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É preciso aquecer os pneus da moto antes de arrancar? A resposta não é igual para todos

É preciso aquecer os pneus da moto antes de arrancar? A resposta não é igual para todos
Automonitor

Com a chegada do outono, as manhãs mais frias e o piso molhado voltam a colocar a aderência dos pneus no centro das preocupações dos motociclistas

Durante muito tempo, aquecer os pneus antes de exigir mais de uma moto foi considerado um cuidado essencial. Mas a evolução dos compostos de borracha veio alterar parte desta realidade. Atualmente, muitos pneus concebidos para utilização em estrada conseguem oferecer boa aderência desde os primeiros metros, mesmo quando as temperaturas são mais baixas. A questão é que nem todos se comportam da mesma maneira.

Com a chegada do outono, as manhãs mais frias e o piso molhado voltam a colocar a aderência dos pneus no centro das preocupações dos motociclistas.

Segundo a Michelin, a resposta à pergunta sobre a necessidade de aquecer os pneus depende sobretudo do tipo de borracha e da utilização para a qual foram desenvolvidos.

Sabrina Sabel, especialista em pneus de moto da fabricante francesa e também motociclista com experiência em competição, explica que os pneus modernos de turismo são concebidos para funcionar numa gama alargada de temperaturas.

Por isso, em condições normais de circulação, não precisam de um aquecimento deliberado para começar a oferecer uma aderência adequada.

Mas há uma diferença importante quando falamos de pneus mais desportivos.

O segredo está na composição da borracha

Os pneus destinados a motos de turismo e utilização quotidiana recorrem frequentemente a compostos com sílica, um material que ajuda a melhorar a aderência a temperaturas mais baixas e em estradas molhadas.

Isto permite que o pneu ofereça um comportamento previsível mais rapidamente, sem depender tanto de temperaturas elevadas para funcionar corretamente.

Já alguns pneus de orientação desportiva são desenvolvidos para oferecer o melhor desempenho quando atingem temperaturas de funcionamento superiores.

Numa manhã fria, podem precisar de mais tempo para alcançar as condições ideais de aderência.

A distinção não é absoluta: existem diferentes compostos dentro de cada categoria, pelo que o comportamento depende sempre do pneu específico.

E nos primeiros quilómetros, o que muda?

Mesmo quando os pneus oferecem boa aderência a frio, isso não significa que se deva arrancar e conduzir imediatamente ao limite.

Sabrina Sabel explica que começa as suas viagens de forma moderada, permitindo que os pneus ganhem temperatura progressivamente através da circulação normal.

Travagens e acelerações suaves, com a moto direita, são suficientes para favorecer esse aquecimento gradual.

Uma análise publicada pelo Motorcycles.News recorda ainda que fazer movimentos em ziguezague não é uma forma eficaz de aquecer pneus de estrada frios, apesar de ser uma imagem frequentemente associada às competições.

Há também uma distinção essencial entre pneus frios e pneus novos. Estes últimos precisam de um período de rodagem, durante o qual devem ser evitadas acelerações bruscas, travagens intensas e inclinações acentuadas.

A conclusão é simples: os pneus de moto evoluíram e muitos já oferecem boa aderência desde o início da viagem. Mas a temperatura, o tipo de composto e o estado da estrada continuam a fazer a diferença.

E, sobretudo no outono, uma condução progressiva nos primeiros quilómetros continua a ser uma boa decisão, independentemente da moto.