A Tesla quer entrar no restrito grupo de fabricantes capazes de superar os 500 km/h. O novo Roadster tem como objetivo atingir 531 km/h, uma velocidade que o colocaria entre os automóveis de produção mais rápidos do mundo. Mas a fabricante prepara algo ainda mais radical: uma versão equipada com propulsores de ar comprimido que promete acelerar dos 0 aos 96 km/h em apenas 0,59 segundos e até levantar voo.
Os números são extraordinários, mas há uma distinção essencial. A velocidade máxima de 531 km/h continua a ser um objetivo de desenvolvimento, e não um recorde demonstrado num automóvel de produção.
Segundo o ‘Motor1’, o chefe de design da Tesla, Franz von Holzhausen, e o vice-presidente de engenharia automóvel, Lars Moravy, revelaram à revista Top Gear que a fabricante pretende atingir essa marca numa futura evolução do Roadster.
Para já, a velocidade máxima anunciada para a configuração de entrada situa-se nos 345 km/h. A Tesla pretende, no entanto, ir muito além deste valor com as versões mais radicais do desportivo.
Dois motores, mais de 1.300 cv e uma meta de 531 km/h
O novo Roadster deverá utilizar dois motores elétricos instalados no eixo traseiro, com diferentes níveis de potência consoante a versão.
De acordo com as especificações divulgadas, a configuração Standard poderá desenvolver cerca de 800 kW, equivalentes a aproximadamente 1.088 cv, enquanto a Performance deverá atingir cerca de 1.007 kW, ou 1.369 cv.
A carroçaria em fibra de carbono ajuda a controlar o peso, que deverá ficar abaixo dos 1.700 kg na configuração mais leve.
A autonomia anunciada situa-se entre 500 e 515 quilómetros, dependendo da versão. É uma redução considerável face aos cerca de 1.000 quilómetros prometidos quando o projeto original foi apresentado, em 2017.
A Tesla aponta ainda para uma potência de carregamento de 500 kW, que poderá permitir recuperar de 10% a 80% da bateria em menos de 15 minutos, embora os dados definitivos ainda careçam de confirmação.
O desafio dos 531 km/h, porém, não depende apenas da potência. Pneus, aerodinâmica, estabilidade e resistência dos componentes tornam-se decisivos a velocidades desta ordem.
Basta recordar que, quando a Bugatti levou o Chiron aos 490,484 km/h, em 2019, precisou de pneus Michelin especialmente reforçados para suportar as forças envolvidas.
Uma versão com propulsores que promete acelerar como um foguete
É nas configurações mais extremas que o Roadster se afasta verdadeiramente dos automóveis desportivos convencionais.
A Tesla prevê quatro versões: Standard, Performance, Thrust e Rocket.
A Performance deverá recorrer a aerodinâmica ativa e a ventiladores que criam um efeito de sucção sob o automóvel, aumentando a força que o mantém agarrado à estrada.
Já a Thrust acrescenta um reservatório de ar comprimido e quatro propulsores orientados para trás, concebidos para proporcionar aceleração adicional sem depender exclusivamente da aderência dos pneus.
A versão Rocket vai mais longe. Para acomodar reservatórios adicionais, elimina o banco do passageiro e acrescenta seis propulsores que poderão ajudar o automóvel a mudar de direção, estabilizar-se e até elevar-se do solo.
A Tesla aponta para uma aceleração dos 0 aos 96 km/h em 0,59 segundos nesta configuração, embora o valor continue a ser uma meta anunciada pela fabricante.
A Automonitor já acompanhou a demonstração em que o Roadster subiu uma rampa de cabeça para baixo e executou uma manobra aérea durante a apresentação no Texas. As imagens mostraram algumas das capacidades do protótipo, mas não significam que todas possam ser utilizadas num automóvel homologado para circular na estrada.
O problema dos propulsores que precisam de horas para voltar a funcionar
Há uma limitação importante nesta tecnologia: os propulsores dependem de uma reserva de ar comprimido que se esgota rapidamente.
Como a Automonitor explicou anteriormente, voltar a utilizar o sistema poderá exigir entre duas e seis horas de espera, de acordo com informações prestadas por Lars Moravy à Top Gear.
A Tesla pretende reduzir esse tempo para cerca de 30 minutos, mas ainda não demonstrou que consegue fazê-lo.
Além disso, as configurações mais extremas levantam questões de segurança e homologação, especialmente quando se trata de utilizar propulsores capazes de alterar a trajetória do automóvel ou levantá-lo do chão.
Por enquanto, a versão Rocket está prevista como uma configuração muito limitada, disponível apenas por convite.
A produção só deverá começar em 2028
Apesar da apresentação recente, os primeiros Roadster de produção ainda deverão demorar a chegar aos clientes.
A Tesla aponta agora para 2028, mais de uma década depois da revelação do conceito original.
É uma espera que a Automonitor tem acompanhado. Quando a marca voltou a mostrar o desportivo, explicámos também porque este poderá ser o último Tesla concebido especificamente para ser conduzido por humanos, numa altura em que a empresa aposta cada vez mais na condução autónoma.
As reservas continuam abertas, com depósitos anunciados de 50 mil dólares para a versão Performance e 250 mil dólares para a Thrust. Os preços finais das configurações mais extremas ainda não foram divulgados.
Entre a ambição de atingir 531 km/h, os propulsores inspirados na tecnologia espacial e as acelerações inferiores a um segundo, a Tesla voltou a elevar as expectativas em torno do Roadster.
Mas há uma diferença entre apresentar um protótipo capaz de executar manobras extraordinárias e entregar aos clientes um automóvel com prestações verificadas, homologação e fiabilidade demonstradas.
Depois de tantos anos de promessas, esse continua a ser o maior desafio do Roadster.
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