Uma paisagem que aparece durante alguns segundos. Um edifício que nunca tinha visto. Um automóvel clássico a passar no sentido contrário. Ou simplesmente qualquer coisa que gostaria de guardar, mas que surge no pior momento possível: quando está ao volante e as mãos devem continuar precisamente onde estão.
A Toyota está a estudar uma solução curiosa para esse problema: deixar o próprio carro tirar a fotografia.
Segundo revelou a ‘Car and Driver’, a marca japonesa apresentou nos EUA uma patente para um sistema capaz de perceber para onde o condutor está a olhar e utilizar as câmaras exteriores do automóvel para registar aquilo que lhe chamou a atenção.
O carro olha para os seus olhos
A ideia consta da patente US 2026/0261754 A1, intitulada “Systems and Methods for Capturing Driver-Relevant Road Scene Information”, publicada no início de setembro.
O sistema cruza dois tipos de câmaras.
Uma câmara no interior acompanha a posição da cabeça ou dos olhos do condutor e ajuda o automóvel a determinar para onde este está a olhar. As câmaras exteriores podem depois registar imagens dessa zona. A própria documentação da patente prevê explicitamente que a posição ou direção dos olhos seja utilizada para ajustar a câmara exterior.
Ou seja: se alguma coisa lhe chamou a atenção à beira da estrada, o automóvel poderá saber aproximadamente onde deve apontar.
Mas não basta olhar para tirar uma fotografia
Há aqui uma diferença importante.
A patente não significa necessariamente que o carro vá fotografar tudo aquilo para onde olha. O condutor poderá indicar que pretende guardar determinada imagem através de um comando de voz ou de um botão.
Mas a Toyota vai mais longe.
Segundo a ‘Car and Driver’, o sistema poderá receber previamente instruções sobre aquilo que interessa ao condutor. Um dos exemplos utilizados é pedir ao automóvel que fotografe carros clássicos encontrados durante uma viagem.
Imagine fazer uma viagem e dizer ao carro que quer guardar os castelos, carros clássicos ou determinados pontos de interesse que encontrar pelo caminho.
Em teoria, deixa de precisar de pegar no telemóvel sempre que aparece alguma coisa que gostaria de recordar.
E as fotografias não ficam necessariamente no carro
A patente prevê que as imagens recolhidas possam ser armazenadas num dispositivo móvel separado das câmaras e associadas a informação sobre o local onde foram captadas.
Há ainda possibilidades mais sofisticadas. A documentação descreve a utilização de várias câmaras para recolher diferentes imagens de uma mesma cena, enquanto a Car and Driver refere a possibilidade de essas perspetivas serem combinadas para produzir representações tridimensionais.
Significa que o próximo Toyota vai fazer isto?
Não.
Este é o ponto fundamental: estamos perante um pedido de patente, não perante uma tecnologia anunciada para um modelo de produção.
As marcas automóveis registam regularmente ideias que nunca chegam aos carros vendidos ao público. Não existe, para já, uma data de lançamento nem um modelo Toyota anunciado com esta funcionalidade.
Mas a patente mostra uma utilização curiosa para a enorme quantidade de câmaras que começa a rodear os automóveis modernos.
Hoje servem sobretudo para estacionamento, sistemas de segurança e assistência à condução.
A Toyota imagina outra função: guardar aquele momento que viu durante dois segundos pela janela e que, por estar a conduzir, não conseguiu fotografar.






