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Ducati já tinha uma das motos mais radicais do mundo. Agora deu-lhe 218 cv e mudou a forma como faz as curvas

Ducati já tinha uma das motos mais radicais do mundo. Agora deu-lhe 218 cv e mudou a forma como faz as curvas
Francisco Laranjeira

Há motos que procuram ser mais confortáveis, económicas ou fáceis de conduzir. A Ducati Panigale V4 pertence a uma categoria muito diferente: a das máquinas concebidas para oferecer prestações próximas das motos de competição, embora possam circular na estrada

A Ducati apresentou a Panigale V4 de 2027, uma evolução da sua superbike que combina mais potência, alterações no chassis e novos sistemas eletrónicos. O resultado, segundo a fabricante italiana, é uma moto capaz de completar uma volta ao circuito de Vallelunga quatro décimas de segundo mais depressa. E uma das mudanças mais importantes passa por tornar parte da estrutura menos rígida.

Há motos que procuram ser mais confortáveis, económicas ou fáceis de conduzir. A Ducati Panigale V4 pertence a uma categoria muito diferente: a das máquinas concebidas para oferecer prestações próximas das motos de competição, embora possam circular na estrada.

Para 2027, a marca italiana decidiu aperfeiçoar uma fórmula que já estava entre as mais radicais do mercado.

Segundo o jornal espanhol ‘ABC’, a nova Panigale V4 recebe um motor mais potente e uma revisão do chassis, acompanhados por melhorias na eletrónica e na transmissão.

O objetivo não foi simplesmente aumentar a velocidade máxima. Foi permitir que a moto trave melhor, mantenha uma trajetória mais precisa e acelere mais eficazmente à saída das curvas.

Um motor de 218 cv que pode chegar às 15 mil rotações

A Panigale V4 de 2027 mantém o motor Desmosedici Stradale, um V4 de 1.103 centímetros cúbicos inspirado na experiência da Ducati em competição.

A potência máxima sobe para 218 cv às 13.500 rotações por minuto, enquanto o binário atinge aproximadamente 120,6 Nm às 11.000 rpm.

Para conseguir estes resultados, a fabricante introduziu alterações na admissão, no escape e no sistema de lubrificação, procurando melhorar a circulação do ar e reduzir as perdas por atrito.

A entrada de ar frontal também foi revista. Segundo a Ducati, a pressão de admissão aumenta 0,6% quando a moto circula a 300 km/h, permitindo obter cerca de 1,3 cv adicionais nessa velocidade.

É um ganho pequeno em termos absolutos, mas que ilustra até onde a marca está disposta a ir para melhorar o desempenho.

O limitador de rotações também foi elevado para 15.000 rpm entre a segunda e a quinta velocidades.

Porque é que a Ducati tornou o chassis menos rígido?

Esta é uma das alterações tecnicamente mais interessantes.

Normalmente, associa-se um chassis mais rígido a maior precisão de condução. Mas, numa moto desportiva, a relação não é tão simples.

Quando a Panigale está muito inclinada numa curva, a suspensão deixa de trabalhar na sua posição habitual. Nessa situação, a própria estrutura da moto tem de contribuir para absorver pequenas irregularidades do asfalto.

A Ducati decidiu, por isso, reduzir em 12% a rigidez lateral do seu chassis dianteiro, conhecido como Front Frame.

A intenção é permitir uma deformação controlada da estrutura, ajudando o pneu dianteiro a manter o contacto com o piso durante as curvas.

Não significa tornar a moto menos resistente ou menos segura. Significa ajustar a forma como o chassis reage às forças que recebe.

Em circuito, onde pequenas diferenças de aderência podem determinar o tempo de uma volta, esta alteração poderá ser mais importante do que o aumento de potência.

Menos mudanças de caixa, mais tempo a acelerar

A transmissão também foi revista.

A Ducati adotou uma relação final mais longa, passando de uma configuração de 16/41 dentes para 17/42.

Esta alteração permite aproveitar uma determinada velocidade durante mais tempo, reduzindo a necessidade de mudar de relação em algumas zonas do circuito.

Segundo os dados divulgados pela fabricante, em Vallelunga foi possível eliminar duas passagens de caixa por volta.

Pode parecer pouco, mas cada mudança representa uma operação adicional e uma pequena alteração na entrega de potência.

Em condução desportiva, evitar essas interrupções pode ajudar o piloto a manter um ritmo mais constante.

A eletrónica também aprendeu novos truques

A Panigale V4 de 2027 recebe uma evolução dos sistemas eletrónicos de assistência à condução.

Entre as novidades destaca-se o Dynamic Engine Brake, que gere a intervenção do travão-motor para tornar o comportamento da moto mais previsível durante as desacelerações.

Há também alterações no controlo eletrónico da travagem, numa tentativa de melhorar a estabilidade e a precisão à entrada das curvas.

Estes sistemas trabalham com informação recolhida por uma unidade de medição inercial de seis eixos, capaz de acompanhar os movimentos da moto.

A versão Panigale V4 S acrescenta suspensões eletrónicas Öhlins, com gestão adaptativa, e jantes de alumínio forjado.

O sistema de travagem utiliza pinças monobloco Brembo Hypure, enquanto os pneus Pirelli Diablo Supercorsa V4 reforçam a orientação desportiva do conjunto.

Quatro décimas mais rápida por volta: o que significa?

A Ducati afirma que a combinação das alterações permitiu melhorar em cerca de 0,4 segundos o tempo por volta no circuito italiano de Vallelunga, face à versão anterior.

O valor deve ser interpretado como um resultado de testes da fabricante, não como uma garantia de que qualquer motociclista conseguirá reproduzir a diferença.

O desempenho depende de fatores como o estado dos pneus, as condições da pista, a afinação da moto e a experiência do piloto.

Ainda assim, numa superbike que já parte de um nível de desempenho muito elevado, retirar quatro décimas a uma volta é um objetivo significativo.

E mostra que a Ducati procurou ganhos em várias áreas, em vez de concentrar todo o desenvolvimento no motor.

Quando chega a Portugal e quanto vai custar?

A chegada da nova Panigale V4 aos concessionários europeus está prevista para março de 2027.

Nos Estados Unidos, a comercialização deverá começar em abril.

Quanto aos preços, foram divulgados valores de referência para mercados europeus entre aproximadamente 29.390 e 35.890 euros, consoante a versão. Estes montantes não devem, contudo, ser confundidos com preços finais confirmados para Portugal, onde poderão existir diferenças de impostos e equipamento.

A Ducati também não anunciou, nas informações consultadas, uma tabela portuguesa definitiva para a gama de 2027.

Ficha técnica da Ducati Panigale V4 2027

Motor: V4 Desmosedici Stradale, 1.103 cc

Potência máxima: 218 cv às 13.500 rpm

Binário máximo: 120,6 Nm às 11.000 rpm

Regime máximo: Até 15.000 rpm em determinadas mudanças

Chassis: Front Frame com rigidez lateral reduzida em 12%

Travões: Brembo Hypure

Pneus: Pirelli Diablo Supercorsa V4

Suspensão da versão V4 S: Öhlins eletrónica

Chegada prevista à Europa: Março de 2027

A nova Panigale V4 demonstra que, numa moto deste nível, a evolução já não depende apenas de acrescentar cavalos.

A Ducati está a trabalhar na forma como a potência chega ao asfalto, na capacidade de manter a trajetória e na confiança que o piloto sente ao aproximar-se dos limites.

E talvez seja essa a maior novidade: para tornar a Panigale mais rápida, a marca decidiu começar por tornar parte do chassis menos rígida.