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Era para ressuscitar uma das marcas mais luxuosas do mundo. Fizeram os carros… e depois tudo desapareceu

Automonitor

Décadas depois de ter deixado de produzir automóveis, alguém decidiu que estava na altura de a Isotta Fraschini regressar. O plano era ambicioso: recuperar um dos grandes nomes italianos do luxo com um novo GT, produzir milhares de unidades e conquistar novamente clientes na Europa e nos EUA

Houve um tempo em que o nome Isotta Fraschini pertencia ao universo mais exclusivo do automóvel. Os seus enormes e luxuosos carros transportaram aristocratas, milionários e estrelas de Hollywood e chegaram a disputar clientes com marcas como Rolls-Royce.

Décadas depois de ter deixado de produzir automóveis, alguém decidiu que estava na altura de a Isotta Fraschini regressar. O plano era ambicioso: recuperar um dos grandes nomes italianos do luxo com um novo GT, produzir milhares de unidades e conquistar novamente clientes na Europa e nos EUA.

O carro chegou mesmo a existir. Chamava-se Isotta Fraschini T8, foi apresentado em 1996 e escondia debaixo da carroçaria italiana boa parte da tecnologia de um Audi A8.

O projeto, porém, praticamente desapareceu tão depressa como tinha surgido.

Uma marca que já fazia carros há mais de um século

Fundada em Milão em 1900, a Isotta Fraschini começou por importar automóveis antes de passar à produção própria e tornar-se um dos nomes mais prestigiados da indústria italiana.

Durante as décadas de 1920 e 1930, os seus automóveis eram produtos de enorme luxo, construídos para alguns dos clientes mais ricos do mundo. O Tipo 8, lançado no início dos anos 20, tornou-se particularmente emblemático e ajudou a colocar a marca entre os grandes fabricantes de luxo da época.

A produção de automóveis terminaria em 1949. Durante décadas, Isotta Fraschini tornou-se essencialmente um nome da história.

Até aos anos 90.

O regresso tinha um V8 do Audi A8

Depois de os direitos sobre a marca terem sido adquiridos pela Fissore, nasceu um plano para colocar novamente Isotta Fraschini nas estradas.

O resultado apareceu publicamente no Salão Automóvel de Genebra de 1996. Chamava-se T8 e recuperava deliberadamente a designação do histórico Tipo 8.

O desenho ficou a cargo de Tom Tjaarda, designer associado a automóveis como o De Tomaso Pantera, e a proposta assumia a forma de um luxuoso GT 2+2, disponibilizado como coupé e descapotável.

Mas construir de raiz toda a mecânica de um automóvel desta natureza seria dispendioso. A solução passou por recorrer à Audi.

Por baixo da carroçaria de alumínio encontrava-se tecnologia proveniente do Audi A8, incluindo um V8 4.2 com cerca de 300 cv, além de componentes da transmissão, suspensão e travões. O T8 dispunha também de tração integral.

O objetivo, contudo, não era vender meia dúzia de carros artesanais.

Queriam chegar aos 5.000 carros por ano

Os planos divulgados na altura apontavam para uma produção que poderia chegar às 5.000 unidades anuais, com Europa e EUA entre os mercados prioritários.
E o T8 deveria ser apenas o começo.

Em 1998 surgiu o T12, uma proposta ainda mais ambiciosa, associada a um motor V12 com aproximadamente 400 cv. Parecia ser o passo seguinte na reconstrução de uma Isotta Fraschini capaz de voltar a disputar o mercado dos automóveis de grande luxo.

Nada disso aconteceu.

A empresa entrou em dificuldades financeiras e o projeto colapsou. Em 1999, a tentativa de ressuscitar a produção automóvel da Isotta Fraschini chegava ao fim.
Os T8 e T12 nunca passaram verdadeiramente da fase de protótipo.

Mas os carros sobreviveram

A história poderia ter terminado aí — e os próprios automóveis poderiam ter desaparecido.

Não aconteceu.

Segundo a coleção de Corrado Lopresto, conhecida pela preservação de protótipos e automóveis históricos italianos, os carros e vários elementos associados ao projeto foram salvos quando a aventura empresarial chegou ao fim.

Entre os sobreviventes encontram-se exemplares do T8, posteriormente restaurados. A coleção refere a construção de quatro protótipos, dois equipados com mecânica Audi e outros dois com motores provenientes do Ford Mustang.

Mais de três décadas depois da apresentação em Genebra, esses automóveis são praticamente tudo o que resta de uma tentativa extraordinariamente ambiciosa.

A Isotta Fraschini queria recuperar um nome que, muitas décadas antes, estivera entre os mais prestigiados do mundo automóvel. Tinha o carro, tinha os protótipos e chegou a anunciar planos para milhares de unidades.