<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Carros a 240 km/h, capotamentos e milhões de quilómetros: conheça a pista de testes mais antiga do mundo

Automonitor

Instalação tornou-se o primeiro centro da indústria automóvel criado especificamente para testar veículos e continua em funcionamento mais de 100 anos depois

Há um lugar no Michigan onde automóveis são acelerados a mais de 240 km/h, atirados para pisos degradados, sujeitos a temperaturas extremas, capotados e levados repetidamente até aos limites.

E fazem-no há mais de um século.

Em 25 de setembro de 1924, a General Motors abriu o Milford Proving Ground, nos arredores de Detroit. A instalação tornou-se o primeiro centro da indústria automóvel criado especificamente para testar veículos e continua em funcionamento mais de 100 anos depois.

Por ali passaram praticamente todos os automóveis, SUV e pick-ups desenvolvidos pela General Motors ao longo de várias gerações. E algumas coisas que hoje consideramos normais num automóvel começaram precisamente nestas instalações.

Começou com 8,9 quilómetros. Hoje tem quase 240

Quando Milford abriu, ocupava 1.125 acres, tinha apenas dois edifícios e cerca de 8,9 quilómetros de estradas de teste.

Hoje parece quase uma pequena cidade.

O complexo ultrapassa os 4.000 acres — aproximadamente 1.620 hectares —, conta com mais de 150 edifícios e dispõe de quase 240 quilómetros de estradas e pistas. Todos os anos, os veículos em desenvolvimento percorrem ali mais de 24 milhões de quilómetros em testes.

Há asfalto, gravilha, subidas acentuadas, pisos irregulares e instalações onde os engenheiros conseguem simular condições ambientais extremas.

A temperatura pode variar entre aproximadamente -40 ºC e 54 ºC, enquanto também podem ser simuladas diferentes altitudes, níveis de humidade e ventos que ultrapassam os 160 km/h.

Uma pista feita com pedaços de circuitos famosos

Uma das zonas mais curiosas é o Milford Road Course.

Tem cerca de 4,7 quilómetros e foi concebido para reproduzir características encontradas em diferentes circuitos de competição de todo o mundo.

São 17 curvas, cada uma criada para colocar diferentes características do automóvel à prova, e uma reta onde é possível ultrapassar os 240 km/h.

Há ainda Black Lake, uma gigantesca superfície asfaltada de cerca de 27 hectares — o equivalente, segundo a GM, a 51 campos de futebol — utilizada para testes de dinâmica dos veículos em diferentes condições.

Mas Milford não ficou famoso apenas pela velocidade.

Foi aqui que começaram a capotar carros de propósito

Em 1934, a General Motors realizou em Milford os primeiros testes de capotamento.

Os métodos estavam muito longe da sofisticação atual. Nos primeiros ensaios, os engenheiros chegavam a empurrar automóveis por uma rampa e deixavam-nos descer uma encosta para estudar os danos provocados pelo acidente.

Os primeiros testes de colisão contra barreiras eram ainda mais rudimentares: segundo a própria GM, um engenheiro conduzia o automóvel em direção a uma parede e tinha de saltar do veículo antes do impacto.

Mais tarde chegaram comandos remotos, sensores, câmaras e manequins de testes. Atualmente, grande parte do desenvolvimento começa em simulação, mas os veículos reais continuam a ser destruídos para validar os resultados.

Das barreiras de segurança às cadeirinhas para crianças

Milford acabou também por funcionar como laboratório para tecnologias que ultrapassaram os próprios automóveis da General Motors.

Segundo a empresa, foi ali que foram desenvolvidas barreiras metálicas destinadas a impedir que um veículo descontrolado invadisse a faixa de rodagem contrária. Atualmente existem mais de 200 quilómetros dessas barreiras dentro do próprio complexo.

Em 1969 surgiu também em Milford o chamado “infant love seat”, um dos primeiros sistemas desenvolvidos especificamente para transportar crianças e que serviria de referência para futuras cadeiras infantis.

E nos anos 1930, os engenheiros da GM desenvolveram a Hydra-Matic, considerada a primeira transmissão automática produzida em massa, submetendo-a a extensos testes rodoviários precisamente em Milford.

Todos os Corvette passaram por aqui

Há ainda um automóvel particularmente ligado à pista.

Quando o primeiro Chevrolet Corvette apareceu em 1953, Milford fez parte do seu desenvolvimento. Desde então, todas as gerações do desportivo passaram pelas instalações antes de chegarem à estrada.

Isso inclui o Corvette ZR1 apresentado para 2025, com 1.064 cv.

Mas Milford não testou apenas carros de produção.

Durante a II Guerra Mundial, o complexo foi utilizado para testar mais de 680 tipos diferentes de veículos militares. Décadas mais tarde, serviu também para experiências com automóveis autónomos e tornou-se um dos locais de desenvolvimento do Super Cruise, o sistema de assistência à condução sem mãos da General Motors.

Uma pequena cidade dedicada a tentar encontrar problemas

O tamanho atual ajuda a perceber o que Milford se tornou.

O complexo possui a sua própria subestação elétrica, estação de tratamento de águas residuais, bombeiros e equipas de emergência, além de instalações médicas que funcionam 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Mais de 4.000 pessoas trabalham atualmente no local.

E a missão permanece, no essencial, semelhante à de 1924: descobrir os problemas de um automóvel antes de o cliente descobrir que eles existem.

Mudaram os carros, chegaram os elétricos, os computadores, a condução assistida e as simulações digitais. Mas Milford continua a fazer aquilo para que foi criado há mais de 100 anos: levar os automóveis ao limite para perceber o que acontece quando alguma coisa corre mal.