O Grupo Volkswagen apresentou uma nova estratégia para o mercado europeu, assente no desenvolvimento de automóveis elétricos mais acessíveis, na partilha de tecnologias entre marcas e numa maior cooperação com os responsáveis políticos. O plano chama-se “For Europe” (“Para a Europa”) e foi revelado na véspera do Salão do Automóvel de Paris.
Segundo o ‘Motor1’, a iniciativa representa uma aposta no reforço da indústria automóvel europeia, numa altura em que os fabricantes enfrentam dificuldades para conciliar a transição elétrica com a competitividade industrial e as exigências regulamentares da União Europeia.
A mensagem do grupo alemão é clara: a Europa tem capacidade industrial, conhecimento tecnológico e trabalhadores qualificados, mas precisa de criar condições para transformar essas vantagens em crescimento económico, emprego e automóveis capazes de responder às necessidades dos consumidores.
Quatro novos elétricos mostram o caminho da Volkswagen
A apresentação decorreu no Palais de Tokyo, em Paris, onde o Grupo Volkswagen colocou em destaque quatro modelos elétricos destinados a desempenhar um papel importante na sua estratégia europeia.
São eles o Cupra Raval, o Skoda Epiq, o Volkswagen ID. Cross e o Volkswagen ID. Polo.
Embora pertençam a marcas diferentes, estes quatro automóveis partilham mais de 80% dos componentes e tecnologias, uma decisão que pretende simplificar o desenvolvimento e a produção, reduzir custos e aproveitar economias de escala.
Esta abordagem deverá permitir ao grupo disponibilizar veículos elétricos mais competitivos, sem que cada marca tenha de desenvolver individualmente todos os sistemas e componentes.
Thomas Schäfer, CEO da marca Volkswagen, explicou que esta nova família de elétricos urbanos demonstra o significado da estratégia “For Europe”: desenvolver e produzir na Europa automóveis que correspondam às expectativas dos consumidores.
A ambição passa por combinar competitividade, capacidade industrial e mobilidade elétrica acessível a um público mais alargado.
O maior programa de transformação da história do grupo
Oliver Blume, CEO do Grupo Volkswagen, considera que a Europa dispõe dos recursos necessários para continuar a ser uma potência industrial, mas defende que é indispensável utilizá-los de forma mais eficiente.
“A Europa tem bases sólidas: uma ampla base industrial, uma forte capacidade de inovação e muitas pessoas motivadas e altamente qualificadas. O que importa é o que fazemos com esses recursos”, afirmou.
O responsável explicou que a estratégia pretende acelerar a chegada das inovações ao mercado e transformar a capacidade industrial europeia em crescimento, criação de valor e emprego.
Para isso, o grupo está a implementar aquilo que Blume descreve como o maior programa de transformação da sua história, com mudanças estruturais destinadas a melhorar a competitividade.
Mas a Volkswagen entende que os fabricantes não podem realizar esta transformação sozinhos.
Volkswagen deixa um recado a Bruxelas
Um dos pontos centrais da nova estratégia é a necessidade de maior cooperação entre a indústria automóvel e as instituições europeias.
O Grupo Volkswagen defende que os fabricantes devem tornar-se mais competitivos e desenvolver produtos atrativos, mas considera igualmente necessário que os decisores políticos criem um enquadramento regulamentar adequado.
A questão ganha particular importância quando se discute o futuro dos automóveis elétricos de baixo custo.
Entre as propostas em debate em Bruxelas está a criação de uma nova categoria de veículos elétricos mais acessíveis, com preços que, segundo as intenções referidas pelo Motor1, não deverão ultrapassar os 15 mil euros.
No entanto, a definição das características técnicas, dos sistemas de propulsão, das tecnologias permitidas e dos eventuais incentivos será determinante para perceber se estes automóveis poderão chegar efetivamente ao mercado.
O risco, segundo a análise do ‘Motor1’, é que a criação de uma nova categoria regulamentar não seja acompanhada de condições económicas e industriais que tornem viável a sua produção.
Elétricos acessíveis são uma prioridade, mas há obstáculos
A estratégia apresentada em Paris não representa um afastamento da mobilidade elétrica. Pelo contrário, os quatro modelos colocados em destaque demonstram que o Grupo Volkswagen continua a apostar nesta tecnologia.
O objetivo é encontrar uma forma de produzir automóveis elétricos mais acessíveis e competitivos, aproveitando plataformas e componentes comuns, sem comprometer a sustentabilidade económica da indústria europeia.
Mas o grupo considera que esse esforço terá de ser acompanhado por decisões políticas capazes de responder às dificuldades enfrentadas pelos fabricantes.
No fundo, o plano “For Europe” pretende demonstrar que o futuro da indústria automóvel europeia dependerá tanto das decisões tomadas nas fábricas como das regras definidas em Bruxelas.
E a Volkswagen deixa uma mensagem: para que a Europa continue a produzir automóveis competitivos, empresas e responsáveis políticos terão de avançar na mesma direção.






