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A viagem de Primeira Classe já não acaba no avião: há um Mercedes-Maybach à espera neste aeroporto

Francisco Laranjeira

No Aeroporto de Sydney, há agora quem faça uma parte desse percurso de maneira bastante diferente. Em vez do habitual transfer entre terminais, alguns passageiros de Primeira Classe da Qantas são recebidos por um funcionário e conduzidos até um Mercedes-Maybach que os espera para os transportar até à ligação seguinte

Quem já teve de fazer uma ligação num grande aeroporto conhece o ritual: sair de um avião, descobrir onde fica o terminal seguinte, seguir placas, procurar o transporte certo e, muitas vezes, entrar num autocarro cheio de passageiros e malas.

No Aeroporto de Sydney, há agora quem faça uma parte desse percurso de maneira bastante diferente. Em vez do habitual transfer entre terminais, alguns passageiros de Primeira Classe da Qantas são recebidos por um funcionário e conduzidos até um Mercedes-Maybach que os espera para os transportar até à ligação seguinte.

A experiência, relatada pelo ‘El Economista’, faz parte de um teste de três meses lançado pela companhia aérea australiana em parceria com a Mercedes-Benz Australia/Pacific e o Aeroporto de Sydney. Decorre entre setembro e novembro e liga o Terminal 1, internacional, ao Terminal 3, utilizado pela Qantas nos voos domésticos.

E há uma diferença importante: não basta comprar um bilhete de Primeira Classe e exigir as chaves do Maybach.

A Qantas está a disponibilizar o serviço apenas a passageiros selecionados da sua First Class que estejam a fazer a ligação entre os dois terminais. A companhia não revelou publicamente quais são exatamente os critérios utilizados para decidir quem recebe o tratamento especial.

Para esses passageiros, o processo começa à chegada. Um funcionário da Qantas recebe o cliente e acompanha-o até ao Mercedes-Maybach, que realiza o percurso entre os terminais pelo lado operacional do aeroporto. Segundo a companhia, trata-se do primeiro serviço de transfer entre terminais com motorista deste género disponibilizado por uma companhia aérea na Austrália.

O contraste com a experiência habitual é considerável. A própria Qantas explica que o seu serviço regular de transfer entre os terminais T1 e T3 utiliza autocarros que partem aproximadamente a cada dez minutos e demoram cerca de 15 minutos a completar o percurso. Existe também o T-Bus gratuito do Aeroporto de Sydney, além de comboio, táxi e serviços como a Uber.

Mas o objetivo do Maybach não é apenas oferecer alguns minutos de luxo depois de muitas horas dentro de um Airbus A380.

A Qantas afirma que estudos realizados junto dos seus clientes de Primeira Classe mostraram que estes valorizam sobretudo ligações mais rápidas e simples e a possibilidade de passarem mais tempo nos lounges em vez de estarem em trânsito pelo aeroporto. O teste servirá precisamente para recolher opiniões e decidir o que acontecerá ao serviço depois de novembro.

E o automóvel escolhido dificilmente poderia ser mais adequado ao público.

Entre os veículos associados ao serviço está o Mercedes-Maybach EQS SUV, o primeiro modelo de produção totalmente elétrico da Maybach. Baseado na arquitetura do EQS SUV, foi desenvolvido precisamente para transformar os lugares traseiros numa espécie de sala de luxo sobre rodas, com especial atenção ao conforto acústico e à suspensão.

Na versão Mercedes-Maybach EQS 680 SUV, o sistema de propulsão elétrica entrega 484 kW, equivalentes a 658 cv, e 950 Nm de binário. Apesar das dimensões e do peso, consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 4,4 segundos. A Mercedes anuncia atualmente um consumo combinado entre 22 e 24,1 kWh/100 km.

Naturalmente, nenhuma dessa potência será particularmente necessária para atravessar um aeroporto.

O que interessa aqui está atrás: isolamento acústico, conforto, espaço e a possibilidade de trocar o ambiente de um terminal por alguns minutos dentro de um dos SUV elétricos mais luxuosos da Mercedes.

O serviço destina-se a clientes selecionados da Primeira Classe da Qantas, disponível nos Airbus A380 que a companhia utiliza em ligações internacionais como Londres, Singapura, Los Angeles, Dallas e Joanesburgo.

A ideia também mostra até onde chegou a competição pela experiência dos passageiros que ocupam os lugares mais caros de um avião. Há muito que a Primeira Classe deixou de ser apenas uma questão de ter uma cadeira maior, melhor comida ou champanhe a bordo. O tratamento começa antes da descolagem, continua nos lounges e, cada vez mais, acompanha o passageiro nos momentos menos glamorosos da viagem.

É precisamente aí que entra este Maybach.

Para a maioria dos passageiros que aterra em Sydney e precisa de mudar de terminal, continuam disponíveis os autocarros, o comboio ou outros transportes. Para alguns dos que chegam na ponta da frente de um A380 da Qantas, durante estes três meses a próxima ligação pode começar de outra maneira.

Com alguém à espera à chegada e um Mercedes-Maybach estacionado lá fora.