Portugal já está entre os mercados que mais avançaram na adoção dos veículos elétricos. E há um número que ajuda a perceber a dimensão da mudança: 35% dos automóveis e veículos comerciais ligeiros novos vendidos no país em 2025 foram elétricos.
Os dados constam do EV Charging Index 2026, agora divulgado pela consultora Roland Berger, que coloca Portugal no 7.º lugar entre os 34 mercados analisados em matéria de adoção da mobilidade elétrica.
Mas o estudo mostra também que a corrida está a entrar numa segunda fase.
À medida que aumenta o número de elétricos nas estradas, já não basta multiplicar os pontos onde podem ser ligados à ficha. Os condutores querem carregar mais depressa — e os carregadores rápidos e ultrarrápidos estão a assumir um peso cada vez maior nas redes públicas.
Portugal já é 7.º entre 34 mercados
Segundo os dados divulgados pela Roland Berger, os veículos elétricos representaram 35% das vendas portuguesas de automóveis e comerciais ligeiros novos em 2025.
O resultado coloca Portugal no 7.º lugar entre os 34 mercados avaliados pelo EV Charging Index.
“Portugal já está entre os mercados mais avançados na adoção da mobilidade elétrica, com níveis de penetração superiores aos de várias economias europeias de maior dimensão”, destaca Pedro Galhardas, Managing Partner da Roland Berger Portugal.
A tendência não é exclusivamente portuguesa.
As vendas mundiais de veículos elétricos cresceram mais de 20% no último ano e ultrapassaram 21 milhões de unidades nos mercados considerados pelo estudo.
Feitas as contas, aproximadamente um em cada quatro veículos novos vendidos já é elétrico.
E o parque mundial ultrapassou os 73 milhões de unidades em 2025, correspondendo a mais de 5% dos automóveis e comerciais ligeiros em circulação nos mercados analisados.
O problema começa a deixar de ser apenas encontrar um carregador
Quanto mais elétricos chegam às estradas, maior é a pressão sobre a infraestrutura que os alimenta.
A rede pública continuou a crescer em 2025 e atingiu 6,4 milhões de pontos de carregamento nos mercados analisados pela Roland Berger.
Só no último ano foram acrescentados cerca de 1,1 milhões.
Parece muito, mas representa uma desaceleração face aos aproximadamente 1,3 milhões de novos pontos instalados em cada um dos dois anos anteriores.
A consultora não interpreta esta redução como um sinal de travagem dos elétricos. Considera antes que alguns dos mercados mais desenvolvidos estão a entrar numa fase de maior maturidade.
E a prioridade começa a mudar.
Em vez de simplesmente acrescentar tomadas, torna-se cada vez mais importante aumentar a potência disponível e reduzir o tempo que cada automóvel precisa de permanecer ligado.
Quase metade dos condutores aponta o mesmo problema
É precisamente aí que os utilizadores continuam a encontrar dificuldades.
Segundo o EV Charging Index 2026, 47% dos condutores indicam os tempos de carregamento e a potência disponível entre os aspetos menos satisfatórios da experiência de carregamento público.
Ao mesmo tempo, 45% consideram que a infraestrutura pública disponível continua a ser insuficiente.
“À medida que a eletrificação ganha escala, o principal desafio passa a ser o de garantir que a infraestrutura acompanha esse crescimento”, sublinha Pedro Galhardas.
“A expansão do carregamento rápido e ultrarrápido será determinante para sustentar o desenvolvimento do mercado nos próximos anos”, acrescenta.
Europa acelera nos ultrarrápidos
E essa transformação já começou.
A proporção de carregadores rápidos está a aumentar em todas as regiões analisadas.
Na Europa, mais de metade dos equipamentos classificados como rápidos são atualmente ultrarrápidos, uma proporção que, segundo a Roland Berger, duplicou nos últimos cinco anos.
Na China, os carregadores rápidos representam já quase metade de toda a rede pública.
É mais um indicador da vantagem que o mercado chinês continua a apresentar nesta transição.
Na China, metade dos novos já são elétricos
Se Portugal aparece no grupo da frente, a China continua a definir o ritmo.
Em 2025, os veículos elétricos atingiram uma taxa de penetração de 50% nas vendas de veículos novos no mercado chinês, segundo os dados apresentados pela Roland Berger.
Os fabricantes chineses são apontados pela consultora como uma das principais forças por detrás da transformação mundial do setor, através da redução do preço dos veículos, da expansão para outros mercados e da crescente pressão concorrencial sobre os fabricantes tradicionais.
Essa influência já se sente particularmente na Europa, Sudeste Asiático e Turquia.
E a dimensão doméstica continua a ser difícil de igualar: cerca de nove em cada dez veículos elétricos vendidos na região Ásia-Pacífico em 2025 foram comercializados na China.
Uma nova fase para os elétricos
O cenário não é igual em todo o mundo.
Europa e Ásia-Pacífico continuam a liderar a expansão, enquanto a América do Norte e o Japão registaram um abrandamento na adoção, segundo o relatório.
Ainda assim, a Roland Berger considera que a tendência estrutural continua a ser de crescimento.
Para Portugal, a posição no ranking mostra até onde chegou a adoção. Mas também antecipa aquilo que vem a seguir.
Se 35% dos novos automóveis e comerciais ligeiros vendidos já são elétricos, a próxima corrida não será apenas para colocar mais carros a bateria nas estradas.
Será para garantir que, quando precisarem de energia, não tenham de esperar demasiado para voltar a andar.
O EV Charging Index 2026 da Roland Berger analisa 34 mercados e utiliza dados provenientes de entidades como EV Volumes, Observatório Europeu de Combustíveis Alternativos (EAFO), Agência Internacional de Energia (IEA), Eco-Movement, Euromonitor e organismos nacionais de estatística, complementados por análises da consultora e contributos de especialistas do setor.






