sozinha os elevados custos de desenvolvimento de uma nova geração de veículos elétricos.

Fora da Europa, contudo, a marca deverá continuar a investir em motorizações híbridas e em modelos próprios.

O fim de uma identidade ou o início de outra?

A Subaru não vai desaparecer da Europa, mas a transformação poderá ser particularmente significativa para os entusiastas que associam a marca ao Impreza, aos ralis e aos motores boxer.

A passagem para uma gama exclusivamente elétrica representa o abandono de uma característica mecânica que ajudou a construir a sua reputação durante décadas.

Para quem ainda pretende comprar um Subaru novo com motor boxer na Europa, o tempo poderá estar a esgotar-se.

O fabricante japonês prepara, assim, uma nova etapa da sua história europeia. Desta vez, sem o som que ajudou a torná-lo famoso.