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Volkswagen quebra 50 anos de tradição: o GTI mais potente de sempre é elétrico

Francisco Laranjeira

Novo Volkswagen ID.3 GTI mantém os 322 cv do modelo que substitui, mas passa a integrar uma família que durante décadas esteve associada aos desportivos compactos com motor de combustão. E traz outra estreia: é o primeiro Volkswagen GTI de tração traseira

O GTI mais potente alguma vez criado pela Volkswagen é elétrico. O novo ID.3 GTI chega com 322 cv, 545 Nm de binário e até 601 quilómetros de autonomia, levando uma das três siglas mais famosas da história da marca para um território onde nunca tinha estado.

O modelo substitui o ID.3 GTX, lançado há pouco mais de dois anos, e torna-se também no primeiro GTI de sempre com tração traseira. Segundo o ‘Motor1’, chegará ao mercado europeu na primavera de 2027.

O GTI mais potente de sempre é elétrico

A Volkswagen não aproveitou a mudança de GTX para GTI para aumentar a potência. O motor elétrico continua a debitar 322 cv e 545 Nm de binário, valores suficientes, ainda assim, para superar por um cavalo o Golf GTI Edition 50.

Também não há alterações nas prestações. O ID.3 GTI acelera dos 0 aos 100 km/h em 5,6 segundos e atinge uma velocidade máxima de 200 km/h, limitada eletronicamente.

A grande diferença relativamente à tradição GTI está na forma como a potência chega ao asfalto. O ID.3 continua baseado na plataforma MEB e mantém o motor instalado no eixo traseiro, tornando este no primeiro automóvel com a sigla GTI e tração traseira.

É também o segundo elétrico da Volkswagen a receber estas três letras, depois do mais pequeno ID. Polo GTI.

601 quilómetros de autonomia e carregamento em 29 minutos

A energia é fornecida por uma bateria de iões de lítio com 79 kWh de capacidade útil. A Volkswagen estima uma autonomia de até 601 quilómetros em ciclo WLTP, mais cerca de 10 quilómetros do que o anterior ID.3 GTX.

Nos postos de carregamento rápido em corrente contínua, a potência pode chegar aos 183 kW, permitindo passar dos 10 aos 80% da bateria em aproximadamente 29 minutos.

A transformação em GTI acompanha ainda a atualização do restante ID.3. Na dianteira surgem para-choques de desenho mais agressivo, os tradicionais apontamentos vermelhos GTI, elementos em preto brilhante e luzes diurnas LED verticais.

De perfil, as antigas inscrições GTX dão lugar aos emblemas GTI e aparecem novas jantes de 20 polegadas, equipadas de série com pneus de 225 mm, podendo receber opcionalmente pneus de 235 mm.

Na traseira, a nova identificação GTI surge numa tampa da bagageira pintada na cor da carroçaria. O tejadilho abandona igualmente o contraste em preto e passa a acompanhar a cor exterior.

Volkswagen ouviu as críticas e devolveu os botões

É no habitáculo que surge uma das alterações mais curiosas. Depois de anos de críticas aos comandos táteis dos primeiros modelos ID., a Volkswagen está a recuperar controlos físicos.

O volante volta a ter botões convencionais, há um comando físico para o volume e regressam comandos dedicados para os vidros traseiros. A consola central recebe também uma fila própria de botões, desaparecendo o controverso comando tátil colocado por baixo do ecrã central.

O pequeno painel de instrumentos do anterior ID.3 é substituído por um ecrã digital de 10,25 polegadas, acompanhado por um sistema de infoentretenimento de 12,9 polegadas.

Como seria de esperar num GTI, há bancos dianteiros mais envolventes e vários apontamentos vermelhos espalhados pelo habitáculo.

Há até um “motor” que não existe

A Volkswagen criou ainda um modo de condução específico GTI, que coloca os diferentes sistemas na configuração mais desportiva e permite utilizar o launch control.

Há, contudo, uma concessão à nostalgia: quando este modo é ativado, o automóvel pode reproduzir um som artificial destinado a recriar parte da experiência sonora de um Golf GTI, apesar de não existir qualquer motor de combustão debaixo do capô.

É mais um sinal de como a Volkswagen está a tentar transportar a identidade GTI para a era elétrica. O ID.3 GTI chega à Europa na primavera de 2027 e, depois do ID. Polo GTI, confirma que as três letras mais conhecidas da gama Volkswagen já deixaram de ser exclusivas dos motores a gasolina.

Ficha técnica — Volkswagen ID.3 GTI

Motorização: elétrica
Potência: 322 cv
Binário: 545 Nm
Tração: traseira
Bateria útil: 79 kWh
Autonomia WLTP estimada: 601 km
0–100 km/h: 5,6 segundos
Velocidade máxima: 200 km/h (limitada eletronicamente)
Carregamento DC máximo: 183 kW
Carregamento 10–80%: cerca de 29 minutos
Jantes: 20 polegadas
Pneus: 225 mm; 235 mm em opção
Chegada à Europa: primavera de 2027
Preço: ainda não anunciado