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Tem três rodas, usa eletricidade, gasolina e gasóleo e custa pouco mais de mil euros: conheça este insólito veículo chinês

Tem três rodas, usa eletricidade, gasolina e gasóleo e custa pouco mais de mil euros: conheça este insólito veículo chinês
Automonitor

Veículo foi apresentado durante a conferência HarmonyOS Ecosystem Conference 2026, realizada em Shenzhen

À primeira vista, parece um automóvel urbano em miniatura, mas a proposta da chinesa Huaihai esconde uma combinação pouco habitual. Tem apenas três rodas, utiliza eletricidade para se deslocar e pode recorrer a gasolina para aumentar a autonomia e a gasóleo para aquecer o habitáculo. Tudo isto acompanhado por tecnologia da Huawei e com um preço de referência que ronda os 1.300 euros no mercado chinês.

O veículo foi apresentado durante a conferência HarmonyOS Ecosystem Conference 2026, realizada em Shenzhen, onde a Huawei demonstrou como o seu sistema operativo pode chegar a meios de transporte bastante diferentes dos automóveis convencionais.

Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, o pequeno modelo, identificado como Huaihai QB15, combina soluções mecânicas simples com equipamentos digitais que habitualmente associamos a automóveis muito mais caros.

A proposta insere-se num segmento bastante popular na China: o dos pequenos triciclos fechados, utilizados sobretudo em deslocações curtas, percursos urbanos e viagens dentro de comunidades residenciais.

Embora a aparência possa recordar a de um pequeno automóvel, trata-se de um veículo de três rodas, com características e enquadramento regulamentar próprios.

Três rodas e uma configuração pouco habitual

Uma das primeiras particularidades está na disposição das rodas.

Ao contrário de alguns triciclos modernos, que utilizam duas rodas dianteiras e uma traseira, o Huaihai apresenta uma única roda à frente e duas atrás.

É uma configuração que permite simplificar determinados componentes mecânicos, mas que também exige cuidados no comportamento dinâmico, sobretudo nas curvas e nas mudanças bruscas de direção.

O conceito faz lembrar o britânico Reliant Robin, um pequeno automóvel de três rodas que se tornou conhecido tanto pela sua originalidade como pela reputação de instabilidade.

No entanto, a utilização de três rodas não é apenas uma escolha técnica.

Na China, estes veículos podem beneficiar de regras de homologação diferentes das aplicáveis aos automóveis convencionais, o que ajuda a reduzir os custos de desenvolvimento e comercialização.

De acordo com o ‘L’Automobile Magazine’, a condução destes triciclos pode ser autorizada com uma carta de motociclo adequada à categoria, evitando algumas das exigências associadas aos automóveis tradicionais.

Esta particularidade contribuiu para o crescimento de um mercado de veículos pequenos e relativamente acessíveis, especialmente destinados a percursos de curta distância.

Eletricidade para circular, gasolina para continuar a viagem

A solução mecânica é provavelmente o elemento mais curioso do projeto.

A propulsão é elétrica, com um motor alimentado por uma bateria de pequena capacidade.

O ‘L’Automobile Magazine’ aponta para um acumulador de 2,1 kWh, capaz de proporcionar uma autonomia elétrica estimada entre 30 e 50 quilómetros.

São valores modestos quando comparados com os de um automóvel elétrico convencional, mas compatíveis com a utilização prevista para este tipo de veículo.

A particularidade surge quando a bateria começa a ficar descarregada.

A configuração descrita pela publicação francesa contempla um pequeno motor a gasolina que funciona como prolongador de autonomia.

Em vez de transmitir diretamente a potência às rodas, o motor térmico aciona um gerador destinado a produzir eletricidade e permitir que o veículo continue a circular.

É um princípio semelhante ao utilizado em alguns automóveis elétricos com prolongador de autonomia, embora aplicado aqui numa escala muito mais reduzida.

Importa, contudo, sublinhar que as características técnicas completas do novo modelo ainda não foram divulgadas oficialmente. A capacidade da bateria, a autonomia e a configuração do prolongador de autonomia deverão, por isso, ser encaradas como informações preliminares.

E para que serve o gasóleo?

É aqui que a história se torna ainda mais invulgar.

O terceiro combustível não é utilizado para movimentar o veículo.

O gasóleo alimenta um sistema de aquecimento auxiliar, instalado na zona superior da carroçaria, destinado a aquecer o habitáculo durante os meses mais frios.

