À primeira vista, parece que alguém pegou numa fotografia de um Fiat Panda e a comprimiu até quase desaparecer. Mas não há qualquer truque de edição: este carro existe, anda e mede apenas 50,20 centímetros de largura.
É um Fiat Panda de 1993 transformado pelo mecânico italiano Andrea Marazzi e acaba de ganhar um lugar no Guinness World Records como o carro conduzível mais estreito do mundo. O projeto chama-se, apropriadamente, “Panda per Uno” — Panda para Um.
Tudo começou, lembrou o site ‘L’Automobile Magazine’, com um Panda que chegou em 2024 à empresa de desmantelamento automóvel da família Marazzi, em Bagnolo Cremasco, no norte de Itália. Em vez de o mandar definitivamente para a sucata, Andrea decidiu dar-lhe uma segunda vida.
Só que uma bastante diferente da primeira.
O objetivo era construir um automóvel com apenas 50,20 centímetros de largura. Para perceber a dimensão do feito, um Fiat Panda de primeira geração mede cerca de 1,46 metros de largura. Até o minúsculo Peel P50, famoso pelas suas dimensões reduzidas, ronda os 99 centímetros.
Andrea Marazzi passou cerca de um ano a transformar o carro.
Andrea Marazzi has built the world's narrowest drivable car.
At just 50.20 cm wide, parking this thing should be easy…#GWR2027 pic.twitter.com/B4UeBkdXxa
— Guinness World Records (@GWR) September 10, 2026
Retirou portas e painéis laterais, cortou a estrutura e voltou a unir as duas metades, tendo de garantir que ficavam perfeitamente simétricas. Foram ainda fabricados componentes específicos para o capot, tejadilho e porta traseira.
Apesar da transformação radical, cerca de 90% do “Panda per Uno” continua a ser composto por peças provenientes do automóvel original, segundo o Guinness World Records.
E basta olhar para ele para perceber que Marazzi quis preservar a identidade do Panda.
A frente continua imediatamente reconhecível, tal como vários elementos da carroçaria. Só que tudo parece ter sido esmagado lateralmente até restar pouco mais do que espaço suficiente para uma pessoa.
No interior há apenas um banco, colocado ao centro, acompanhado por um sistema de direção reduzido às novas dimensões. As luzes e os indicadores de mudança de direção continuam a funcionar.
O motor original, contudo, teve de desaparecer.
Com tão pouco espaço disponível, Marazzi instalou um pequeno motor elétrico e baterias. Não espere prestações de um Abarth: a velocidade máxima é de apenas 15 km/h.
Talvez seja melhor assim.
O próprio Guinness assinala que a estabilidade em curva não é propriamente um dos pontos fortes desta criação. Ainda assim, o requisito fundamental está cumprido: o carro desloca-se pelos seus próprios meios e pode efetivamente ser conduzido.
O “Panda per Uno” nasceu também da ligação de Marazzi ao universo deste pequeno Fiat. O italiano participa há vários anos no “Panda a Pandino”, um encontro dedicado ao modelo realizado na localidade de Pandino, perto da oficina da família. Foi precisamente a pensar numa edição desse evento que começou a desenhar a ideia.
E este está longe de ser o único Panda italiano a ter uma segunda vida pouco convencional.
Neste universo já apareceram versões encurtadas, exemplares transformados em verdadeiros “monster trucks” e outras experiências mecânicas construídas a partir da simplicidade do Panda original. O próprio Marazzi colocou este ano uma carroçaria de Panda sobre a transmissão de um trator Landini dos anos 1980.
Mas nenhum deles é tão estreito como este.
Com 50,20 centímetros de largura, quatro rodas, um único lugar e uma velocidade máxima de 15 km/h, aquele Fiat Panda que estava destinado a ser desmontado acabou por conseguir precisamente o contrário: tornar-se suficientemente especial para entrar no Guinness World Records.






