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Quatro pessoas em apenas três metros: a Fiat recuperou uma ideia de há 70 anos para reinventar o carro de cidade

Quatro pessoas em apenas três metros: a Fiat recuperou uma ideia de há 70 anos para reinventar o carro de cidade
Automonitor

Em 1956, a Fiat conseguiu colocar seis pessoas num automóvel com apenas 3,5 metros de comprimento. Setenta anos depois, a marca italiana recuperou a mesma filosofia para criar um veículo elétrico ainda mais pequeno, mas capaz de transportar quatro ocupantes. Chama-se Multiplina, mede apenas 3,04 metros e foi uma das propostas apresentadas no Salão Automóvel…

Em 1956, a Fiat conseguiu colocar seis pessoas num automóvel com apenas 3,5 metros de comprimento. Setenta anos depois, a marca italiana recuperou a mesma filosofia para criar um veículo elétrico ainda mais pequeno, mas capaz de transportar quatro ocupantes. Chama-se Multiplina, mede apenas 3,04 metros e foi uma das propostas apresentadas no Salão Automóvel de Paris. Há, contudo, um pormenor importante: ainda é um protótipo.

A Fiat voltou a destacar o Multiplina esta sexta-feira, na sequência da sua apresentação no Salão Automóvel de Paris, onde o projeto mostrou uma possível solução para um problema cada vez mais presente nas cidades: como transportar várias pessoas sem ocupar tanto espaço na estrada.

A resposta da marca italiana passa por um quadriciclo pesado totalmente elétrico, com quatro lugares e dimensões exteriores próximas das de alguns veículos urbanos de dois ocupantes.

Com apenas 3,04 metros de comprimento, 1,40 metros de largura e 1,53 metros de altura, o Multiplina procura preencher o espaço entre o pequeno Fiat Topolino e um automóvel convencional.

Mas a proposta tem uma história que começou muito antes dos veículos elétricos.

A inspiração nasceu em 1956

O Fiat 600 Multipla, apresentado há 70 anos, tornou-se conhecido por uma solução invulgar para a época: transportar até seis pessoas num automóvel com apenas 3,5 metros de comprimento.

A disposição do habitáculo e o aproveitamento do espaço permitiram criar um veículo familiar compacto, numa altura em que a mobilidade automóvel se tornava progressivamente mais acessível.

O novo Multiplina recupera essa ideia, mas adapta-a a um contexto diferente. Em vez de seis lugares, oferece quatro. E, em vez de um motor de combustão, aposta numa arquitetura totalmente elétrica.

A inspiração também está presente no desenho. O para-brisas avançado, a carroçaria bicolor, a dianteira e as saídas de ar traseiras reinterpretam elementos associados ao modelo histórico.

Não se trata, portanto, de recuperar simplesmente a aparência de um clássico, mas de explorar a mesma pergunta que esteve na origem do 600 Multipla: como aproveitar melhor um automóvel pequeno?

Quatro lugares em pouco mais de três metros. Como funciona?

O Multiplina foi concebido como um quadriciclo pesado da categoria L7, uma classificação distinta da dos automóveis de passageiros convencionais.

A Fiat apresenta-o como um “Quadriciclo Multiusos”, pensado para deslocações quotidianas, incluindo percursos entre casa e o trabalho, idas à escola e pequenas tarefas urbanas.

O principal argumento é a combinação de quatro lugares com uma carroçaria ultracompacta, que poderá facilitar a circulação e o estacionamento em ambientes urbanos.

A marca pretende, assim, explorar um espaço intermédio entre o Topolino, destinado a uma mobilidade mais simples e limitada, e os automóveis tradicionais, geralmente maiores e mais versáteis.

Contudo, o comunicado não esclarece como está organizado o habitáculo nem apresenta dados sobre o espaço para bagagem. Também não permite avaliar o conforto dos quatro ocupantes em utilização real.

E a autonomia, a potência e o preço?

É aqui que surgem as principais incógnitas.

Apesar de confirmar a arquitetura totalmente elétrica, a Fiat não divulgou a potência do motor, a capacidade da bateria, a autonomia ou a velocidade máxima do Multiplina.

Também não anunciou um preço, uma data de lançamento ou sequer a intenção de avançar para a produção em série.

Por enquanto, o projeto deve ser entendido como um exercício de desenvolvimento de novas soluções de mobilidade, e não como um modelo prestes a chegar aos concessionários.

A distinção é relevante, sobretudo porque a classificação L7 implica características e requisitos diferentes dos aplicáveis aos automóveis de passageiros convencionais.

A Fiat quer fazer mais com menos

O Multiplina integra uma visão mais ampla da marca italiana para a micromobilidade, que inclui projetos como o Topolino e o TRIS.

No Salão Automóvel de Paris, esteve também acompanhado pelo MULTIPLAY, outro protótipo centrado na versatilidade, mas com uma abordagem diferente à utilização do veículo.

Enquanto o MULTIPLAY explora a adaptação a diferentes necessidades, o Multiplina concentra-se no aproveitamento do espaço e na capacidade de transportar quatro pessoas com dimensões exteriores reduzidas.

A Fiat associa esta filosofia a uma utilização mais eficiente de materiais e recursos, embora ainda não tenha apresentado dados que permitam quantificar os benefícios ambientais do projeto.

A ideia é simples: antes de tornar os automóveis maiores, mais potentes ou mais complexos, perceber se é possível responder às necessidades diárias com menos.

O Multiplina ainda está longe de ser uma alternativa comercial confirmada. Mas recupera uma solução que a Fiat já explorava em 1956 e coloca novamente uma questão pertinente: para transportar quatro pessoas na cidade, será mesmo necessário um automóvel muito maior do que três metros?

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A Fiat tem outra proposta que leva a versatilidade ainda mais longe. No Salão Automóvel de Paris, apresentou um protótipo capaz de passar de automóvel familiar a pick-up em segundos. Mas como funciona esta transformação e o que tem de tão especial?