A Audi encontrou uma solução pouco habitual para lidar com o excesso de trabalhadores nas suas fábricas alemãs: “emprestá-los” temporariamente a empresas da indústria da defesa que, pelo contrário, estão à procura de mão de obra qualificada.
A marca das quatro argolas confirmou a criação de um modelo de destacamento regional temporário que permitirá a funcionários voluntários trabalhar em empresas do setor da defesa na Baviera. Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, entre os potenciais destinos estarão grupos como Airbus, MBDA e Diehl.
Na prática, o princípio aproxima-se dos empréstimos utilizados no futebol: quando a Audi não tem trabalho suficiente para determinados funcionários, estes podem passar temporariamente para outra empresa, mantendo o vínculo laboral à fabricante automóvel.
Continuam funcionários da Audi
O sistema é voluntário e, pelo menos numa primeira fase, terá caráter regional. Os trabalhadores continuam contratados pela Audi, mas passam temporariamente a desempenhar funções noutras empresas.
A solução permite à fabricante reduzir o impacto do excesso de capacidade nas suas unidades alemãs sem avançar imediatamente para despedimentos, ao mesmo tempo que fornece à indústria da defesa técnicos, engenheiros e outros profissionais habituados aos exigentes processos da produção automóvel.
A Audi não revelou quantos funcionários poderão participar, durante quanto tempo decorrerão os destacamentos ou quais serão as condições financeiras do acordo.
Também não identificou oficialmente as empresas que receberão os trabalhadores. A publicação Automobilwoche aponta, no entanto, nomes como Airbus, MBDA e Diehl.
Da indústria automóvel para a defesa
A iniciativa surge numa altura em que o Grupo Volkswagen enfrenta excesso de capacidade e procura reduzir custos na Alemanha, enquanto a indústria europeia da defesa aumenta a produção e necessita de mais trabalhadores especializados.
A transferência poderá abranger perfis como gestores de projeto, engenheiros de qualidade, técnicos e especialistas de produção, competências que podem ser aproveitadas fora do setor automóvel.
O modelo levanta, contudo, uma questão pouco habitual para os próprios trabalhadores: alguém que até agora estava ligado à produção de automóveis poderá passar temporariamente a trabalhar em equipamentos militares, incluindo sistemas de armamento.
Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, a mudança também coloca questões éticas e culturais, mesmo tratando-se de um programa voluntário.
Automóveis e defesa estão cada vez mais próximos
A aproximação entre os dois setores não se limita à Audi.
Fabricantes e fornecedores da indústria automóvel europeia têm demonstrado interesse crescente em contratos relacionados com a defesa, aproveitando conhecimentos de produção em grande escala, engenharia e cadeias de fornecimento.
Já existem igualmente exemplos de linhas associadas ao setor automóvel adaptadas à produção de drones e de outros equipamentos destinados à defesa.
A experiência da Audi poderá agora mostrar se o empréstimo temporário de trabalhadores é apenas uma solução localizada para as fábricas alemãs ou se pode tornar-se num modelo utilizado por outros fabricantes europeus confrontados simultaneamente com excesso de capacidade e pressão para reduzir custos.






