Houve um momento em que o futuro da Lotus parecia estar decidido: seria elétrico.
Já não é assim.
A marca britânica mudou a estratégia, abandonou a intenção de ter uma gama exclusivamente elétrica e está a preparar um novo supercarro para 2028. Terá motor central, um V8 híbrido, mais de 1.000 cv e uma missão particularmente difícil: recuperar tudo aquilo que tornou a Lotus famosa sem deixar que a eletrificação transforme um automóvel leve numa máquina de duas toneladas.
E há outro detalhe capaz de entusiasmar os fãs da marca. O nome Esprit, desaparecido há 22 anos, poderá regressar.
Segundo o ‘Motor1’, o novo modelo, conhecido internamente como Type 135, deverá recuperar a designação de um dos Lotus mais famosos de sempre e posicionar-se entre o Emira e o hipercarro elétrico Evija. A própria Lotus já confirmou oficialmente que o novo supercarro V8 híbrido chegará em 2028 no âmbito da estratégia Focus 2030.
Esprit. Esse nome diz-lhe alguma coisa?
Deveria.
O Lotus Esprit tornou-se um dos desportivos mais reconhecidos da história da marca e permaneceu em produção durante quase três décadas.
Apresentado ao público em 1975 e lançado em 1976, nasceu com o desenho em cunha de Giorgetto Giugiaro e atravessou sucessivas evoluções até ao início deste século.
E teve um condutor particularmente famoso: James Bond.
Roger Moore conduziu o Esprit enquanto 007 em dois filmes da saga, ajudando a transformar o modelo num ícone muito para além do universo automóvel. A própria Lotus continua a recordar oficialmente essa ligação na história do modelo.
Durante grande parte da sua vida, o Esprit utilizou motores de quatro cilindros. Mas os últimos anos trouxeram algo muito diferente.
Um V8.
O motor Lotus de 3,5 litros produzia 350 cv e levou o Esprit até ao final da sua carreira. A produção terminou em 2004 e, com ela, desapareceu também o V8 da gama Lotus.
Agora, 22 anos depois, os oito cilindros estão preparados para regressar.
Mais de 1.000 cv. Mas há outro número ainda mais importante
O novo supercarro deverá utilizar um V8 híbrido em posição central e ultrapassar os 1.000 cv.
Mas talvez o objetivo mais interessante não esteja na potência.
Está no peso.
Segundo o ‘Motor1’, a Lotus pretende manter o novo modelo abaixo dos 1.500 kg.
Num mercado em que a eletrificação tem feito disparar a massa dos automóveis de altas prestações, é uma meta particularmente ambiciosa — e uma questão quase existencial para uma marca cuja filosofia sempre esteve intimamente ligada à redução de peso.
A arquitetura elétrica será de 800 volts e o sistema deverá recorrer a um motor elétrico de 150 kW inspirado na Fórmula 1, desenvolvido com o objetivo de poupar cerca de 20 kg relativamente a uma unidade comparável.
A transmissão prevista é de dupla embraiagem.
Uma caixa manual, tendo em conta a potência e a complexidade do sistema híbrido, parece altamente improvável.
E pode haver um Esprit menos radical
O V8 poderá não ser a única opção.
Feng Qingfeng, diretor-executivo da Lotus, admitiu também a possibilidade de uma variante V6, recorrendo a tecnologia da Horse, a empresa de motores criada pela Renault e pela Geely.
A ligação não é propriamente inesperada: a Geely controla a Lotus e participa igualmente na Horse.
O Motor1 já tinha avançado que os novos V6 e V8 desenvolvidos nesse universo tecnológico poderão alimentar futuros modelos da Lotus, incluindo o Type 135.
Uma eventual versão V6 permitiria ainda criar um ponto de entrada menos caro para o novo supercarro.
“Menos caro”, neste caso, será relativo.
Quanto poderá custar?
A Lotus já indicou onde pretende colocar o novo modelo: acima do Emira e abaixo do Evija.
É um intervalo enorme.
O Evija é um hipercarro elétrico produzido em apenas 130 unidades, enquanto o Emira ocupa a posição de desportivo mais convencional da gama atual.
O preço final do Type 135 ainda não foi anunciado, mas tudo aponta para várias centenas de milhares de euros.
E a ambição da Lotus ajuda a perceber onde pretende chegar.
Feng Qingfeng já colocou o futuro modelo no território dos grandes supercarros híbridos e chegou a dizer que a intenção é oferecer um automóvel capaz de superar um Ferrari por um preço inferior.
Ferrari, Lamborghini e McLaren ficam, portanto, avisadas.
Mas será mesmo um Esprit?
Aqui convém colocar um travão.
O supercarro existe nos planos da Lotus. O V8 híbrido está confirmado. Os mais de 1.000 cv estão na mira. O lançamento está previsto para 2028.
O nome Esprit é que ainda deve ser tratado com alguma prudência.
O Motor1 aponta para a recuperação da designação histórica e Feng Qingfeng já sugeriu publicamente essa possibilidade, mas a Lotus continua a referir oficialmente o projeto como o seu novo supercarro V8 híbrido/Type 135.
Ainda há, portanto, tempo para muita coisa mudar até chegar à estrada.
Até o desenho.
As imagens que antecipam atualmente o modelo são interpretações e não fotografias do automóvel definitivo.
Mas há uma coisa que já mudou.
Há poucos anos, a Lotus acreditava que 2028 seria o momento de abraçar definitivamente um futuro totalmente elétrico.
Agora, 2028 será o ano em que pretende voltar a colocar um V8 atrás do condutor.
Se acabar mesmo por chamar-lhe Esprit, dificilmente haverá nome melhor para representar essa mudança de ideias.






