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Quem diria? O primeiro Mercedes Classe A já está a entrar no mundo dos clássicos

Quem diria? O primeiro Mercedes Classe A já está a entrar no mundo dos clássicos
Francisco Laranjeira

Quase 30 anos depois da sua estreia, aquele pequeno Mercedes de formas pouco convencionais começa a ocupar um lugar diferente na história da marca

Em 1997, a Mercedes-Benz surpreendeu o mundo com um automóvel pequeno, alto e muito diferente das berlinas de luxo que tinham construído a reputação da marca. Agora, quase três décadas depois, os primeiros exemplares do Classe A estão prestes a atingir a idade necessária para obter matrícula histórica na Alemanha. E a sua história inclui um episódio que acabou por mudar a segurança dos automóveis.

O primeiro Mercedes-Benz Classe A, conhecido internamente como W168, prepara-se para entrar numa nova fase da sua história. Apresentado em março de 1997, no Salão Automóvel de Genebra, o pequeno modelo poderá começar a ser reconhecido como veículo histórico na Alemanha a partir de 2027.

Segundo o ‘Motor1’, os exemplares produzidos em 1997 vão atingir os 30 anos exigidos pela legislação alemã para poderem obter a matrícula histórica identificada pela letra H. No entanto, a idade não basta: os veículos também têm de passar por uma inspeção específica e cumprir os requisitos de conservação e originalidade aplicáveis.

É uma mudança curiosa para um automóvel que, durante muitos anos, foi visto sobretudo como um citadino prático, e não como um futuro clássico.

O pequeno Mercedes que mudou a marca

Quando chegou ao mercado, o Classe A representava uma verdadeira mudança de direção para a Mercedes-Benz.

Com cerca de 3,57 metros de comprimento, tração dianteira e uma carroçaria alta, afastava-se dos modelos tradicionais da marca. A sua grande vantagem estava no aproveitamento do espaço interior, conseguido através de uma arquitetura conhecida como piso em sanduíche.

Esta solução permitia acomodar os componentes mecânicos de forma diferente e foi concebida para que, numa colisão frontal grave, o conjunto motopropulsor pudesse deslocar-se para baixo do habitáculo, reduzindo o risco de intrusão na zona dos ocupantes.

As primeiras versões incluíam o A 140 e o A 160. Mais tarde, a gama cresceu e chegou mesmo a existir um invulgar A 38 AMG, equipado com dois motores, do qual foram construídos apenas quatro exemplares.

Mas o início da carreira do Classe A ficou marcado por um acontecimento que ameaçou comprometer o futuro do modelo.

Um teste que mudou a história da segurança automóvel

Poucos dias depois do início das vendas, em outubro de 1997, um Classe A capotou durante uma manobra de desvio de emergência realizada pela revista sueca ‘Teknikens Värld’.

O episódio ficou conhecido como “teste do alce” e provocou uma crise para a Mercedes-Benz.

A marca suspendeu a produção e procedeu a alterações na suspensão e no equipamento de segurança. Os cerca de 18 mil automóveis já entregues aos clientes foram atualizados gratuitamente.

Quando a produção foi retomada, em fevereiro de 1998, o Classe A passou a incluir de série o Programa Eletrónico de Estabilidade (ESP), uma tecnologia que ajudou a democratizar os sistemas de controlo de estabilidade nos automóveis mais pequenos.

Aquilo que começou por ser um problema de segurança acabou, assim, por acelerar a adoção de uma tecnologia que se tornaria fundamental na indústria automóvel.

Afinal, quantos Classe A poderão tornar-se clássicos em 2027?

Apesar de a primeira geração ter sido apresentada em 1997, apenas um número relativamente reduzido de exemplares poderá reunir as condições de idade necessárias logo em 2027.

As vendas começaram a 18 de outubro desse ano, mas foram interrompidas poucas semanas depois. A produção só regressou no final de fevereiro de 1998, o que significa que muitos dos primeiros Classe A terão de esperar até 2028 para completar três décadas.

O W168 continuou a ser produzido até 2005 e ultrapassou 1,1 milhões de unidades vendidas, tornando-se um dos modelos que ajudaram a Mercedes-Benz a conquistar novos públicos.

Quase 30 anos depois da sua estreia, aquele pequeno Mercedes de formas pouco convencionais começa a ocupar um lugar diferente na história da marca. Não é apenas um automóvel antigo: é um modelo que mudou a estratégia da Mercedes-Benz e teve um papel inesperado na evolução da segurança rodoviária.

E há uma curiosidade adicional: na Alemanha, alguns exemplares poderão em breve circular com matrícula histórica, enquanto outros continuam a ser utilizados como simples carros do dia a dia.