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Uma criança precisava de chegar ao hospital, mas as luzes da pista falharam. Então uma aldeia inteira ligou os carros

Francisco Laranjeira

Igiugig tem cerca de 70 habitantes e fica numa zona remota do Alasca

Igiugig tem cerca de 70 habitantes e fica numa zona remota do Alasca. Quando uma criança precisou de ser transportada de emergência para um hospital, surgiu um problema que podia impedir a chegada do avião: as luzes da pista de aterragem não funcionavam.

A solução veio dos próprios habitantes.

Segundo recorda agora a ‘Supercar Blondie’, dezenas de moradores pegaram nos carros e veículos todo-o-terreno, dirigiram-se ao pequeno aeroporto e usaram os faróis para iluminar a pista.

A história aconteceu em agosto de 2020, numa região onde as enormes distâncias tornam o transporte aéreo particularmente importante. A cidade de referência mais próxima ficava a cerca de 450 quilómetros.

O avião estava ali, mas não conseguia aterrar

Ida Nelson, responsável administrativa da tribo local, percebeu que algo estava errado quando viu um avião da LifeMed voar a baixa altitude sem conseguir aterrar.

Ao contactar o aeroporto, descobriu que existia um problema com a iluminação da pista.

Era necessário encontrar rapidamente uma alternativa.

Uma vizinha fez 32 telefonemas a habitantes da comunidade e, pouco depois, começaram a chegar veículos ao aeroporto.

Os moradores alinharam os carros e veículos todo-o-terreno ao longo de um dos lados da pista, colocando-os junto dos pontos de iluminação e preenchendo os espaços entre eles.

Depois ligaram os faróis.

Os carros transformaram-se nas luzes da pista

A improvisação resultou.

Com os veículos a assinalarem a pista, o avião conseguiu finalmente aterrar. A criança foi colocada a bordo e transportada para um hospital em Anchorage.

Para quem vive em Igiugig, a mobilização não pareceu particularmente extraordinária.

“É uma coisa normal acontecer aqui, numa comunidade tão pequena”, explicou posteriormente Ida Nelson à CNN. “O que estou a descobrir é que para as outras pessoas é extraordinário. Para nós, é uma coisa normal.”

Naquela noite, porém, os carros dos habitantes de uma aldeia de apenas 70 pessoas deixaram de servir apenas para os transportar.

Durante alguns minutos, tornaram-se numa pista de aterragem.