A Alpine aproveitou o Salão Automóvel de Paris para mostrar que o seu futuro não se resume à eletrificação. Entre a reinterpretação de um desportivo com mais de meio século de história, as primeiras pistas sobre a próxima geração do A110 e novas possibilidades de personalização, a marca francesa apresentou as linhas orientadoras do capítulo que pretende escrever nos próximos anos.
O A310 VISION e o A110 Sculpture foram os principais protagonistas de uma presença que procurou aproximar o passado e o futuro da Alpine, numa altura em que a fabricante está também a alargar a sua gama e a conquistar novos clientes.


As duas propostas ajudam a perceber a estratégia da Alpine para os próximos anos: preservar a identidade dos seus desportivos históricos enquanto prepara uma gama cada vez mais eletrificada.
O próximo A110 apareceu escondido debaixo de um véu
A terceira geração do Alpine A110 ainda não foi apresentada na sua forma definitiva, mas a marca decidiu revelar algumas das suas proporções através de uma escultura denominada A110 Sculpture.
A criação foi apresentada em Paris por Antony Villain, vice-presidente de Design da Alpine, e Pierre Gasly, piloto da equipa Alpine de Fórmula 1.


Em vez de mostrar diretamente a carroçaria, os designers recorreram a uma espécie de véu azul que acompanha as formas do automóvel, deixando perceber a silhueta sem revelar todos os detalhes.
A inspiração veio, em parte, da imagem do Concorde a romper a barreira do som, procurando transmitir movimento, leveza e tensão.
Apesar da abordagem futurista, há elementos familiares: a dianteira em forma de V, a assinatura luminosa dupla, o habitáculo em forma de lágrima e os arcos das rodas pronunciados.
A grande transformação estará, contudo, debaixo da carroçaria.
O próximo A110 será desenvolvido sobre a nova Alpine Performance Platform (APP), uma arquitetura modular concebida para diferentes tipos de carroçaria e sistemas de propulsão.
A Alpine pretende que esta geração represente a entrada do seu desportivo mais emblemático numa nova fase totalmente elétrica, preservando as características de leveza e agilidade associadas ao modelo.
Por enquanto, não foram divulgados valores de potência, autonomia ou preço.
Um Alpine de 1971 regressa com aspeto futurista
A outra grande atração foi o Alpine A310 VISION, um exercício de design inspirado no A310 original, apresentado há 55 anos.


A proposta recupera a silhueta baixa e larga do desportivo histórico, combinando-a com uma interpretação muito mais radical.
Entre os elementos mais distintivos encontram-se as jantes triangulares em forma de “A”, a carroçaria em alumínio, uma secção inferior preta inspirada na Fórmula 1 e um habitáculo envolvido por uma estrutura semitransparente.
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Os faróis móveis acrescentam outro detalhe invulgar, alterando a expressão da dianteira quando são acionados.
A Alpine esclarece, contudo, que o A310 VISION é um concept criado para explorar as possibilidades da nova plataforma APP. Não representa, nesta fase, o anúncio de um futuro modelo de produção.
A marca quis sobretudo demonstrar como os seus modelos históricos podem inspirar novas propostas sem que seja necessário reproduzir fielmente o passado.
Alpine cresce e prepara mais novidades para os seus elétricos
O futuro da Alpine não passa apenas pelos desportivos mais exclusivos.
A marca está também a alargar as possibilidades de personalização dos seus modelos elétricos A290 e A390 através do programa Atelier Alpine.
No caso do A290, foi apresentada a versão Collection, disponível com motorizações de 180 e 220 cv, que inclui uma combinação específica de pintura, jantes e acabamentos interiores.
Já o A390, um fastback elétrico de cinco lugares, recebeu novas opções de cores, jantes e materiais, incluindo acabamentos em carbono e bancos desportivos Sabelt.

Ambos os modelos contam ainda com tecnologias de carregamento bidirecional, incluindo funcionalidades que permitem utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar dispositivos externos compatíveis.
A expansão da gama acompanha o crescimento comercial da Alpine. Segundo os números divulgados pela marca, as vendas passaram de cerca de 4.500 automóveis em 2024 para mais de 10.000 em 2025, ultrapassando já as 13.000 unidades em 2026.
O A290 é atualmente o modelo mais vendido da fabricante, que dispõe de 251 pontos de venda distribuídos por 26 países.
Para Philippe Krief, CEO da Alpine, as novidades apresentadas em Paris representam diferentes dimensões da estratégia da marca: modelos elétricos para utilização quotidiana, uma nova geração de desportivos e propostas especiais inspiradas na sua história.
A próxima grande etapa está marcada para o final de 2027, quando o novo A110 deverá mostrar como a Alpine pretende transportar a identidade de um dos seus automóveis mais conhecidos para a era elétrica.
A Alpine já tinha começado a revelar as peças deste novo capítulo. A Automonitor mostrou como a marca recuperou um desportivo com 55 anos e lhe deu um aspeto futurista e revelou as primeiras pistas sobre a próxima geração do A110, escondida debaixo de um véu azul. Dois projetos que ajudam a perceber até onde poderá chegar a transformação da marca francesa.