Esta solução permite produzir calor sem depender exclusivamente da pequena bateria de tração.

Num veículo elétrico com uma capacidade energética tão limitada, utilizar a eletricidade para aquecer o interior poderia reduzir significativamente a autonomia disponível.

Um aquecedor independente a gasóleo permite contornar essa limitação, embora acrescente um depósito de combustível e um sistema de combustão ao conjunto.

Este tipo de equipamento não é desconhecido na indústria automóvel. Aquecedores auxiliares alimentados por combustível são utilizados há décadas em veículos comerciais, autocaravanas e automóveis destinados a regiões de clima frio.

A novidade está na combinação de três fontes de energia num veículo urbano tão pequeno e económico.

Há, porém, uma distinção importante: não estamos perante um automóvel com três sistemas de propulsão. Apenas o motor elétrico movimenta as rodas, enquanto a gasolina pode alimentar o gerador e o gasóleo serve exclusivamente para aquecimento.

Tecnologia Huawei num veículo de baixo custo

Apesar da simplicidade mecânica, o projeto pretende oferecer uma experiência digital bastante mais sofisticada do que seria habitual neste segmento.

A Huawei participou através da disponibilização de tecnologia baseada no sistema operativo HarmonyOS, utilizado nos seus dispositivos e em vários sistemas de informação e entretenimento automóvel.

Segundo o ‘CarNewsChina’, o triciclo apresentado pela Huaihai é o primeiro veículo de três rodas a integrar as funcionalidades de habitáculo inteligente desenvolvidas pela empresa tecnológica chinesa.

A solução inclui um assistente de voz e funções de conectividade que permitem interagir com o veículo através de um telemóvel.

Entre as possibilidades descritas estão a consulta do estado da bateria, o bloqueio remoto e o acesso a informações sobre eventuais anomalias.

O ‘L’Automobile Magazine’ refere também compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, embora a lista definitiva de equipamentos ainda não esteja confirmada pelo fabricante.

A presença da Huawei não significa, contudo, que a empresa seja responsável pela construção do veículo.

O desenvolvimento, a produção e a comercialização pertencem à Huaihai, enquanto a Huawei fornece a tecnologia digital.

Um preço surpreendente, mas ainda por confirmar

Outro dos elementos que despertou atenção foi o preço.

O ‘L’Automobile Magazine’ refere um valor de aproximadamente 10 mil yuans, equivalente a cerca de 1.340 euros, para o pequeno triciclo.

Contudo, o ‘CarNewsChina’ esclarece que a Huawei e a Huaihai ainda não anunciaram oficialmente o preço do modelo apresentado.

Os 10 mil yuans correspondem a uma referência de mercado para triciclos fechados semelhantes, comercializados na China.

A introdução de um sistema digital mais sofisticado poderá, inclusivamente, tornar esta proposta mais cara do que algumas alternativas já disponíveis.

Também não existem informações sobre uma eventual comercialização na Europa.

Mesmo que o veículo venha a ser vendido fora da China, as diferenças regulamentares e as exigências de homologação impedem que o preço chinês seja utilizado como referência direta para o mercado português.

Uma solução curiosa para um problema muito concreto

O Huaihai demonstra como a mobilidade urbana pode assumir formas bastante diferentes consoante as necessidades e as condições de cada mercado.

Na Europa, a tendência tem passado por pequenos quadriciclos elétricos, como o Citroën Ami ou o Fiat Topolino, que procuram oferecer uma alternativa aos automóveis convencionais para deslocações curtas.

Na China, os triciclos fechados continuam a ocupar um espaço próprio, graças ao preço reduzido, às dimensões compactas e às regras específicas que permitem a sua utilização.

A proposta da Huaihai combina essa tradição com tecnologias digitais modernas e soluções mecânicas destinadas a reduzir as limitações de uma bateria de pequena capacidade.

Não será um veículo capaz de substituir um automóvel familiar, nem pretende competir com os elétricos convencionais em autonomia, conforto ou desempenho.

Mas demonstra que a inovação nem sempre exige motores potentes, baterias enormes ou equipamentos sofisticados.

Por vezes, basta combinar soluções já conhecidas de uma forma inesperada.

E poucos veículos ilustram melhor essa ideia do que um pequeno triciclo chinês que circula com eletricidade, pode produzir energia com gasolina e ainda utiliza gasóleo para manter os ocupantes aquecidos.