Há um quarto de século, a Nissan apresentou um automóvel que procurava juntar dois mundos: o conforto de uma berlina familiar e a capacidade de enfrentar caminhos difíceis. Chamava-se X-Trail e, 25 anos depois, continua a ser uma das referências da marca japonesa.
Desde 2001, recordou o site ‘Motor1’, o SUV acumulou mais de oito milhões de unidades vendidas em todo o mundo, atravessou quatro gerações e tornou-se, segundo a Nissan, o modelo mais vendido da sua história.
Para assinalar o aniversário, a marca renovou o X-Trail e deu especial atenção à versão N-Trek, a proposta mais aventureira da gama. Mas as novidades não se ficam pela aparência.
De SUV robusto a familiar eletrificado
Quando chegou ao mercado, em 2001, o X-Trail distinguia-se pela proposta relativamente simples: oferecer espaço e conforto para a família, sem abdicar da versatilidade associada aos veículos de todo-o-terreno.
Era uma combinação que antecipava a popularidade dos SUV familiares, hoje presentes em praticamente todas as gamas automóveis.
Ao longo de quatro gerações, o X-Trail acompanhou essa transformação. Cresceu em tecnologia, equipamento e conforto, ao mesmo tempo que foi abandonando a imagem de veículo essencialmente utilitário para assumir um papel cada vez mais familiar.
Uma das mudanças mais significativas aconteceu debaixo do capô.
Atualmente, a gama aposta na tecnologia híbrida e-POWER, desenvolvida pela Nissan, que procura oferecer uma experiência de condução próxima da de um automóvel elétrico sem exigir carregamentos numa tomada.
Tem motor a gasolina, mas são os elétricos que movem as rodas
O funcionamento do sistema e-POWER é uma das particularidades do X-Trail.
Ao contrário de muitos híbridos convencionais, nos quais o motor de combustão também pode transmitir potência às rodas, aqui essa tarefa cabe exclusivamente à propulsão elétrica.
O motor a gasolina funciona como gerador, produzindo eletricidade para alimentar a bateria ou os motores elétricos. Não existe uma ligação mecânica direta entre o motor de combustão e as rodas.
Na prática, o condutor beneficia da resposta imediata e da suavidade características de um veículo elétrico, mas continua a abastecer gasolina e não precisa de procurar um posto de carregamento.
Para quem pretende experimentar uma condução eletrificada sem alterar os hábitos de abastecimento, esta solução pode representar uma alternativa aos híbridos tradicionais e aos elétricos a bateria.
Tração às quatro rodas sem ligação mecânica entre os eixos
Outra evolução importante é o sistema e-4ORCE, disponível nas versões de tração integral.
Neste caso, o X-Trail utiliza dois motores elétricos, um em cada eixo, permitindo distribuir eletronicamente a força de tração entre a dianteira e a traseira.
O sistema também coordena a travagem para ajudar a controlar os movimentos da carroçaria, melhorar a estabilidade e aumentar a aderência em superfícies escorregadias.
Segundo a Nissan, a gestão eletrónica permite respostas extremamente rápidas às alterações das condições de condução, nomeadamente em pisos molhados, com neve ou gelo.
É uma abordagem diferente da tração integral tradicional, que depende de componentes mecânicos para transmitir potência entre os eixos.
N-Trek: a versão que não tem medo de sujar os bancos
É na versão N-Trek que a renovação do X-Trail assume uma personalidade mais vincada.
A Nissan introduziu detalhes vermelhos nos para-choques, barras de tejadilho pretas, uma identificação específica da marca em preto e vermelho e até uma referência ao Monte Fuji na tampa da bagageira.
O equipamento inclui ainda um tejadilho panorâmico, enquanto os bancos recebem revestimentos CellCloth, um material impermeável pensado para resistir melhor à água e à sujidade.
Na bagageira, os tapetes de borracha reversíveis procuram facilitar a vida a quem transporta equipamentos desportivos, botas enlameadas ou outros objetos associados às atividades ao ar livre.
São pormenores que reforçam a vocação familiar do modelo, mas também procuram recuperar parte do espírito aventureiro que marcou o X-Trail original.
Novo visual e espaço para sete passageiros
A atualização estende-se às restantes versões, com uma grelha dianteira redesenhada, uma interpretação mais larga da assinatura V-Motion, jantes de 19 polegadas e novos elementos de iluminação LED na traseira.
A paleta de cores passa a incluir Azul Universal e Bege Escuro, com possibilidade de combinação bicolor.
No habitáculo, destacam-se o sistema de informação e entretenimento e o painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, além de equipamentos como bancos aquecidos, para-brisas aquecido e climatização de três zonas.
A configuração pode acomodar até sete passageiros, mantendo o X-Trail entre as propostas destinadas a famílias que precisam de maior versatilidade.
Um quarto de século depois da estreia, a fórmula continua reconhecível: espaço, conforto e capacidade para sair do asfalto quando necessário.
A diferença é que, agora, o X-Trail procura conciliar essa identidade com uma condução eletrificada e um nível de tecnologia que seria difícil imaginar quando a primeira geração chegou às estradas.
A Nissan tem mais histórias para contar
O X-Trail não é o único Nissan em destaque na ‘Automonitor’. Já acompanhámos o regresso do PIXO como elétrico, a transformação do Juke, o futuro do lendário Skyline e a nova vida elétrica do Micra. Quatro modelos que mostram como a marca japonesa procura reinventar-se sem esquecer a sua história.






