Há números no conta-quilómetros que fazem qualquer proprietário começar a pensar se está na altura de trocar de carro. 100 mil quilómetros? Hoje já não impressionam muito. 200 mil? Começa a ser uma relação longa. Mas e quando o objetivo é passar dos 400 mil?
Um novo estudo tentou perceber precisamente quais são as marcas cujos automóveis têm maior probabilidade de chegar a essa espécie de velhice automóvel.
E a resposta exigiu uma amostra gigantesca.
A iSeeCars analisou mais de 395 milhões de veículos para estimar a probabilidade de automóveis de 33 marcas chegarem às 250 mil milhas — aproximadamente 402 mil quilómetros.
A média do mercado é pouco animadora: apenas 5,4% têm uma probabilidade estimada de alcançar essa marca.
Mas há fabricantes que parecem jogar outro campeonato.
Segundo o estudo, citado pelo ‘Supercar Blondie’, as quatro primeiras posições pertencem a marcas japonesas. E a primeira consegue uma probabilidade mais de três vezes superior à média.
1.º Toyota — 19,7%
Se a intenção é comprar um automóvel e descobrir até onde consegue levar o conta-quilómetros, os números apontam claramente numa direção.
A Toyota surge em primeiro lugar, com uma probabilidade estimada de 19,7% de os seus veículos atingirem pelo menos 250 mil milhas.
São praticamente 400 mil quilómetros.
Mais impressionante: o resultado é 3,7 vezes superior à média de 5,4% registada entre todos os automóveis analisados.
Quase um em cada cinco Toyota tem, de acordo com o modelo estatístico utilizado pela iSeeCars, potencial para atingir aquela quilometragem.
2.º Lexus — 14,4%
Logo atrás aparece a Lexus.
A marca de luxo da Toyota regista uma probabilidade de 14,4%, equivalente a 2,7 vezes a média geral.
E há aqui uma curiosidade: quando são consideradas exclusivamente as marcas premium, a diferença torna-se ainda maior. A média deste segmento é de apenas 3,4%, o que significa que a Lexus apresenta uma probabilidade 4,2 vezes superior.
3.º Honda — 13,3%
O domínio japonês continua.
A Honda fecha o pódio com 13,3%, cerca de duas vezes e meia a média da indústria.
Toyota, Lexus e Honda ficam, assim, bastante isoladas no topo da tabela.
Mas ainda há espaço para outra marca japonesa antes de aparecer o primeiro fabricante de outro país.
4.º Acura — 9,5%
A Acura, marca premium da Honda, ocupa a quarta posição com 9,5%.
É novamente um resultado muito acima da média e especialmente significativo entre os fabricantes de luxo: neste grupo, só a Lexus apresenta melhores números.
Só depois destas quatro marcas aparece a primeira representante não japonesa.
5.º GMC — 5,8%
A GMC fecha o top 5 com uma probabilidade de 5,8%.
A diferença para as quatro primeiras é evidente. Ainda assim, é suficiente para superar a média geral de 5,4%.
Aliás, há um dado que mostra bem como chegar aos 400 mil quilómetros continua a ser uma fasquia muito elevada: das 33 marcas analisadas, apenas cinco ficam acima da média.
E as restantes?
A partir daqui, as probabilidades começam a cair rapidamente.
A Mazda surge em sexto lugar, com 5,3%, seguindo-se Lincoln (4,7%), Ram (4,2%), Ford (4,1%) e Cadillac (3,9%).
Depois aparecem Chevrolet (3,6%), Nissan (3,4%), Tesla (3,3%) e Subaru (2,8%).
E é quando chegamos às marcas premium europeias que o ranking começa a reservar algumas surpresas.
Mercedes-Benz e Volvo estão empatadas nos 2,6%. A Volkswagen aparece mais abaixo, com 1,5%.
BMW e Audi ficam ambas nos 0,5%, Land Rover nos 0,4% e Porsche nos 0,3%.
No fundo da tabela, Fiat apresenta 0,2%, enquanto Jaguar, MINI e Maserati surgem com 0,0%.
Isto não significa que seja impossível encontrar um Jaguar, MINI ou Maserati com 400 mil quilómetros. O valor resulta da estimativa estatística utilizada no estudo e não deve ser interpretado como uma sentença sobre cada automóvel individual.
Japão domina a corrida da longevidade
A conclusão mais evidente está no topo.
Toyota, Lexus, Honda e Acura ocupam, por esta ordem, os quatro primeiros lugares. A quinta, GMC, é a única outra marca das 33 analisadas que consegue superar a média geral.
“Chegar às 250 mil milhas é uma fasquia excecionalmente elevada para qualquer veículo”, salientou Karl Brauer, analista executivo da iSeeCars, ao apresentar os resultados.
Há ainda uma diferença curiosa entre segmentos.
Considerando apenas marcas generalistas, a probabilidade média de atingir as 250 mil milhas é de 5,8%. Entre as marcas de luxo, cai para 3,4%.
E talvez seja essa a melhor forma de olhar para estes números.
Comprar um automóvel mais caro não significa necessariamente comprar um automóvel que vai durar mais quilómetros.
Pelo menos se a meta for ver aparecer no conta-quilómetros um número que poucos carros alguma vez chegam a conhecer: 400.000.






